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Na Estante: “Origem” de Dan Brown

Na Estante: “Origem” de Dan Brown

Fiquei na dúvida se deveria mesmo ler Origem, o quinto livro com o Robert Langdon. Mas, no fim, minha curiosidade falou mais alto. E o saldo não foi positivo.

Em uma nova aventura, dessa vez situada na Espanha, Langdon é convidado por um ex-aluno, Edmond Kirsch, a fim de presenciar sua mais recente descoberta e que promete abalar as estruturas de todas as religiões do mundo. Todavia, Kirsch é morto antes mesmo de finalizar sua apresentação ao vivo e sobra para Langdon e Ambra Vidal correr contra o tempo para trazer à tona a pesquisa que tirou a vida de Edmond.

Não há nada de novo dentro dessa premissa. Mais uma vez Langdon precisa bancar o detetive e correr contra o tempo. Além de ter outra belíssima mulher como ajudante ao seu lado. E, tal qual os outros livros, existem quatro linhas narrativas para o leitor acompanhar:

  • A do Langdon e Ambra (os que querem descobrir a verdade a qualquer custo)
  • A da Segurança do Príncipe (que quer minimizar os acontecimentos a qualquer custo)
  • A dos Representantes das 3 principais religiões (e que também estão correndo risco)
  • A do Almirante Ávila (aquele responsável por dar início ao caos)

Todos os livros que tem Robert Langdon como protagonista funcionam dentro dessa mesma fórmula. E Dan Brown parece não querer abrir mão dela tão cedo. O que o deixa numa familiar zona de conforto e envereda o leitor por um caminho igualmente familiar, porém, por muitas vezes, enfadonho.

Ao que tudo indica, Brown usou sua experiência pessoal para escrever esta história. Seu pai era professor de matemática e aficionado com símbolos, enquanto sua mãe ensinava música na igreja e sempre foi bastante religiosa. Ponto principal de onde o autor tirou a ideia de mergulhar numa polêmica ao afirmar que iria derrubar as religiões do mundo respondendo a duas perguntas cruciais: de onde viemos? para onde vamos?

Justamente as perguntas para as quais Edmond Kirsch encontrou respostas. E que nós levamos mais de 300 páginas para descobrir. Só que essa jornada não é nada emocionante. Não existe mais aquele interesse em descobrir sobre todos os pontos que são descritos no livro. Tudo parece muito superficial e sem conexão. O autor perde tempo com explicações longas demais, tirando a atenção do leitor para o plot principal. Quando damos conta, esquecemos de Langon e Ambra. Ou mesmo do propósito de Origem que mistura dois pontos opostos: ciência e religião.

É uma mistura que faz todo sentido, afinal, a ciência está sempre tentando refutar doutrinas da religião. O que não funciona é a maneira que Brown optou por entregar o desfecho da história que acaba sendo previsível. O resultado da pesquisa de Edmond Kirsch – que na certa o autor se inspirou no Elon Musk – não é nem de longe o que o leitor esperaria. Aliás, toda a história que gira em torno do Edmond, desde o início da sua pesquisa, até suas criações (Winston) e, por fim a sua morte, é previsível. O leitor sente que correu em círculos. Na certa o mesmo sentimento que Langdon tem ao desvendar o mistério. Ao se dar conta o que ele se propôs a investigar.

No fim, Origem não cria de fato uma polêmica, como foi prometido. O que é uma pena.