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Na Estante: Box Terror VHS

Na Estante: Box Terror VHS

Fato é: isso já deveria ter saído aqui a pelo menos um mês atrás. Mas, como nem tudo o que planejamos funciona como deveria, preferi fazer algo direito e com calma, do que simplesmente fazer por fazer.

E quem já teve esse box em mãos sabe do que estou falando. Ou não, se levarmos em conta que ele vem embaladinho, dentro de duas caixas personalizadas, muitíssimo bem feitas que lembram as saudosas fitas VHS. Bons tempos.

Cada uma das caixas VHS correspondem a um filme clássico do terror. Mas, vamos por partes (desculpem a piada infame) igual ao assassino Leatherface de O Massacre da Serra Elétrica.

Começo dizendo que não será possível tecer uma análise profunda de ambos os livros, pois as informações contidas neles são tão vastas que se fosse realmente contar sobre todos os pontos interessantes e as surpresas que guardam, perderia a graça para quem quer ter esse prazer pessoal. Por isso, irei apenas ressaltar pontos chaves que encontrei e que mais me chamaram atenção, assim como uma explicação dos autores e da intenção ao lançar essas duas obras.

Em O Massacre da Serra Elétrica o autor Stefan Jaworzyn que sempre foi fã do gênero, reuniu uma série de entrevistas e notícias que compilou resultando nesse livro sobre o making of do filme. Esta edição ganhou mais dois capítulos extras sobre os remakes que surgiram depois que Stefan finalizou seu livro lá em 2003. Logo no início vemos a que a linguagem utilizada pelo autor é divertida o que contribui bastante para que a leitura flua sem maiores problemas. Gunnar Hansen, o Leatherface original, dá seu depoimento de forma um tanto emocionada ao contar que ele e sua esposa, que também trabalhou no filme de 74, jamais esperariam que um filme de terror B teria tanto sucesso. A partir daí o livro começa de verdade a se aprofundar na origem da criação do longa desde o original indo até todos os remakes que ganhou, incluindo o último de 2013. Novamente Gunnar e agora Sallye Richardson que foi diretora-assistente de Tobe Hopper, começam de fato a dissecar o homem por trás dessa obra que ninguém achou que faria qualquer sucesso e que em muitos países foi vetada.

Curiosidade: Apesar de se referirem a uma serra elétrica, foi usada na verdade uma moto serra, pois, como o próprio nome diz, uma serra elétrica precisaria ficar conectada a uma fonte constante de energia impossibilitando o vilão de perseguir suas vítimas pela floresta.

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Apesar de ser considerado sucesso hoje em dia, lá em 1974 os investidores perderam o dinheiro que investiram na produção do filme e nunca mais queriam ver a figura de Hopper na frente deles novamente. O que é muito ruim já que um diretor precisa que seus investidores voltem para que assim possa continuar produzindo muito mais filmes. O livro fala ainda do repúdio dos críticos, que claramente não compreendiam a função singular desse gênero para o cinema, em um capítulo contendo vários trechos retirados de publicações da época.

“Sobre O Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hopper, quanto menos falarmos, melhor, ainda que eu deva ser culpado por chamar atenção sobre o filme após sua primeira exibição européis no Festival de Cannes de 1975 […] O fato de ser impressionante e bem realizado só faz dele ainda mais intragável.” David Robinson, The Times, 19 de Novembro de 1975.

Amigos de trabalho e de longa data falam de como as pessoas acabavam vilipendiado o trabalho feito por Hopper e que no final, nem parecia algo que ele havia produzido. E há também o capítulo que questiona as novas produções sobre o longa procurando apenas enriquecer e não mais preocupados em fazer um autêntico cinema slash.

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Vamos sair da psicopatia e ir para o sobrenatural. Quem vai falar sobre o making of de Evil Dead ou A Morte do Demônio é o autor Bill Warren que também é crítico e historiador de cinema. Neste livro ele vai dissecar o cinema de Sam Raimi que antes trabalhava apenas com uma câmera Super8 como muito diretor iniciante e depois passou para grandes produções. A diferença de Raimi para os demais cineastas de hoje é que ele continua trabalhando com os mesmos caras que se formaram com ele na faculdade. O filme surgiu de uma das ideias mais utilizadas nos filmes americanos: um grupo de jovens que se reune em algum lugar específico e então, coisas estranhas começam a acontecer. Com um adicional de muito sangue, mortes violentas e mais sangue. O trio Bruce Campbell, Rob Tapert e Sam Raimi trabalharam desde então em outros filmes de sucesso, mas, o que importa aqui é a origem desse longa que ficou marcado no gênero de terror.

Produzido de forma independente, o filme foi distribuído literalmente de porta em porta até que eles conseguissem uma distribuidora, o que obviamente, não foi uma tarefa nada, nada fácil. Por fim, o veterano distribuidor Irvin Shapiro resolveu dar uma chance aos rapazes e foi inclusive ideia dele que os rapazes trocassem o nome do filme. O que acabou dando muita sorte para eles. O filme recebeu censura X nos cinemas (nem sabia da existência dessa letra na censura) tal qual os filmes que o trio fez e vieram seguindo a linha de Evil Dead.

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A linguagem nesta edição é muito mais técnica, mas o que não quer dizer menos informativa ou interessante. Warren focou mais no bê-a-bá da criação de um filme, desde a união de seus criadores até o produto ficar pronto e ser lançado, passando por todos os pormenores que geralmente ninguém sabe ou mesmo se preocupa quando está sentado no escuro do cinema, com sua bebida e um balde de pipoca esperando o filme começar.

Curioso o fato de que Sam Raimi tenha um peso extremamente importante no cinema atual e as pessoas apenas lembrem dele pela trilogia do Homem-Aranha nos cinemas. O que é uma pena já que ele possui outros grandes filmes no currículo extenso que todos podem acompanhar no final do livro. Aliás, tem o currículo dos três e é para ninguém colocar defeito.

Ambos os livro são recheados de imagens, todas em preto e branco e granuladas, que acaba nos transportando exatamente para o tempo em que tudo foi feito. Quase como acompanhar um documentário, mas ao invés de imagens em movimento, contamos apenas com palavras e a nossa imaginação. E é assim, que descobrimos uma boa leitura. Quando somos mais do que suficientes para visualizá-la.

A Editora Darkside fez um excelente trabalho nesse box e se você é fã do gênero, não pode deixar de ter em sua coleção!