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Na Estante: “Wicked” de Gregory Maguire

Na Estante: “Wicked” de Gregory Maguire

gradecmaisSempre fui louca por livros desde que aprendi a ler lá com meus 2 quase 3 anos de idade. Cresci com eles a minha volta e anos depois o vício só aumentou quando trabalhei por alguns meses em uma livraria.

Os livros chegavam aos borbotões e nem me dava ao trabalho de ler a sinopse direito e acabava comprando logo. Com isso, tenho alguns exemplares acumulados aqui na estante nos quais as páginas nunca viram a luz do dia. Por isso, fiz algumas promessas pessoais nesse ano e uma delas foi ler os tais livros empilhados. Com a divulgação do famoso musical Wicked chegando no teatro em São Paulo, lembrei que tinha comprado o livro e decidi ler antes de me aventurar com a peça, da qual pouco conheço.

Fica nítido que o autor é grande fã da história criada por L. Frank Braum e a qual todos conhecemos muito bem. Dotado de uma imaginação estupenda ele pega a personagem mais injustiçada da trama, a Bruxa Má do Oeste e decide nos contar as razões, dentro da visão dele, que levaram-na a fazer o que fez com a pobre Dorothy, Totó, Leão, Espantalho e Homem de Lata. Bem, se você espera ler o lado da Bruxa durante as desventuras de Dorothy em Oz, sinto informar que não terá isso neste livro.

Maguire vai mais longe na vida de Elphaba, desde que ela foi concebida, sua vida acadêmica, amigos, amores e dissabores até o infame nome que ganhou.

51cA-PLQ84L._SX304_BO1,204,203,200_Wicked não possui uma narrativa fácil, talvez por esse motivo conste em muitas listas na internet afora de “livros que foram deixados de lado”. É uma mistura estranha de política local com religião que confunde o leitor em alguns momentos. Acompanhamos Elphaba desde o seu tumultuado nascimento, com seus pais se indagando as causas que a levaram a ter a pele verde, até sua juventude na cidade e a eterna tentativa de pertencer a algum lugar que não a queria. Ter amigos que não sabiam lidar com ela ou nem queriam. Elphaba é posta a margem do mundo no instante que nasceu. Ninguém tenta compreende-la ou mesmo parece se importar com ela. E tais atos acabam por refletir em seu comportamento para com o mundo. Não querem me entender? Pois eu também não quero entender vocês. Porém, até chegarmos nessa conclusão, somos envoltos em muita politicagem dentro da terra de Oz e na eterna disputa pelo trono na Cidade das Esmeraldas.

O autor descreve de forma minuciosa e detalhada todos os percalços da vida de Elphaba, dando-lhe razão e momento para se tornar a Bruxa Má do Oeste e querem saber? Não funciona e até frustra um pouco.

Na visão de Maguire, Elphaba é uma pessoa incompreendida que apenas foi vestindo todas as carapuças que lhe atiravam, sem de fato vir a ser nenhuma delas. A personagem passa de uma pessoa questionadora a alguém cansada de lutar e que está apenas aceitando o que a vida lhe dá, goste ela ou não. No entanto, todo o discurso do livro cai por terra quando seu caminho finalmente cruza com o de Dorothy, e aí, passa a ser um Deus nos acuda. A narrativa torna-se enrolada em dois pontos de vista que precisam fechar se quiser dar o ponto na história iniciada em O Mágico de Oz.

Wicked é uma quadrilogia, mas que depois de seu prólogo não desperta a menor vontade no leitor de continuar com a trama, já que sabemos bem qual o desfecho da Bruxa Má do Oeste certo?