Share
Na Estante: “Magnus Chase e o Martelo de Thor” de Rick Riordan

Na Estante: “Magnus Chase e o Martelo de Thor” de Rick Riordan

Atualmente o autor Rick Riordan tem duas séries sendo publicadas quase que simultaneamente. Está escrevendo As Provações de Apolo e também a trilogia dos Deuses de Asgard com Magnus Chase como protagonista, o primo de Annabeth, não, você não viu o sobrenome errado. E chegamos na metade da história de Magnus com o livro O Martelo de Thor e algumas revelações.

No primeiro livro Magnus descobriu que era filho do Deus Frey, o patrono da prosperidade, fertilidade e paz, nada do que Magnus encontrou no hotel em Valhala onde foi levado após sua heroica morte. Teve que provar seu valor, ao lado da valquíria Samirah, e juntos conseguiram encontrar a lendária Espada do Verão e impedir que o Ragnarok, fim dos tempos nórdicos, chegasse mais cedo. Só que nem tudo são flores na vida de um einherji e a nova missão de Magnus é impedir o casamento de Samirah com o gigante Thrym, além de recuperar o martelo de Thor. Todavia, Loki vai fazer de tudo para impedir que o semi-deus triunfe em sua missão colocando vários obstáculos no caminho. Começando, indiretamente, com o surgimento de um novo einherji Alex Fierro, filho de Loki e que levanta dúvidas se é amigo ou inimigo.

riordancapaNesse segundo livro Riordan aumentou o nível das piadas e humor e também a representação das minorias. Se no anterior temos a introdução da muçulmana Samirah como valquíria e, duvidando da divindade dos Deuses, nesse temos a apresentação de Alex Fierro que possui o gênero fluído. Alex pena para explicar a Magnus o que significa ser do gênero fluido e acaba rendendo bons momentos e outros um tanto enfadonhos devido a repetição de explicação até que entre na cabeça do protagonista. Porém, deve ser assim na vida real também. O lado ruim desse novo personagem é que Riordan passou tanto tempo repetindo o que viria a ser o tal gênero fluido que esqueceu de desenhar melhor a personalidade de Alex. Nada ou pouco sabemos de sua história e o único fato interessante que descobrimos é que Loki não é seu pai, e sim, sua mãe. Não esqueçamos que os Deuses podem se transformar no que bem entenderem para atrair os humanos que lhe chamam atenção. Nesse caso, Loki se sentiu atraído pelo pai de Alex e meses depois, deixou a trouxinha com um bebê na porta do ex-amante. Outro ponto interessante é que Alex aprendeu a se libertar do controle de Loki e agora vai tentar ensinar isso a Samirah, já que essa habilidade vai ser essencial na próxima missão da valquíria, mas estou pulando capítulos.

A questão principal é que são personagens muito interessantes e poucas páginas para descrevê-los como gostaríamos. A parte de Àlfheim com Hearth e seu delirante pai elfo foi bem tensa e mais sombria do que o esperado pelos leitores. A desconfiança de que Hearthstone tivera uma infância triste não se comparou ao que aconteceu realmente. Os abusos morais, as cobranças sem sentido e toda aquela atmosfera nociva na qual o elfo cresceu, indo preferir as ruas na companhia de Blitz e Magnus do que sua mansão, foi um choque. E é aqui que mora o trunfo do autor que consegue equilibrar momentos descontraídos e cheios de referências pop, com Jacques cantando canções de Selena Gomez, por exemplo, a outros mais densos como a infância de Hearthstone e parte do que aconteceu com Alex após sair de casa.

Esqueça a representação dos Deuses dos filmes da Marvel, algo que é mencionado no primeiro livro. Heimdall adora selfies, Thor continua bonito, mas grosso e muito burro e Loki é bem mais ardiloso do que sequer poderíamos imaginar. Magnus Chase e o Martelo de Thor é uma continuação divertida da trilogia, mas que peca em algumas passagens. Felizmente, termina com um gancho excelente apontando um possível crossover entre Gregos e Nórdicos. Aguardem.