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O surreal “Vingança a Sangue-Frio” é muito divertido

O surreal “Vingança a Sangue-Frio” é muito divertido

Esqueça a versão vingativa de Liam Nesson em Busca Implacável. Em Vingança a Sangue-Frio o ator trilha um outro caminho para construir o personagem. Um muito mais surreal e divertido e sem qualquer planejamento. O que significa que nem sempre as coisas podem sair como ele espera.

Nels Coxman vive na pequena cidade de Kehoe e acaba de ganhar o prêmio de cidadão do ano. Acontece que ele é o responsável por manter as estradas sempre encobertas pela neve limpas. Um trabalho para poucos já que passa grande parte do tempo sozinho, no escuro, dirigindo um pesado e especial caminhão. É uma vida pacata a qual divide com a esposa Grace e o filho adulto Kylie. Em mais um dia de neve ele descobre que seu filho morreu de overdose. Ao invés de se culpar por não conhecer o filho, como fez sua esposa, Nels tem certeza de que algo está errado e decide buscar respostas e vingança por conta própria.

Vingança a Sangue-Frio se trata de um remake de um filme norueguês e que conta com o mesmo diretor, Hans Petter Moland. Repleto de um humor carregado e ácido, o longa não se preocupa muito com o roteiro e isso também não deve importar para o espectador. Basta saber que Coxman busca se vingar daqueles que injustamente mataram o seu único filho. Aliás, a construção dos personagens e suas motivações são o ponto alto do filme. Muito caricatos, de fácil identificação e abusando de clichês, a preocupação aqui está em conduzir a trama dentro desse surrealismo todo. Onde o protagonista acaba colocando dois senhores do crime um contra o outro. Tudo isso depois dele começar a eliminar os funcionários de Trevor Calcote, mais conhecido como Viking. Um dos melhores personagens.

Sua atuação beira a loucura, com toques de absurdo e que em certos momentos me lembrou Heath Ledger como Coringa. O ator passa esse tipo de psicopatia para o espectador, ao delegar ordens, agredir funcionários verbalmente, sempre com um sorriso maléfico no rosto. Suas expressões destoam das suas ações o que entrega um personagem bem desenvolvido dentro de um longa repleto de humor ácido e atuações rasas.

A propósito, o veterano Liam Neeson parece funcionar no automático. Não dá nem para dizer que o vazio é por conta da morte do filho. Não. O que parece é que é um esforço mínimo para um papel que não exige tanto. Por isso os estreantes acabam tendo um destaque maior. Mas o que importa mesmo em Vingança a Sangue-Frio são as mortes. Algumas rápidas, outras demoradas ou com mais crueldade. Ao seguir a linha do filme original, a ideia aqui é ir por ordem de descarte. E com exceção do próprio Liam Neeson, todos os outros estão na mira para morrer.

É um filme que foge dos padrões costumeiros em Hollywood e talvez por isso mesmo tenha sido rechaçado. Mas a sua proposta é bem clara e simples: divertir o espectador, no meio de um monte de neve, enquanto procura jeitos criativos de matar certos personagens. A última morte então, antes do subir dos créditos, é de fazer doer o maxilar.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Hans Petter Moland
Roteiro: Frank Baldwin
Elenco: Liam Neeson, Laura Dern, Micheál Richardson, Michael Eklund, Bradley Stryker, Wesley MacInnes, Tom Bateman, Domenick Lombardozi, Nicholas Holmes, Jim Shield, Aleks Paunovic, Glenn Ennis, Benjamin Hollingsworth, John Doman, Emmy Rossum
Duração: 1h59min