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Na Estante: “Magnus Chase e a Espada do Verão” de Rick Riordan

Na Estante: “Magnus Chase e a Espada do Verão” de Rick Riordan

O autor Rick Riordan pode ser considerado o mestre em mitologias para crianças e adolescentes. Desde a série do Percy Jackson na qual aborda mitologia grega consegue a proeza de explicar mitos e divindades com tanta simplicidade que fica impossível não se encantar a aprender enquanto lê seus livros.

Na primeira série de cinco livros intitulada Os Olimpianos, Percy aprende a duras penas a verdade sobre sua vida. Ele é um semi-deus, filho de uma mortal com um Deus grego e precisa ir para o Acampamento Meio-Sangue treinar, aprender mais sobre quem é e ganhar conhecimento. Claro que nada disso seria assim tão fácil e de cara é acusado por ter roubado os raios de Zeus. Junto com Annabeth e Grover vão atrás do real culpado e desvendam um plot perigoso que coloca todos os deuses do olimpo em perigo.percy-jacksonLogo depois Riordan lançou a trilogia A Crônica dos Kane que aborda mitologia egípcia e utiliza de uma narrativa diferente, tal qual os filmes de terror atualmente com found footage, que quer dizer aquelas fitas VHS ou gravações de coisas que aconteceram em uma determinada época. Foi mais ou menos uma estratégia para acalmar os fãs que queriam saber mais sobre Percy e companhia.

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Em seguida, com os personagens já crescidos, o autor nos apresentou Percy Jackson e os Herois do Olimpo e foi um pouco mais fundo na mitologia misturando grega e romana. Dessa vez os problemas pairavam entre ambos os mundos e Percy ganhou alguns aliados inusitados, como também novos inimigos. As diferenças descritas entre os Deuses gregos e romanos tornou a trama divertida e bem agradável, mas, tudo o que é bom deve chegar a um fim e cinco livros depois, demos adeus novamente ao cabeça de alga.

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Depois de falar extensivamente das mitologias Gregas, Egípcia e Romana ficou faltando uma: a nórdica. E em Outubro saiu o primeiro livro da saga Os Deuses de Asgard.

magnMagnus Chase é um adolescente que vive nas ruas se escondendo da polícia e do juizado, pois é o principal suspeito de ter causado o acidente que matou sua mãe. Acontece que Magnus sabe exatamente quem é o responsável, porém, quem vai acreditar quando um garoto de 16 anos falar que lobos de olhos azuis e uma figura sombria invadiu o apartamento e ateou fogo em tudo? Ao seu lado ele tem Blitz e Heart, amigos que o ajudam nas horas difíceis e evitam que ele se meta em encrenca. Entretanto, quando lhe avisam que alguém está distribuindo cartazes de “procurado” com a sua foto, Magnus fica curioso para saber quem o está procurando e acaba indo parar na mansão do seu Tio Randolph, com quem sua mãe cortou laços anos atrás. Num espiral violento de acontecimentos, o garoto descobre que precisa recuperar uma espada importante e impedir o Ragnarok. Oi? É isso mesmo. O famoso juízo final nórdico. AH! Ele também é filho de um importante Deus nórdico e precisa se apressar se quiser impedir o fim do mundo. E para isso, precisará subir e descer várias vezes Yggdrasil se quiser obter sucesso. Além de descobrir quem são seus verdadeiros aliados.

Riordan claramente evoluiu enquanto autor e os personagens parecem mais maduros, assim como a própria trama que conta ainda com a participação de Annabeth como prima de Magnus.

Até o momento é a mitologia mais difícil de assimilar, especialmente por conta dos muitos nomes de pronúncias complicadas. Porém, figuras conhecidas, graças aos filmes da Marvel, como Odin, Thor e Loki são prontamente identificáveis e há até uma leve associação do Loki no livro com aquele retratado por Tom Hiddleston nos cinemas. Riordan optou por dar um pai ao personagem principal não tão conhecido e garantiu assim que haja uma expansão nesse universo fugindo do ordinário.

Todavia, o livro possui dois elementos bem interessantes. O primeiro é o humor. Magnus é sarcástico e irônico o que garante boas risadas ao longo dos capítulos, como também algumas interpretações dos Deuses que ficaram divertidas, como Odin, por exemplo, mas não estragarei a surpresa. E a segunda é o fato da parceira de Magnus, a valquíria que o levou para Valhala ser uma muçulmana. Samirah al-Abbas segue os mandamentos de sua religião é ainda usa um hijab na cabeça que possui alguns poderes. Nesse ponto o autor é famoso por conseguir incluir em seus livros personagens ditos “fora do padrão” e abrir os olhos de seus jovens leitores para a inclusão social. Sem mencionar o fato de dar representatividade a pessoas que se sentem naturalmente excluídas da sociedade.

Por fim, Rick Riordan entrega outro trabalho incrível e que merece ser lido e acompanhado, mais uma vez, com total afinco.