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“Nada a Esconder” tem crítica social e roteiro apressado

“Nada a Esconder” tem crítica social e roteiro apressado

Um dos principais medos da sociedade atualmente é a possibilidade de ficar sem acesso às suas mensagens, ligações ou emails. Esse medo pode ser classificado como Nomofobia, um desconforto de ficar sem acesso a comunicação através de alguma tecnologia. É uma fobia que vem crescendo e é peça central do longa Nada a Esconder.

Derivado do filme italiano Perfetti Sconosciuti (2016), que rendeu outras versões ao redor do globo, o longa mostra a reunião de um grupo de amigos. No meio da comemoração, uma das personagens propõe um jogo. Nele, todos devem colocar seus celulares na mesa e sempre que um tocar, ler em voz alta o conteúdo. Apesar de algumas resistências, por fim, todos aceitam participar. Afinal, ninguém tem nada a esconder, correto?

No entanto, cada membro do grupo carrega segredos. E conforme a noite vai passando, o conteúdo de cada celular vai sendo revelado. O jogo serve, principalmente, para expor o desconforto sofrido quando se está impossibilitado de acessar o próprio celular. Para ser específica, desconforto da impossibilidade de privacidade. Acima de tudo, o jogo também expõe as máscaras vestidas em seus smartphones paralelamente a vida real se desmanchando. Desse modo, é fácil perceber a motivação pelas recusas iniciais de terem as mensagens expostas.

Consequentemente, com as revelações sendo apresentadas, Nada a Esconder apresenta diversas discussões. Entre elas, lealdade, sexualidade e comprometimento, além de inevitavelmente, também se aprofundar em outra questão. Em como um grupo de amigos de tantos anos na verdade, não se conhecem mais. Nesse momento, o filme visivelmente apela para a identificação que o público terá com o que está sendo retratado.

Independente da tensão, Nada a Esconder enaltece a comédia com um elenco carismático. Contando com a indicada ao Oscar Bérénice Bejo, a atuação de todos foi crucial para o envolvimento com o filme. Cada um se destaca quando os segredos de seus personagens são revelados, sem deixar espaço para dúvidas em relação a escalação.

Apesar de ser uma ótima crítica à nossa sociedade atual, o roteiro não escapa de alguns erros. Em certos momentos, a quantidade de informação que é despejada no público causa confusão. Com grande destaque para uma informação logo no começo do filme que até então passa batida. Somente perto do desfecho que ela é mencionada novamente e ainda assim, acaba mal explicada. Outro ponto desperdiçado pela pressa, é a relação abordada entre filha e seus pais, um dos casais do grupo de amigos. Um diálogo, mesmo que curto, ofereceu uma profundidade que teria dado um upgrade ao roteiro caso fosse melhor construído. Entretanto, nem por isso, o filme deixa de render ótimas reflexões sobre o uso dos celulares.

Ficha Técnica
Diretor: Fred Cavayé
Roteiro: Filippo Bologna, Fred Cavayé, Paolo Costella, Paolo Genovese, Paola Mammni, Rolando Ravello
Elenco: Bérénice Bejo, Suzanne Clément, Stéphane De Groodt, Vincent Elbaz, Grégory Gadebois, Doria Tillier, Roschdy Zem, Fleur Fitoussi
Duração: 1h30min
Serviço: Netflix