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“O Pintassilgo” – Ritmo atrapalha potencial da história

“O Pintassilgo” – Ritmo atrapalha potencial da história

O Pintassilgo, romance famoso da autora Donna Tartt, finalmente ganha uma adaptação cinematográfica. Troca-se as 700 páginas do livro por um filme de 149 minutos. E essa diminuição drástica em relação ao tempo de história, prejudica demais o ritmo do filme, que embora curto, é tratado de uma forma bastante cadenciada o que dificulta o entendimento do espectador.

A narrativa parte de um atentado à bomba num museu, onde o protagonista, Theo Decker (Oakes Fegley/Ansel Elgort), perde a mãe. Apesar da tragédia, Theo consegue salvar uma pintura, de Carel Fabritius, intitulada O Pintassilgo. A obra acaba tornando-se um símbolo da tragédia vivida pelo jovem garoto.

Mesmo tendo uma boa premissa, Peter Straughan, roteirista do filme, não consegue, em momento algum, transportar por completo, a depressão de Theo após o incidente. Na trama, há uma passagem de tempo significante, mas que ao invés de explicar o crescimento do protagonista, desconecta ainda mais o primeiro ato dos outros dois. O que faz parecer que estamos acompanhando duas histórias, totalmente diferentes uma da outra.

O Pintassilgo

O melhor momento de O Pintassilgo, sem dúvida, ocorre quando Theo, ainda criança, se muda de Nova York. Lá ele vivia com a família que é liderada pela matriarca Mrs. Bardour, papel de Nicole Kidman o qual a atriz interpreta com maestria. Então se mudam para Las Vegas, reencontrando o pai (Luke Wilson) que era uma figura ausente na vida do garoto. Lá ele acaba fazendo um amigo, Boris (Finn Wolfhard), um garoto tímido, ucraniano e viciado em drogas. A excelente atuação de Wolfhard, que rouba a cena, ajuda bastante no convencimento da relação entre Theo e Boris. Tornando-se assim, a única coisa consistente durante todo o filme. E apesar de utilizar o elemento arte como plano de fundo, a fotografia não possui destaque no longa.

Embora, O Pintassilgo se apresente como um filme com bastante potencial, não chega a lugar algum. Seus momentos de impacto são pouco memoráveis e a trama lente ainda dificulta a compreensão da narrativa por parte do espectador.

FICHA TÉCNICA
Direção: John Crowley
Roteiro: Peter Straughan 
Elenco: Oakes Fegley, Ansel Egort, Nicole Kidman, Luke Wilson, Jeffrey Wright, Sarah Paulson, Willa Fitzgerald, Aneurin Barnard, Finn Wolfhard, Ashleigh Cummings, Aimee Laurence, Robert Joy, Boyd Gaines, Carly Connors, Luke Kleitank 
Duração: 2h29min 
Estreia: 10 de outubro