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OnBox: “Gilmore Girls” – 1ª Temporada

OnBox: “Gilmore Girls” – 1ª Temporada

gradebQuem tem menos de 25 anos talvez não faça a menor ideia da importância da série Gilmore Girls para aqueles que cresceram nos anos 2000. Recentemente a Netflix anunciou um revival do show e pode ser que isso mude um pouco as coisas.

Em 1º de Julho a Netflix disponibilizou as 7 temporadas da série que foi ao ar entre os anos 2000 e 2008 e narrava a vida de Lorelai e Rory, mãe e filha que moram em Stars Hollow e precisam lidar com amores, amigos, família, escola, emprego e todos os demais problemas que existem em nossas vidas. A magia da série reside no humor sarcástico das personagens e também nas inúmeras referências ao mundo pop da época, sejam livros clássicos, filmes ou programas de televisão americanos.

Embalada pela novidade não tão nova, decidi fazer uma maratona, pois acompanhei apenas com afinco a partir da 5ª temporada e não lembrava de muitos episódios do começo, como também apresentação dos personagens e o que eu aprendi foi que é preciso consumir Gilmore Girls em doses homeopáticas.

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Rory (Alexis Bledel) e Lorelai (Lauren Graham) na Luke’s Dinner.

A graça da série continua sendo as piadas e tiradas sarcásticas da Lorelai (Lauren Graham) em qualquer situação ou mesmo o fato da Sookie (Melissa McCarthy) ser completamente estabanada, e é toda essa quase improvisação que dita o tom do seriado. Quando Rory (Alexis Bledel) e Lorelai se unem a diversão duplica e realmente parecem mais amigas do que mãe e filha. Contudo, a repetição de ações e diálogos acabam por cansar um bocado.

Lorelai saiu de casa por ter engravidado aos 16 anos e se virou para criar a filha e faz de tudo para que a menina não siga seu exemplo, ainda que a tod0 instante ela verbere que foi a melhor coisa que aconteceu na sua vida. O que acontece a cada quatro ou cinco episódios, como se ela precisasse acreditar mais nisso do que qualquer outra pessoa. Mas, tudo bem, dá para relevar. Ela cresce na vida profissionalmente e consegue prover tanto para ela, quanto para a filha Rory, uma menina extremamente educada, simpática, gentil, inteligente e mimada.

Justamente por não querer que a filha siga seu exemplo, Lorelai protege a menina de todos os males do mundo ou pelo menos tenta e Rory acaba se tornando uma adolescente muito sem personalidade, já que ela não sabe quem deve ser de verdade com tantos exemplos a não seguir e acaba copiando o jeito de ser da mãe. Provável que por isso a tradução do show no Brasil tenha ficado como “Tal Mãe, Tal Filha”. Um desses males, ao menos que Lorelai considera, é o convívio com os avós, seus pais Emily (Kelly Bishop) e Richard (Edward Herrmann), granfinos da alta classe a quem Lorelai abomina por guardar mágoas e lembranças ruins da infância. Porém, quando a menina é aceita em Chilton, uma escola de renome e ela não tem como arcar com as mensalidades, não vê outra saída a não ser recorrer aos pais que aceitam com a condição de que as duas jantem com eles toda Sexta-feira, dando início assim aos acontecimentos da temporada.

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A famigerada residência dos Gilmore e sua matriarca Emily (Kelly Bishop)

Alguns episódios são bem divertidos, especialmente quando não tem foco direto nos dramas familiares das Gilmore, porque bem, tem muito drama sem sentido. Chega a ser irônico analisar essa série depois de tanto tempo e descobrir que as personagens se revezam nos papéis de mãe e filha e o quanto essa dualidade pode incomodar por causa da repetição utilizada no show. Tem uma cena que a personagem da Rory pergunta se em algum momento elas vão chegar a falar sério e é aí que dá para notar que a Lorelai não sabe o que está fazendo como mãe e a Rory por sua vez não sabe agir como filha. As duas estão ainda aprendendo uma com a outra e contam com a ajuda de todos na cidade para isso. Logo, cabe ao espectador paciência para acompanhar essa evolução que hora não sai do lugar e hora surpreende.

A melhor definição da série!

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