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Nada faz sentido em “Cadáver”

Nada faz sentido em “Cadáver”

O longa Cadáver tinha tudo para ser promissor ao abordar o outro lado de um exorcismo. No entanto, acaba se perdendo dentro da própria trama a ponto que nada faça sentido para o espectador.

Shay Mitchell vive a ex-policial Megan que após um incidente na linha do dever se torna viciada em remédios. Procurando retomar o controle da própria vida, aceita um trabalho no turno da noite num necrotério local. Seu trabalho é simples e consiste em receber os cadáveres, fotografá-los e catalogar suas digitais no sistema. As noites são monótonas e tediosas até o momento em que o cadáver de Hannah Grace chega no necrotério. É a partir daí que a rotina de Megan muda.

Cadáver não pode ser encarado como um filme de terror, pois lhe falta certos elementos e um dinamismo característico do gênero. Tampouco pode ser encaixado num thriller ou suspense… Então, o que é? Uma boa tentativa que não funciona. Por muito tempo o espectador acompanha a rotina de Megan na esperança de que algo sobrenatural aconteça. E essa expectativa não chega a ser correspondida. O que torna o ritmo do filme vagaroso podendo fazer com o espectador fique cansado, quando deveria estar com os olhos vidrados na tela. O trailer  apresentava cenas mais interessantes e que ficaram de fora do corte final.

Dessa forma, as cenas que foram escolhidas ao invés de dar esse teor sobrenatural ao longa, já que estamos lidando com uma possessão, parece mais coisa de super herói. Um super demônio que consegue se regenerar ao matar outras pessoas e levitá-las. Mas que estranhamente decide poupar a protagonista. É nesse ponto que Cadáver se envereda por uma vertente torpe ao apontar a razão para que Hannah tenha sido possuída: ansiedade e depressão. O que dá a entender é que tais doenças facilitaram o acesso do demônio a Hannah e que isso são fraquezas de espírito. Por possuir essas mesmas ‘fraquezas’ que Megan foi poupada. Se formos seguir essa mesma linha de raciocínio, outras pessoas doentes com câncer, Parkinson, Alzheimer, etc, também estão sujeitas a serem possuídas. Lamentável.

Chega a ser curioso a maneira que a montagem falha de um longa pode prejudicá-lo. Além de personagens mal construídos e muita cena vaga. Não há qualquer evolução do climax na trama e tudo o que o espectador quer é que Cadáver acabe logo. Isso porque o longa não chega a ter nem 90 minutos de duração.

Ficha Técnica
Diretor: Diederik Van Rooijen
Roteiro: Brian Sieve 
Elenco: Shay Mitchell, Grey Damon, Kirby Johnson, Nick Thune, Louis Herthum, Stana Katic, Max Mcnamara, Jacob Ming-Trent, James A. Watson Jr., Marianne Bayard, Adrian M. Mompoint, Matt Mings, Gijs Scholten van Aschat, Guy Clemens, Sean Burns 
Duração: 1h25min 
Estreia: 29 de novembro