Share
O crossover “Crisis on Earth-X” é quase um filme e ficou bem legal!

O crossover “Crisis on Earth-X” é quase um filme e ficou bem legal!

Em tempos de Liga da Justiça balançando a opinião dos espectadores, a emissora CW reuniu mais uma vez seus heróis num crossover. E em quatro episódios conseguiu atingir um patamar que o filme da Warner Bros não alcançou.

A princípio a ideia do crossover apareceu para introduzir o personagem do Flash nesse universo. Não demorou para que tanto ele quanto Arrow passassem a visitar a cidade um do outro ocasionalmente. Contudo, as histórias nunca foram únicas e sim paralelas. Com cada equipe resolvendo o problema apresentado. Nesse caso, algum vilão que migrava de Star City para Central City. Não existia esse sentido de continuidade e os episódios ficavam similares ao que outras séries fazem como NCIS, Chicago e CSI. Contando apenas com a participação de certos personagens em outra série. Como a Felicity quando foi visitar o Barry lá no início da 1ª temporada, por exemplo.

Esse sentido de continuidade tomou forma no crossover da temporada passada que teve foco em invasores alienígenas. Um arco feito para introduzir a Supergirl aos demais heróis desse universo. Tal qual fizeram com o Flash. Só que em Crisis on Earth-X o roteiro ficou mais ambicioso. E, por ventura, melhor.

A primeira parte do crossover começa em Supergirl e dá a partida para o que parece o começo de um filme. Mostra a união desses personagens num lugar em comum para o casamento de Barry e Iris. Vemos mais interação entre eles além do que estamos acostumados e como se comportam com pessoas novas. Como o encontro casual de Alex e Sara e Rory descobrindo que Caitlin é a Nevasca. Ou mesmo Felicity e Oliver em momentos opostos dentro do relacionamento. Em suma, coisas mundanas e que não escapam da realidade dos heróis, mas que raramente vemos em seriados.

Quase no final do episódio o casamento de Barry e Iris é interrompido quando versões maléficas do Arrow (Dark Arrow), Supergirl (Overgirl) juntamente com Flash Reverso e Prometheus invadem a igreja aliados a uma tropa de soldados nazistas e abrem fogo contra os presentes. Aos heróis só resta reagir e defender os convidados como possível, mas ficam sem entender de onde surgiram os vilões. E principalmente quem são eles?

As demais partes seguem numa linha narrativa linear e sem espaço ou barriga entre elas. A parte seguinte começa exatamente de onde parou a anterior, quase como se ao invés de um espaço de tempo (seja de minutos ou um dia inteiro) tivéssemos um comercial. O que cria uma fluidez maior para o espectador e essa sensação de estar assistindo a um filme de super-heróis e não a quatro seriados distintos.

O conceito das versões maléficas de cada um não é de fato uma novidade. Cisco mencionou isso em um episódio de Flash ao explicar a existência do multiverso. Tampouco o conceito distópico de um mundo o qual a Alemanha tivesse ganhado a segunda guerra. Tal plot foi muito explorado por Phillip K. Dick em The Man in The High Castle e é até mencionado pela Felicity aqui. Sem esquecer que tal abordagem encaixa e muito no atual cenário americano.

Então se nada disso é novidade, como foi que funcionou? Simples. Porque houve todo um cuidado para desenvolver os temas dentro desse universo.

Afinal, quantas vezes assistimos a uma mesma ideia reciclada? Aqui não é diferente e as metades maléficas de Kara e Oliver foram bem construídas, mesmo que Melissa Benoist consiga convencer um pouco mais do que Stephen Amell. O seu personagem tem ações meio dúbias desde o início e por isso é mais complexo ver uma versão sua inteiramente malvada. Mas ele se esforça. Contudo, ambos estão dispostos a fazer qualquer coisa pela pessoa amada. Até mesmo atacar a Terra-1 e sequestrar a Supergirl a fim de lhe “roubar” o coração. E com o Flash Reverso como aliado. É, nada de versão má do Barry. Creio que isso não funcionou tão bem na terceira temporada em The Flash e não quiseram arriscar de novo.

Quanto a união dos heróis, não poderia ter sido feita de forma mais orgânica e objetiva. Há uma divisão inteligente dos personagens, focando em suas habilidades, e também importância, até o momento em que foram necessários para a trama. Dando assim espaço para desenvolver sub-plots como o de Alex e Sara e também Jax e Stein. E nada disso afeta o caminhar do plot principal. Os sub-plots se desenvolvem em paralelo e dão ganchos para as demais séries continuarem a partir desse ponto. Em especial com o casamento de Barry e Iris e Oliver e Felicity.

O primeiro vem adiando a união desde o surgimento do Savitar e depois com Barry indo para a Força de Aceleração; o segundo perdeu várias oportunidades para situações adversas, incluindo um filho desconhecido e a época em que Felicity ficou paralítica. Logo, nada mais natural que a moça não quisesse casar e estragar o relacionamento. Mas, isso foi consertado com a chegada de Diggle que uniu os quatro.

Crisis on Earth-X mostrou como é possível realizar um “quase filme” com uma liga de super heróis e ser coeso, divertido, repleto de ação, referências e conseguir desenvolver seus inúmeros personagens e até mesmo sub-plots. Isso porque estamos falando da tela pequena (televisão), recursos limitados e bem menos tempo. Agora a CW passa a competir com ela mesma para criar algo tão criativo para a próxima temporada.