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O ponto alto de “Bordertown” é a narrativa

O ponto alto de “Bordertown” é a narrativa

Se tem um ponto alto da Netflix são as séries estrangeiras. E não me refiro a produções em inglês, mas sim aquelas que exploram outros idiomas como Trapped. Algumas as quais não chegariam por aqui e Bordertown é uma delas.

Uma produção finlandesa de 2016 a série gira em torno do policial Kari Sorjonen (cujo sobrenome é o título original da série) e seus métodos singulares para desvendar crimes. Se fosse para simplificar, diria que o personagem de Kari foi moldado de leve em Sherlock Holmes. É um detetive especializado em crimes graves em Helsinque. Mas decide diminuir o ritmo de trabalho e se muda com a esposa e filha para a pequena cidade de Lappeeranta que faz fronteira com São Petersburgo.

Kari (Ville Virtanen) pensa que assim vai conseguir estreitar os laços com sua família, mas os crimes o perseguem até lá. E com suas habilidades, acaba desvendando alguns podres que estavam escondidos debaixo da fachada de cidade pequena.

O ponto alto de Bordertown é sem dúvida a narrativa que é dividida em episódios duplos. Logo temos cinco histórias distintas, separadas em 10 episódios, mas que juntas formam um elo único entre os personagens. Todas focadas na família de Kari que inclui a esposa Pauliina (Matleena Kuussniemi) e a filha Janina (Olivia Ainali). Ambas sabem muito bem como lidar com a excentricidades dele ao mesmo tempo que possuem seu limite pessoal.

Com a esposa possui um laço de cumplicidade que fortaleceu mais após ela ter superado um câncer. Não quer mudar o jeito do marido e procura a todo momento adequar a rotina dele de trabalho com a vida em família. E o mesmo parece empenhado para que isso dê certo. Já a filha tem a resiliência da mãe e a inteligencia do pai, não deixando barato alguns acontecimentos o que a coloca no centro de dois episódios. Os três são os melhores personagens de Bordertown junto com Lena Jaakkola (Anu Sinisalo).

A policial russa destoa do que seria esperado padrão para o papel e justamente por isso se destaca. Tem uma ferocidade no olhar e nas atitudes que entregam que ela não está nesse serviço a passeio. Ao mesmo tempo que denota uma sutileza e fragilidade internas que não foram devidamente exploradas nessa temporada. O que espero aconteça numa próxima.

Em relação aos crimes investigados, as histórias são bem distintas e se adequam ao local. Se relacionam com possíveis situações em uma cidade pequena e seus moradores. Ao passo que mantem relações conturbadas com os vizinhos o que pode ou não prejudicar uma ou outra investigação. Mas a produção não mediu esforços para desenvolver crimes horrendos e intrigantes que não são vistos em outras séries do gênero. Outro ponto a favor de uma produção do norte europeu que está mergulhada numa cultura longe dos clichês de Hollywood.

Bordertown é uma boa opção para quem curte séries envolvendo investigação e crimes, mas que foge do formato comum e apresenta um novo cenário.

Ficha Técnica
Criador: Miikko Oikkonen
Diretor: Jyri Kähonën, Juuso Syrjä, Miikko Oikkonen
Elenco: Ville Virtanen, Matleena Kuusniemi, Anu Sinisalo, Lenita Susi, Olivia Ainali, Ilkka Villi, Max Bremer, Matti Laine, Jasmin Hamid, Janne Virtanen, Elias Salonen, Niina Nurminen, Mikko Leppilampi, Johan Storgard, Eriikka Väliahde
Duração: 10 episódios