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O “Aladdin” precisa de um Gênio… do mal

O “Aladdin” precisa de um Gênio… do mal

Aladdin é mais uma adaptação de um desenho clássico da Walt Disney Pictures com atores. Um live action pra decepcionar como todos as outros. Acompanhamos a já conhecida história de Aladdin. Um ladrão com bom coração que acaba encontrando uma princesa por quem se apaixona e uma lâmpada mágica com um gênio que vai ajudá-lo a conquista-la.

Aladdin não consegue trazer a magia da animação para a tela. Se perde em momentos, interpretações, edições e efeitos. Um dos maiores problemas para mim em todos os live actions baseados em animações da Walt Disney Pictures é que parecem usar o time “B” para esses filmes. E não a mesma equipe que trabalha nos filmes da Marvel Studios, por exemplo. Depois de ver Pokémon: Detetive Pikachu, onde você realmente acredita naquele mundo com as criaturinhas fofas, os efeitos que o longa de Guy Ritchie entrega, não são nada aceitáveis.

O filme não chega a ser uma decepção total. Tem coisas muito boas como o Gênio interpretado pelo Will Smith e as cenas de perseguição por Agrabah. A falha aqui é que de longe a cidade é linda, porém, de perto parece falsa e limpa demais. Aladdin não tem o mesmo impacto que o desenho teve na sua época. E por mais dedicado que o Will Smith seja ele não consegue superar o gênio de Robin Williams. As melhores cenas do filme são da relação do gênio com o jovem Aladdin. Um ponto relevante que se tivesse 30 minutos a mais, poderia melhorar e muito a qualidade do longa.

No quesito trilha sonora, as músicas são boas. As originais estão bem orquestradas, bem cantadas, e as cenas as quais elas aparecem são bem feitas. Mas nada que realmente chame a atenção do espectador. Nenhuma se destaca como deveria, nem mesmo a cena do Príncipe Ali chegando em Agrabah.

Fora o Will Smith não temos nenhum grande destaque nas atuações. Vemos a transformação da personagem da Jasmine, que já era forte desde o começo na animação, e nessa adaptação ela perde força. Cria-se então uma jornada para que ela se tornar forte. Ganha uma musica, nova para o filme, que tem a intenção de empoderar.  Entretanto, tal proposta sai pela culatra ao diminuir uma personagem para então transformá-la em algo que ela sempre foi desde o princípio: forte e determinada.

Aladdin ainda peca na edição. Não soube para onde ir em vários pontos. Como no grande momento do vilão onde a cena é cortada para entrar uma canção que não combina, quebrando todo o clima desenvolvido.

E falando sobre o vilão, é a pior coisa do filme. O ator Marwan Kenzari não consegue segurar o papel. Não sei se por ele ou pela direção, mas seu Jafar é fraco, quase apagado. Não assusta, muito menos te mete medo. O que talvez tenha sido uma tentativa de deixar o personagem menos caricato. E tal qual Jafar, Iago também fica meio perdido no filme. A arara parceira do vilão na animação, aqui é um mero narrador dos acontecimentos. Sem nenhuma grande participação.

Aladdin sofre o mesmo problema das outras versões live action, ela tenta ser algo e não consegue. Não serão melhores que as animações originais. E só em tentar ser eles já perdem. Com exceção de Cinderella ou até Mogli – O Menino Lobo, nenhuma das novas adaptações chegou perto de se igualar ao original. O jeito é esperar e torcer para que O Rei Leão surpreenda. Acredito que não vai.

Ficha Técnica
Diretor: Guy Ritchie 
Roteiro: John August, Guy Ritchie 
Elenco: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen, Jordan A. Nash, Taliyah Blair, Aubrey Lin, Amir Boutrous, Numan Acar, Omari Bernard, Nathaniel Ellul, Sebastien Torka
Duração: 2h8min 
Estreia: 23 de maio