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OnBox: “GLEE” 6ª Temporada

OnBox: “GLEE” 6ª Temporada

E chegou ao final em 20 de Março a série que estourou na tv americana e mostrou ao espectador que é possível abraçar o diferente e aceita-lo exatamente como ele é.

Com seis temporadas e muitos tropeços, GLEE tornou-se um verdadeiro fenômeno, principalmente por trazer um estilo de série para a televisão reservado apenas para reality shows: os musicais. Assim misturou estilos musicais, vozes, histórias e personagens cativantes que ficou impossível não acompanhar a trajetória dos alunos da McKinley High durante todo esse tempo. As canções escolhidas para ilustrar os episódios iam desde especiais dedicados a cantores como Lady Gaga, Madonna e Britney Spears, incluindo a participação da mesma, como também Michael Jackson, Queen e Beatles. E essas músicas se mesclavam perfeitamente com temas pertinentes como bullying, gravidez na adolescência, homossexualismo, transgêneros, racismo, drogas e tudo mais que engloba o universo teen e o mundo de forma clara e objetiva.

No entanto, o tema principal sempre foi descobrir quem você é de verdade. Durante essas seis temporadas vimos os personagens principais se enveredarem por caminhos sinuosos em busca de uma identidade pessoal que demorou bastante a aparecer. E quando essa busca parecia ter alcançado algum propósito, novos personagens apareciam procurando exatamente a mesma coisa. Ainda que a intenção de Ryan Murphy tenha sido louvável em querer renovar o elenco e dar a chance de outros jovens atores mostrarem seu talento, ele acabou enfiando os pés pelas mãos algumas vezes e se vendo obrigado a reiniciar tudo de novo. O que nem sempre funcionou como deveria, pois os novos atores apareciam e desapareciam magicamente e muitas histórias foram esquecidas e ficaram sem qualquer conclusão.

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Outro grande problema foi deixar unicamente nas mãos da Sue ser a “vilã” das últimas temporadas, sem qualquer outra motivação a não ser “acabar com o glee club.” Sendo que isso só começou por ela ser a treinadora das líderes de torcida e não querer competição, depois, passou a ser por puro capricho ou simplesmente falta de ideia melhor do que fazer com a personagem. Apesar de Jane Lynch ser nada mais do que genial, essa constante repetição de piadas de mau gosto com o cabelo do Schuester e querer porque querer encerrar o programa de artes, depois de tanto tempo, passou a ser mais do mesmo. Não havia rivais, não havia mais competição, logo, não teria porquê os membros do Glee Club terem qualquer motivação para melhorar ou superar problemas se não existem obstáculos. Basicamente o que aconteceu nas outras quatro temporadas e que faziam todo sentido.

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Contudo, o maior erro de Murphy foi apostar na estrela errada para brilhar em seu seriado e isso ficou provado da pior forma possível. Com o falecimento repentino do ator Cory Monteith que interpretava Finn Hudson, o público se deu conta de que, na verdade, ele sempre foi a alma e o coração da série e não Lea Michelle. Era ele o responsável por manter todos unidos no Glee Club, o que incluía até colocar a própria namorada/noiva no lugar dela e fazê-la descer do pedestal que obrigou os outros a montarem para si. É inegável o talento da moça e todo seu vocal poderoso, mas, lhe faltou empatia do começo ao final da série, mesmo nesta temporada quando estava a frente do New Directions, liderando, não conseguia focar nos seus pupilos e tudo girava em torno dela, até os problemas de terceiros. Felizmente existiam outros personagens que conseguiram brilhar de forma igual pelo menos nas três primeiras temporadas do show. Cantoras potentes como Amber Riley e Naya Rivera que interpretavam Mercedes Jones e Santana Lopez, tiveram a chance de mostrar que eram tão ou mais talentosas do que a própria Rachel, levando a trama a criar esses embates interessantes e até grupos separados como as Troubletones que apenas acrescentavam mais qualidade ao show. Não dá para esquecer também dos Warblers que chegaram com interpretações absolutamente incríveis e arrebentando as vendas de cds. E, claro, não dá para não falar de Kurt Hummel interpretado pelo talentosíssimo Chris Colfer que chegou até a ganhar prêmios por sua atuação. Sua relação com o pai era algo muito gostoso de assistir e torcer para que outros pais estivessem vendo aquilo e passassem a agir com os filhos da mesma forma carinhosa e protetora que o Burt fazia com o filho.

Entre tantas idas e vindas e ultimamente mais baixos do que altos, GLEE se consagrou na televisão americana e mostrou que podemos e devemos aceitar o diferente e enxergar o mundo como ele deveria ser e batalhar por isso. Impossível não chorar com o último episódio.