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Na Estante: “The Loney” de Andrew Michael Hurley fica só na promessa

Na Estante: “The Loney” de Andrew Michael Hurley fica só na promessa

Deixei claro em outros textos aqui que curto o terror, suspense e similares. Ainda que não goste de levar susto, aprecio quem sabe trabalhar dentro do gênero e surpreender, o que não tem acontecido ultimamente.

O último livro de suspense/terror que peguei para ler foi do autor Dean Koontz o 77th Shadow Street (sem tradução no Brasil) e abandonei no meio porque a história começou a enrolar demais e ficar boba. Não foi igual O Iluminado do Stephen King, por exemplo, que qualquer ruído no quarto já me deixava com medo. Afinal, é um gênero muito mais difícil de ser apresentado em um livro do que em outra mídia, como filmes e séries.

loneylivroE mesmo com muitas promessas e propagandas, The Loney de Andrew Michael Hurley lançado por aqui pela Editora Intrínseca não serve aos fãs.

O livro tem sua trama baseada em experiências do próprio autor que participava ativamente das atividades da igreja quando criança e as semelhanças param por aí. São muitos ensinamentos religiosos no livro e em determinados momento parece que o autor está tentando punir o autor com tantas explicações. A cronologia é igualmente confusa, começando no futuro e voltando em dois momentos no passado que hora se misturam por completo. Entretanto, o principal, o grosso da trama que deveria ser o terror ou gótico, como introduzem, não acontece.

São pouquíssimas passagens no livro que induzem que algo sinistro vai começar, para logo se perder em meio a algum drama pessoal dos personagens. E somente faltando poucas páginas para o final que a história engrena de verdade, ainda longe da promessa de suspense ou terror. Na verdade, ela existe, pois com certeza os leitores vão continuar lendo esperando que algo aconteça, porém a expectativa é criada por nós e frustrada pelo autor. A cada página.

Mesmo com um final incompleto, dá a entender que a intenção do autor em The Loney é levantar uma discussão ou mesmo reflexão sobre a maneira como a fé tem peso e influência na vida daqueles que se dedicam arduamente à religião. Hurley joga suas frustrações e questões para o leitor responder por talvez, não ter podido realizá-las diretamente a quem interessava quando criança. Porém, elas não são claramente expostas e fica a cargo do leitor tentar entender exatamente o que Hurley quis passar para nós. Que nem sempre a fé é um ato divino? Que pessoas muito religiosas tendem a ser cegas para outras questões? Que as pessoas não sabem separar a figura do padre da do ser humano que veste a batina?

Bem, essas foram algumas que consegui destacar, certamente existem tantas outras, nenhuma serve ao propósito do livro, infelizmente. Nem o próprio livro serve ao seu propósito.