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OnBox: Em “Trapped” ser honesto é um preço alto a pagar

OnBox: Em “Trapped” ser honesto é um preço alto a pagar

O catálogo da Netflix é imenso. As vezes levamos mais tempo procurando algo do que assistindo. Outras vezes, nos deparamos com pérolas escondidas como Trapped. Uma série nórdica de 2015 e que me prendeu do início ao fim.

Uma cidadezinha pacata em meio aos fiordes. Avisos de uma nevasca que se aproxima. Uma balsa com visitantes chegando. E um torso é pescado em meio as água gélidas de Seyðisfjörður. Quem é a vítima? Quem o matou? Como ele foi parar ali? Cadê o resto do corpo? Tantas perguntas durante a pior tempestade de neve que deixa a cidade isolada do resto do mundo. Resta a equipe de polícia local composta por Andri, Hinrika e Ásgeir resolver o mistério.

Trapped conta com apenas 10 episódios que são bem desenvolvidos e mantém um ritmo constante, que capta a atenção do espectador. Logo de cara somos apresentados aos fatos e uma longa rede de intrigas que nos leva à muitos caminhos sem resposta. O corpo, não é apenas um corpo, está conectado a outros acontecimentos. E cada um desses fatos vai se desenrolando com o caminhar dos episódios. Muitos a gente nem espera.

A série que foi criada por Baltasar Kormákur entrega com louvor essa sensação de aprisionamento em meio a muita neve e suspense. Os personagens são bem construídos e seus dramas particulares uma parte importante para o desenvolver da trama. Andri, o chefe de polícia vivido por Ólafur Darri Ólafsson, está separado da esposa e vive com as duas filhas na casa dos sogros. Isso pode não parecer nada a princípio, mas torna-se um ponto chave no decorrer da temporada. Todos os personagens apresentados são importantes e possuem peso para a trama. Provável que o grande trunfo da série seja apontar pequenos problemas que tiram a atenção do espectador para o xis da questão. Mesmo se tratando de uma cidade pequena, com poucos habitantes, é uma tarefa quase impossível decifrar as intenções de todos. Até porque, elas são elaboradas episódio a episódio e nem todos os pontos são apresentados logo de cara. Não teria sentido. 

Trapped aposta também numa fotografia singular de modo que tenhamos o tempo todo a mesma sensação que os personagens: está frio, escuro e qualquer um pode ser o assassino. Em quem podemos confiar? Ou talvez a pergunta certa seja, em quem é possível confiar quando todos possuem segredos? O elenco também foi muito bem escolhido e apesar de não serem rostos conhecidos – também como poderia? – não prejudica em nada na hora do espectador criar conexões. Na verdade, creio que seja um outro ponto a favor, pois dá uma sensação de proximidade maior, não conhecer ninguém previamente.

Contudo, o mais interessante é poder acompanhar uma série ambientada num local o qual temos pouquíssimo acesso. Tudo bem que a produção de Game of Thrones gosta muito de filmar nessa região. Mas é diferente. Uma série que foi aclamada tanto nos Estados Unidos e na Europa e que agora também vamos poder prestigiar. E aprender mais sobre como vivem as pessoas em outra parte do planeta. Como lidam com as dificuldades de viver debaixo de tanta neve e, também, como funciona o sistema legal do lado de lá.

A série que possui uma única temporada com início, meio e fim, vai ganhar uma continuação que deve ser lançada em 2018. Dessa vez o motivo de estarem presos em Seyðisfjörður não vai ser a neve, mas outro problema. Parte do elenco original vai voltar, como a equipe de polícia, com a adição de novos personagens.