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OnBox: Nova temporada de “Grace and Frankie” é mais dramática

OnBox: Nova temporada de “Grace and Frankie” é mais dramática

Desde que estreou a série foi taxada como sendo de comédia, afinal, unir Lily Tomlin e Jane Fonda não poderia resultar em outra coisa. Todavia, com a chegada da terceira temporada, as personagens evoluíram e o humor foi deixado um pouco de lado.

Na primeira temporada vemos as dificuldades que Grace e Frankie tiveram que enfrentar após a revelação de que seus respectivos maridos estavam apaixonados um pelo outro há 20 anos. As duas se veem obrigadas a morar juntas, mesmo nunca se suportando devido as diferenças de personalidade, mas no fim, tornam-se amigas. Laço esse que é fortalecido na segunda temporada quando parece que o mundo está contra elas e só podem contar realmente uma com a outra. Com o descaso da família em acreditar que elas podem trabalhar bem juntas e que possuem um projeto realmente interessante a ser comercializado, se unem para criar um negócio: uma linha de vibradores que vai atender senhoras acima dos 60 anos e que ainda possuam e/ou queiram uma vida sexual mais ativa. E é nesse ponto que encontramos nossas protagonistas.

Uma das primeiras dificuldades que enfrentam com o projeto é obter o empréstimo para começar a produzir o vibrador. Como ambas possuem mais de 70 anos, nenhum banco se sente confiável o suficiente para liberar um empréstimo, ainda mais com o prazo extenso que estão pedindo. E esse foi só o início dos problemas envolvendo a empresa, porém nada se compara com o que vão ter que lidar no âmbito pessoal mais para frente como quebra de confiança, insegurança e o fato de que estão em diferentes momentos na vida. Como consolidar os desejos de duas pessoas tão distintas?

E isso dita grande parte dos acontecimentos nos 13 episódios da série. Esse impasse entre os planos futuros das duas acaba influenciando diretamente no relacionamento delas e atrapalha na hora de tocar a empresa para frente e fazê-la prosperar. Grace agarra a oportunidade de voltar a ser uma mulher de negócios, o papel ao qual se sente mais confortável, enquanto Frankie embarcou na ideia mais como suporte, não acreditando que o projeto fosse ser algo tão sério e com tantos compromissos a serem atendidos. Sem contar que ambas querem coisas diferentes para o futuro agora que estão solteiras, porém, nunca chegaram a conversa sobre isso. Do outro lado, Robert e Sol andam debatendo se continuam indo para o escritório ou se aproveitam a chance e se aposentam de uma vez, ideia que muito agrada a Robert, mas não tanto a Sol. Há essa ligação pessoal com o trabalho, por ter sido lá que se apaixonaram e que viviam em segredo esse romance, então para ele é estranho ter que deixar essa parte da sua vida para trás e não fazer nada. Levantando assim questões pertinentes sobre sentir-se útil após uma certa idade, o que fazer a seguir e como se ocupar com tanto tempo livre. Outro ponto interessante foi a breve história de Robert com a mãe e o surgimento de causas gays que até então não tinham sido apresentadas na série.

Dessa forma, o humor que era um dos principais elementos do show, foi deixado em segundo plano com tantas questões de peso que foram introduzidas e que necessitavam de um tom mais sério em sua abordagem. Grace e Frankie mesmo sendo amigas e confidentes são duas pessoas completamente diferentes e que evoluíram ao aprender a lidar uma com a outra, tornando-se mais tolerantes e abertas ao mundo, contudo, continuam sendo dois indivíduos pensantes e com necessidades próprias.

Nunca foi uma série sobre duas mulheres acima dos 60 anos. Não. Grace and Frankie foi criada para mostrar ao mundo que a vida não acaba quando a sociedade diz que sim, quando não mais servimos aos padrões impostos por ela, mas sim, que continua a medida que nos mostramos dispostos a trilhar novos rumos e nos aventurar, mesmo quando acham que não podemos mais. E como as duas amigas querem claramente seguir por estradas opostas em suas vidas, fica a incógnita do que vai acontecer a elas no futuro, ou seja, na próxima temporada.