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Na Estante: “A Rainha Vermelha” de Victoria Aveyard

Na Estante: “A Rainha Vermelha” de Victoria Aveyard

As sagas populares já acabaram faz tempo. Harry Potter, Jogos Vorazes, Divergente, Percy Jackson… Agora, os fãs do gênero estão caçando substitutos para preencher essa lacuna. E o novo lançamento da Editora Seguinte pode ser uma boa opção.

CAPA-A-Rainha-VermelhaA Rainha Vermelha livro de estréia da escritora Victoria Aveyard narra a saga de Mare Barrow nascida em Palafitas onde mora com seus pais e quatro irmãos. Seria mais uma história como qualquer outra, se Mare não precisasse roubar para sobreviver e ajudar a família, já que seus três irmãos mais velhos foram para a guerra e sua irmã mais nova trabalha como bordadeira para os Prateados. Quem são esses? Pessoas ditas superiores, pois aqui as classes não se dividem em quem possui mais posses, poder ou dinheiro. Não. Ela se divide a partir da cor do seu sangue. Se você, assim como Mare, tem sangue vermelho está destinado ao pior tipo de vida possível. Quase subserviente. Obrigado a servir a legião e lutar numa guerra sem fim, aonde morrem mais Vermelhos que Prateados, pois eles são postos na linha de frente. Sem mencionar que os Prateados tem poderes. Cada uma das casas, e são muitas, possuem poderes de família como manipular metais, controle de mente, força sobre-humana e até controlar o fogo, tal qual a família do Rei. E tem tantos outros poderes que Mare nem desconfia. Na verdade, ela está mais preocupada em fugir do alistamento já que está prestes a fazer 18 anos. É quando sua vida muda ao esbarrar com Cal na rua e ele lhe conseguir um emprego no Palácio. O que a princípio parecia ser golpe de sorte, rapidamente se transforma em pesadelo.

A princípio a narrativa e mesmo os personagens podem parecer oriundos de outras sagas. Afinal, é uma fórmula comumente utilizada no gênero YA (Young Adults) e não há nada de estranho nisso. Felizmente, a sensação de estar lendo algo conhecido passa após algumas páginas. A protagonista tem personalidade forte, é inteligente e bastante decidida. E está longe de ser linda ou ter beleza de destaque, aliás, um ponto positivo da narrativa é não focar tanto na beleza exterior de seus personagens. A autora enfatiza muito mais o caráter deles do que a roupa que vestem ou a cor dos cabelos. Lógico que tais detalhes são mencionados, mas se encaixam perfeitamente na história e usados mais para uma questão de explicação do universo político do que meramente fashionista.

O cerne da trama é bem político e envolve jogos de poder, mentiras, traições, controle de informação, da mídia e das massas. Mare não tem tempo para romances, então, não espere fugas ou encontros furtivos na madrugada. Bom, os encontros existem, mas, é mais para planejar ataques de guerra e alvos a serem abatidos.

Para um primeiro livro, A Rainha Vermelha possui fôlego de sobra para segurar o leitor até a última página, cheia de reviravoltas e personagens marcantes e críveis. Nada de pessoas lineares. Aqui, as facetas de cada um muda conforme a dança política inverte e eles têm que dançar de acordo com a música se quiserem sobreviver. Principalmente Mare que acaba caindo, literalmente, no meio desse covil e precisa lutar para achar uma saída que não seja derramamento de sangue vermelho.

Os direitos autorais do livro foram vendidos e em breve virá uma adaptação cinematográfica. O próximo livro com título de Glass Sword tem previsão de lançamento para 2º semestre de 2016.