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O Feminismo no clichê de “As Empoderadas” de Germana Viana

O Feminismo no clichê de “As Empoderadas” de Germana Viana

O que uma mulher negra, desempregada, mãe de duas filhas, uma adolescente descendente de orientais e lésbica; e uma quarentona, baladeira e com muito dinheiro no bolso, poderia ter em comum?

As Empoderadas é um quadrinho de super-heroínas, nacional, de altíssima qualidade, que utiliza de um gênero comum, para jogar na nossa cara uma enxurrada de situações. As desconstrói primeiramente desvencilhando a história dos conceitos machistas que vem acompanhando esse certo tipo de história, desde o princípio.

Depois de uma tempestade solar, algumas pessoas foram expostas a uma radiação magnética e acabaram desenvolvendo superpoderes. Algumas dessas pessoas começam a usar esses novos recursos para cometer crimes e outros tipos de atrocidades. Já essas três mulheres bem distintas, resolvem se juntar para combater o crime e a ameaça de pessoas poderosas.

Daniela mãe de duas garotinhas, desempregada, divide suas tarefas com um marido atencioso e prestativo. Na explosão, essa mulher negra, guerreira, adquiriu um superpoder que representa fisicamente, tudo o que ela é por dentro. Daniela recebe os poderes de superforça e uma resistência incrível.

Já Fabi uma mulher mais velha, com gostos luxuosos, que curte uma balada, tem muito dinheiro e trabalha com não se sabe o quê, mas que lhe rende boas verdinhas. Desenvolve uma habilidade superinteressante, que é a Intangibilidade: A capacidade de atravessar qualquer tipo de matéria. Ela também recebe o poder que é o sonho de muita gente: voar.

Li Wei aparentemente a protagonista da história, tem uma vida conturbada dentro de casa. Descendente de orientais rígidos e alienados, a garota se vê presa em situações onde a sinceridade e a felicidade não caminham juntas. Viciada em quadrinhos, desenvolveu um crush poderoso por outra mulher que trabalha em uma Comics Shop de sua cidade. Carregando uma simbologia milenar, Li Wei desenvolve o poder de se transformar em um Dragão Aquático, o que a torna uma fera devastadora de habilidades inimagináveis.

Então, pela primeira vez juntas, em um metrô, um homem descontrolado com seus poderes recém-descobertos, ameaça a segurança de todos no vagão. É nesse momento que elas decidem agir e reverter a situação. Assim, nasce As Empoderadas, nome dado pela mídia, obviamente. Pessoas afetadas pela explosão solar estão desaparecendo. Superpoderosos estão sendo caçados.

E uma grande ameaça colocará em cheque a segurança da família e das próprias meninas do grupo. Está preparado para encarar esse mistério?


As Empoderadas faz parte do selo Pagu Comics, uma iniciativa de propagar a força feminina dentro do mundo das HQs nacionais (quiça internacionais… Veremos isso um dia?).

Juntas fazemos mais barulho”. “Em um mundo perfeito, uma iniciativa dessas não precisaria existir, seriam apenas amigas se juntando para fazer quadrinhos, como os homens fazem. Não é bem assim que acontece, então temos que nos juntar e dizer: Olha, estamos aqui e fazemos um trabalho tão bom como qualquer outro.”

Germana Viana autora de As Empoderadas, Lizzie Bordello e As Piratas do Espaço, além de muitos outros trabalhos, vem lutando pela visibilidade da mulher e a quebra de preconceitos de gênero e sexualidade, dentro da indústria dos quadrinhos há anos. E vem conquistando espaço (e prêmios) fazendo que até mesmo os mais conversadores e escrotos fãs da nona arte, notem o barulho que ela e todas as outras garotas vêm fazendo no mercado.

“—Nossa, eu li As Emponderadas é gostei muito. Não é tão feminista como eu esperava ser.
 — Ah! Não, é? Senta aqui, deixa eu te contar umas coisinhas.”

Utilizar dos clichês para se aproximar do público mais popular é uma arma incrível. As Empoderadas tem uma linguagem simples, justamente para alcançar o maior e mais abrangente número de leitores possíveis. E mandar uma mensagem simples e clara.

Ficou Interessado?
As Empoderadas, além de todas as outras revistas do selo Pagu Comics, que fazem parte de um universo integrado (legal né?), podem ser lidos pelo Social Comics. A “netflix” dos quadrinhos. Enjoy.