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Na Estante: “Para Todos os Garotos Que Já Amei” de Jenny Han

Na Estante: “Para Todos os Garotos Que Já Amei” de Jenny Han

“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.” – Fernando Pessoa

Quem nunca se apaixonou e despejou todos os anseios e angústias em diários ou cadernos a fim de se livrar daqueles sentimentos que não poderiam ser compartilhados com mais ninguém? Foi exatamente o que Lara Jean fez ao escrever e guardar de forma preciosa, cinco cartas para os cincos garotos que já amou na vida, mas que de uma forma ou de outra, nunca chegaram a saber de seus sentimentos.

jennyhanInfelizmente, ou não, as cartas acabam sendo enviadas para seus destinatários e a reservada e romântica Lara Jean precisa lidar de frente com a situação, assim como com os garotos que ficam abismados ao descobrirem a verdade. Em especial seu vizinho e amigo Josh que foi namorado de sua irmã mais velha Margot, e como ela está indo estudar na Escócia os dois terminam. O que é o suficiente para deixar o rapaz confuso e embaralhar a amizade dos dois. Tem também Peter K, amigo de infância e com quem ela deu o primeiro beijo. O garoto é um dos cinco que recebeu a carta bastante sincera, como todas as outras, e decide confrontar Lara Jean que não faz ideia de como agir. Acontece que Peter foi namorado de Gen, ex-amiga de Lara Jean e decide propor para ela uma aliança (depois que algo inusitado acontece entre eles): eles fingem que são namorados e assim colocam ciúme em Gen e faz com que Josh preste atenção em Lara Jean. Mas, será que é realmente isso o que ela quer?

Mesmo embebido em clichês típicos de filmes dos anos 80, a leitura de Para Todos os Garotos Que Já Amei é extremamente prazerosa. A narrativa é leve, objetiva e os personagens cativantes. Além de engraçados.

Lara Jean Song Covey é a típica protagonista romântica que entende bastante de moda e doces, mas nada sobre garotos e namoro. Ainda bem que ela pode contar com a ajuda de suas duas irmãs Margot e Kitty, além da amiga louca Chris. A estrutura familiar criada pela autora é sensacional, e ela baseia as tradições coreanas descritas pelas meninas em sua própria descendência, dando ainda mais credibilidade aos personagens e a interação entre eles. Porém, nada se destaca mais nesse livro do que o desenvolvimento dos personagens e a maneira como é fácil de se conectar com eles.

As irmãs Song são interessantes e cada qual possui o seu charme. Lara Jean é a sonhadora, Margot a responsável e Kitty, minha preferida, é a prática. Jenny Han deixou todas as sacadas inteligentes para a irmã mais nova Kitty. Impossível não dar risadas com as tiradas da menina, impressionando até mesmo as irmãs. E são personagens femininas fortes e de opinião, mesmo se embolando com assuntos do coração. E ainda que a ideia de um casal se unir de mentira seja batida, nos vemos torcendo para que eles fiquem juntos e não com quem desejam.

O único ponto fraco é que não há um desfecho satisfatório e precisaremos esperar pelo próximo livro para saber qual será o destino do coração de Lara Jean.