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Na Estante: “Aconteceu Naquele Verão” de Stephanie Perkins

Na Estante: “Aconteceu Naquele Verão” de Stephanie Perkins

“Todos nós vivemos devorados pela necessidade de ser amados, mas temos medo da insegurança de amar.” anônimo.

Essa frase encontrada a ermo na internet em muito define as histórias apresentadas nesse livro que tem autores como Veronica Roth que é mais conhecida pela trilogia Divergente e Cassandra Clare autora da franquia Instrumentos Mortais, além de outros escritores que falam sempre, ou quase sempre, do mesmo tema: a insegurança de amar.

O livro Aconteceu Naquele Verão reúne 12 contos de diversos autores permeia por uma época bem particular para os americanos, as férias de verão que é quando parece que as pessoas se abrem mais para novas experiências. Aqui temos desde contos que tratam de reconciliação e descobertas até mesmo histórias de amor que misturam fantasia e criaturas mitológicas. Porém, alguns acabam não sendo tão interessantes como deveriam.

Como se trata de contos não há uma ordem a seguir a leitura podendo fazê-la como preferir. Escolhi seguir como uma leitura normal indo do início ao fim e é notável que a curadoria dos contos e a maneira a qual foram organizados tem por intuito nivelar a qualidade do conteúdo escrito pelos autores procurando balancear os temas abordados dentro daquele mais abrangente que é o amor. Entretanto, não há uma fluidez que faça o leitor devorar o livro como é o esperado. Alguns estilos de narração são monótonos enquanto outros te fazem desejar que tenha uma continuação ou mesmo seja transformada em um livro único. Nem toda história de amor tem um final feliz, mas vem com ensinamentos e cada um dos contos procura apresentar alguma lição que possa ser tirada por nós.

Tampouco se prendem ao amor heterossexual e isso é feito de maneira tão sutil que o leitor nem percebe, porque talvez não faça diferença, quando está lidando com protagonistas do mesmo sexo ou de sexo diferentes e que se apaixonam na mais louca situação. De qualquer modo, todos eles passam pela mesma sensação de insegurança quando nos apaixonamos e imediatamente nossa mente é inundada por pensamentos que nos fazem questionar tudo o que falamos, como agimos, como o outro age perto de nós e no que influencia em nossas decisões e assim por diante. Ninguém está livre desse sentimento, de achar que não é bom o suficiente para que outro possa nos amar independente de como somos. E isso é colocado de maneira pontual na maioria dos contos trazendo assim um quê mais verossímil para o leitor que vai conseguir se identificar com alguma situação ainda que algumas pareçam um tanto surreais como uma horda faminta de zumbis em uma sala de cinema decrépita. Que aliás tornou-se meu conto favorito – O Último Suspiro do Cinemorte de Libba Bray – dado as inúmeras referências à cinema.

Não são todos os contos que falam de insegurança, mas é o sub-tema que interliga a maioria deles. Outros falam de amores passageiros e bem marcantes como no caso de Lembranças de Tim Federle e Prazer Doentio de Francesca Lia Block. Alguns tem uma viés mais positiva como Mil Maneiras de Tudo Isso dar Errado de Jennifer E. Smith. Contudo, no fim, todos eles lidam com o amor e não apenas entre casais mas para com outras pessoas, sejam amigos, crianças e até mesmo desconhecidos. Estender ao outro, mesmo que seja por um breve momento, um carinho e sentimento que vai ajudá-lo a se sentir melhor. E não é isso que todos queremos? Amar e ser amados?