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O impacto da série “The Handmaid’s Tale”

O impacto da série “The Handmaid’s Tale”

Ainda que distopias tenham a tendência a apresentar realidades paralelas a nossa, é inegável a verossimilhança em alguns casos como em The Handmaid’s Tale.

O novo seriado do serviço de streaming Hulu e que conta com um elenco primoroso, em especial por conta da atuação sincera de Elizabeth Moss, é baseado no livro homônimo da autora canadense Margaret Atwood e que foi inicialmente publicado em 1985. Na obra, Atwood nos apresenta uma realidade ambientada em um mundo teocrático totalitário, onde as regras devem ser seguidas com base em alguma religião. Essa dita nova sociedade é instaurada a partir de alguns golpes de estado e que acabam levando a destruição de muitos estados e até mesmo uma mudança na biologia das mulheres onde a grande maioria tornou-se infértil. Sendo assim, sobra para as Aias gerarem essas crianças a partir de uma relação forçada com seus patrões, os comandantes e líderes desse regime. Sem qualquer voz ativa, elas são doutrinadas a seguirem fielmente os ensinamentos correndo o risco de sofrer severas punições caso tentem reagir.

E é assim que conhecemos Offred, papel de Moss que nos conduz através dessa mudança radical no mundo e que tem início após alguns eventos em 2015. Acontece que Offred, que na verdade se chama June, possuía uma vida estável com marido e uma filha e viu tudo virar de cabeça para baixo após a instalação desse regime. Eles estavam tentando fugir para o Canadá, porém sofrem um acidente de carro e June não consegue fugir carregando a criança e ambas são capturadas. Ela é separada de sua filha e encaminhada para o Centro Vermelho aonde as mulheres são treinadas para tornaram-se Aias e servirem apenas como futuras barrigas de aluguel as suas senhoras. A forma como tudo isso ocorre, no dia chamado de ‘cerimônia’, em que o sino badala três vezes, é surreal demais para ser posto em palavras.

Neste regime as mulheres perdem direito a ter qualquer propriedade, incluindo conta no banco ou mesmo emprego, e são reduzidas a papéis de esposa, empregada ou procriadora. Àquelas que não podem ter filhos é garantido status mais alto na sociedade do que aquelas que já os tiveram previamente, sendo vistas como putas ou fornicadoras. Para seus filhos, o destino é incerto.

The Handmaid’s Tale é uma série bastante sombria e que abusa com sabedoria da direção de arte e fotografia para criar elementos que façam com que o espectador conecte-se de imediato tanto a trama quanto aos seus personagens. A narração fica por conta de Elizabeth Moss e a cronologia é não-linear, nos levando hora para o passado e depois novamente ao presente. Esses recortes ajudam a montar um panorama do cenário distópico ao qual Offred está inserida. Os personagens por sua vez possuem uma construção e desenvolvimento que é bem trabalhada de modo a não entregar de primeira suas intenções. Por viverem nesse mundo de aparências e cheio de regras, é quase uma tarefa impossível tentar adivinhar a psique de cada um. Incluindo até a própria Offred.

O seriado que foi criado para a televisão por Bruce Miller estreou no dia 26 de Abril e vai contar com um total de 10 episódios em sua temporada.

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  • Felipe Balduf

    pelo q entendi Gilead foi instaurado com um golpe dos militares e lideres religiosos norte americanos contra o governo pra manter a supremacia ali como um estado que tem mais prole que todo o mundo. A crise de infertilidade precede o caos q se instaura pelo menos ali naquela parte do mundo porem parece q o resto pelo menos mexico e canada ainda tao meio q sem saber o que fazer e enquanto suas populaçoes diminuem, Gilead atraves desse regime é o unico pais que tem uma natalidade regular. Achei mto boa a primeira temporada mas espero q a segunda temporada de uma visao maior do que esta rolando num cenario mundial.