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OnBox: “Os Defensores” tem força em seus protagonistas

OnBox: “Os Defensores” tem força em seus protagonistas

Desde a estreia de Demolidor a parceria entre a Marvel e a Netflix tem funcionado bem. Contudo, a cada temporada lançada, com novos personagens e trama, a fórmula aparenta estar se desgastando. Em Os Defensores um começo promissor acabou mascarando certas falhas.

É preciso reconhecer que a série não possuía uma tarefa fácil. Ter de unir informação apresentada em cinco temporadas distintas num só lugar e ainda conseguir ligar todos os pontos a fim de que os protagonistas se encontrassem. Além da trama fazer sentido, é claro! A solução encontrada, uma até bem sagaz, foi dividi-los em quatro segmentos distintos, de forma que desenvolvessem cada qual sua parte do quebra-cabeça em relação ao Tentáculo para que mais a frente, existisse um único propósito a uni-los.

Tal tática funciona até o quarto episódio de Os Defensores, onde cada segmento respeitou a identidade visual dos heróis, o que inclui fotografia e até mesmo ângulos da câmera e cortes. Era nítido quando seria a vez do Matt (Charlie Cox), Jessica (Krysten Ritter), Luke (Mike Colter) ou Danny (Finn Jones) de ser a peça central. Deixando assim o espectador mais empolgado com o derradeiro encontro. E é a partir desse ponto que a série começa a desandar e mostrar falhas.

Mesmo possuindo um roteiro bem amarrado e que corta todos os ‘tes’ deixados para trás, fica complicado estabelecer qual de fato é o propósito da série. Seria encerrar uma fase e dar início a outra? Reunir os heróis porque era algo que os fãs queriam? Desenvolver os personagens numa espécie de prequel para as próximas temporadas? Todas as opções? Complicado.

Essa confusão é nítida quando os protagonistas se unem para lutar contra o Tentáculo, famigerada organização que vem aterrorizando Nova York desde os primórdios. Ainda que todos os pontos estejam ligados, os vilões, em especial Alexandra, são fracos e munidos por uma motivação que os deixa ainda mais frágeis: a busca pela imortalidade. Uma fragilidade que acaba se tornando a essência deles e que se esvai a cada episódio conforme vão sendo derrotados. A princípio parecia que Sigourney Weaver iria ter um papel parecido com o de Vincent D’Onofrio em Demolidor, mas não foi isso. Ela não encontra o tom certo da personagem e foi usada apenas como chamariz para a série. O que é lamentável.

Outro ponto negativo foi a opção de retornar com a personagem da Elektra, vivida pela atriz Elodie Yung. Durante a segunda temporada de Demolidor foi a parte mais criticada pelos fãs e a crítica especializada e com toda razão. Como superar a entrada e saída triunfal de Jon Bernthal como Punisher na série? Além disso, a atriz não foi uma escolha tão acertada para viver a assassina. Faltou algo e não, não me refiro a atributos físicos.

Por isso fica a cargo dos quatro protagonistas sustentarem os 8 episódios de Os Defensores. O que só acontece graças a interação entre eles e também com os demais personagens. Observar a maneira como a partir desse contato com um semelhante (outro herói) eles se transformam a fim de alcançarem um mesmo objetivo. Claro que as características mais marcantes de cada um continuam ali em evidência. Os diálogos entre Jessica e Matt são bem bolados, tal qual as tiradas de sarro com o fato do Danny repetir a todo instante que ele é “o imortal Punho de Ferro, protetor de K’un Lun”. Luke repetir a todo instante que ele é do Harlem e só quer proteger as pessoas da sua área e perceber que pode fazer muito mais. Jessica aos poucos conseguir se despir da armadura invisível que usa e deixar que outros a conheçam ou mesmo ajudar outros sem precisar receber por isso. E Matt Murdock, o líder, cheio de dúvidas e segredos que acaba se reencontrando e influenciando Danny a amadurecer. Justamente por serem tão diferentes que essa parceria funciona. E a química entre o grupo é palpável.

Infelizmente, a série falha em desenvolver melhor seus antagonistas, me levando conclusão para a dúvida apresentada lá em cima: qual foi o real propósito dessa série? Além de entreter, óbvio.

Bem, com tudo o que foi descrito, creio que a melhor opção seja a de encerrar uma fase e dar espaço para outra começar. Tal qual os filmes do Universo Cinematográfico Marvel. Assim com os heróis evoluídos, cientes de seus deveres e funções e como proceder a seguir. Espero apenas que a próxima leva de antagonistas esteja no mesmo nível de Killgrave (David Tennant), Wilson Fisk e Cottonmouth (Mahershala Ali). Ou melhor.

  • Marco Antonio Barroso

    Achei ao contrário, a série melhora do terceiro episódio para frente.

  • Thiago De Almeida Silva

    Eu não sei, ainda tá confuso na minha cabeça certas coisas. Ao mesmo tempo que gostei eu fiquei meio assim… sei lá. Mas já discordo que eles tinham uma missão difícil em unir os 4 protagonistas e, consequentemente, seus backgrounds. Todas as séries foram pensadas nesse sentido, logo esse crossover deveria ser totalmente orgânico. Mas vamos ver, vai render um bom podcast! 😀

  • Rafa Almeida

    Gostei da crítica. A série é ótima e espero que tenha não somente uma segunda temporada, como muitas aparições uns dos outros nas séries solos.
    Sigourney é uma mulher talentosa, pena que seu potencial não foi devidamente aproveitado.
    Será que fui o único que gostou da Elektra da Elodie Yung?

    • Melissa Andrade

      Obrigada ^_^
      Não sei se vão fazer uma nova temporada e se fizerem, só depois das outras individuais saírem. Logo, talvez em 2021?
      É, acho que talvez você tenha sido o único mesmo a gostar da Elektra hehe

      • Rafa Almeida

        Apenas torço para não levar tanto tempo, apesar da divisão televisiva da Marvel estar cheia de trabalho com as renovações confirmadas e as próximas cinco novas estreias.