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Na Estante: “Magnus Chase e o Navio dos Mortos” de Rick Riordan

Na Estante: “Magnus Chase e o Navio dos Mortos” de Rick Riordan

E chega ao fim a trilogia de Magnus Chase e os Deuses de Asgard. O quarto (?) na linha de histórias escritas por Rick Riordan. Como será que foi essa trilogia?

Mitologia é o forte do escritor ainda que alguns estudiosos do campo torçam o nariz para as modificações que ele faz. O que não dá para negar é que as crianças, público-alvo dos livros, gostam, se empolgam e acabam procurando mais informações sobre aquilo e adentrando num universo esquecido. Esse mérito é todo do autor, sem dúvidas.

Todavia, a trilogia de Magnus Chase e os Deuses de Asgard é a mais fraca de todas lançadas até agora. E sim, li todas elas.

O personagem principal Magnus não consegue passar muita empatia ao leitor e estamos sempre torcendo para que outros personagens, como Alex e Samirah, deem o ar da graça. A conexão não é pelo fato de serem mulheres (gênero o qual Alex habita em alguns momentos), mas sim porque são mais elaboradas. A essência, história, desenvolvimento é melhor trabalhado do que em Magnus. Fora que a essa altura, com tantas mudanças e atualizações de personagens para se adequar a todos os públicos, era mais do que hora de Riordan criar uma protagonista feminina e não apenas a sidekick, amiga, namorada e pau para toda obra. Como vimos nas duas personagens mencionadas além de Annabeth e Piper, por exemplo, que são astutas e habilidosas, mas vivem na sombra dos namorados.

Em O Navio dos Mortos é chegada a hora de Magnus e seus amigos finalmente enfrentarem Loki o Deus da Trapaça antes que ele dê início ao ragnarok. Para isso precisam cumprir uma série de tarefas a fim de estarem melhor preparados o que os leva a diversas aventuras antes de chegarem no seu destino final. E poderia ser final mesmo, se não conseguissem impedir Loki.

Parece que o autor se apegou demais aos personagens e decidiu poupar todos eles. O que aconteceu com demonstrações de bravura como vimos Thalia Grace fazer? Ou a irmã de Nico, Hazel? Senti falta de temer por algum dos personagens, pois sabia que no final todos eles iriam se salvar. Entendo que o autor quis dar espaço a deuses menores como Frey e apresentar o mundo dos anões e elfos – a melhor parte da trilogia – porém, ficou faltando algo para dar uma sustentação maior à história. Faltou de fato um perigo iminente que ameaçasse a vida deles.

O desfecho contra o Loki era algo esperado. Não foi uma grande batalha, mesmo com patos infláveis gigantes, mas arrancou alguns risos de minha parte. Toda essa história de vitupério foi bem desenvolvida, porém, mal aproveitada.

No final, nenhum dos personagens são memoráveis como na saga de Percy Jackson ou Jason Grace e caso apareçam em outros livros, isso se o autor continuar escrevendo mais histórias, alguns podem ter dificuldade de identificar a origem deles. O que é uma pena. As intenções de Rick Riordan foram muito boas em adentrar a mitologia nórdica pegando embalo não-direto com o Thor dos filmes da Marvel Studios, mas, a tentativa ficou nisso mesmo: apenas uma tentativa. Não triunfou como poderia.