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O medo é o alimento em “A Maldição da Residência Hill”

O medo é o alimento em “A Maldição da Residência Hill”

A construção de um filme de terror não é uma tarefa fácil. Exige uma série de elementos que combinados prendem a atenção do espectador por algumas horas. Agora, tente imaginar trabalhar com tudo isso dentro de algo maior, mais dispendioso como uma série. Parece complicado, certo? Porém, A Maldição da Residência Hill entrega um produto único e muito bem executado.

Antes de tudo para um produto dentro do gênero terror funcionar é preciso instigar o medo no espectador. E isso é algo que A Maldição da Residência Hill não apenas faz, como se alimenta dele. Os sustos não acontecem a todo o instante e existe uma evolução orgânica na trama para que ocorram. Se faz necessário entender a mecânica da família Crain dentro da casa para que aos poucos esses monstros tenham sentido. Tal qual os seus próprios personagens.

A família Crain é composta de sete personagens chave que conduzem a história. São eles Hugh (o pai), Liv (a mãe), Steve (o filho mais velho), Shirley (a certinha), Theo (a ovelha negra) e os gêmeos Luke (o problemático) e Nellie (a sonhadora).

Cada episódio inicial (num total de dez) é dedicado a contar um pouco da história desses personagens e como os meses em que passaram na casa viria mudar para sempre a vida de todos. A linha cronológica alterna entre eventos do passado e do futuro sem posicionar exatamente o espectador no momento correto. Podemos estar assistindo algo num futuro que ainda não aconteceu ou que esteja sendo cogitado. Isso faz com que os episódios possuam uma dinâmica agradável de acompanhar, pois ajuda a criar essa atmosfera de mistério, deixando pequenas pistas a serem coletadas por quem assiste. E cada uma dessas pistas se encontra na vida dos personagens.

Steve tornou-se um famoso escritor ao usar a história da família como catapulta. Shirley é casada, com dois filhos e gerencia uma funerária com o marido. Theo se formou PhD em Psiquiatria e atende crianças traumatizadas. Luke é viciado em heroína que vive entrando e saindo da reabilitação. E Nellie ainda é a frágil e sonhadora irmã que tenta reunir a família.

Só que a vida de nenhum deles é exatamente fácil e continuam assombrados pelo o que aconteceu naquela fatídica noite quando seu pai os arrancou da casa e horas depois eles descobrem que a mãe estava morta. Uma noite cheia de lacunas que talvez agora sejam finalmente preenchidas.

A Maldição da Residência Hill consegue sustentar o terror através das experiências de seus personagens. Cada qual possui o próprio monstro no armário que pode ser uma assombração, um medo real ou fantasmas do passado. Uns são explicados, outros não, mas nem por isso deixam de ser menos críveis. E por se tratar de uma família, onde cada membro possui uma personalidade distinta, a trama se modifica junto com eles. Seja a forma como eles lidam com as situações ou mesmo como interagem com seus irmãos. Isso funciona também como uma maneira de despistar o espectador e o deixa-lo na dúvida quanto à veracidade  dos acontecimentos da Residência Hill. São eles reais ou fruto da imaginação das crianças?

Desenvolvida por Mike Flanagan, que também assina como diretor, A Maldição da Residência Hill surpreende desde o primeiro episódio, mesmo que este seja um pouco lento e faz com que a escolha certa do elenco torne esse título algo único dentro do gênero terror.

Ficha Técnica
Criador: Mike Flanagan 
Roteiro: Mike Flanagan, Shirley Jackson 
Elenco: Mckenna Grace, Carla Gugino, Michiel Huisman, Timothy Hutton, Violet McGraw, Victoria Pedretti, Henry Thomas, Lulu Wilson, Jullian Hilliard, Oliver Jackson-Cohen, Elizabeth Reaser, Kate Siegel, Paxton Singleton, Anthony Ruivivar, Samantha Sloyan, May Badr, Annabeth Gish, Robert Longstreet, Olive Elise Abercrombie, Logan Medina, Elizabeth Becka 
Duração: 10 episódios