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OnBox: Os delírios fantásticos de “Westworld”

OnBox: Os delírios fantásticos de “Westworld”

gradeaAcabou ontem a primeira temporada da série Westworld produzida pela HBO e que quando anunciada, prometia substituir Game of Thrones. Não no sentido que muitos pensam ou chegaram a pensar, mas sim, suprir a falta que uma série tão importante e bem escrita como Game of Thrones tem para os fãs e posso dizer que nesse quesito, não decepcionou.

No começo parecia que o seriado não iria emplacar. Os três primeiros episódios possuíam um ritmo lento, com narrativa pesada, cheia de detalhes intrínsecos e muitos personagens indo e vindo com frases e diálogos bastante evasivos, pedaços de um quebra-cabeça.

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Logo, as perguntas vieram à nossa mente: Que lugar é aquele? Quem são aquelas pessoas? O que elas querem de verdade? Qual o sentido do parque? Quem é Arnold? Quais são os planos de Ford? Quem é o Homem de Preto? O que é esse labirinto? Estamos vendo quantas linhas de narração? Seria passado e presente? Qual a função da Dolores? Muitas perguntas, nada de respostas. Quase igual Game of Thrones, com a larga diferença que tínhamos livros com os quais nos basear e aqui, trata-se de uma construção narrativa inteiramente nova, mesmo que baseada na obra de Michael Crichton.

Westworld apresentou o lado escuro da humanidade. O que todos ou quase todos desejam fazer quando longe das regras impostas pela sociedade. Onde cada indivíduo procura ganhar poder por conta própria, nem que precise passar por cima de outras pessoas. Aqui não importa quem você é, mas sim, o que você consegue fazer e o quanto isso pode lhe ajudar a evoluir.

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E esses desejos obscuros não são reservados apenas aos convidados do parque, como também aos membros da equipe que o controlam. Enquanto lá embaixo os anfitriões lutavam para entender o que se passava com eles. Lá em cima, com o controle passando de mão em mão, deu-se início a batalha pela conquista do território. De um lado estava Ford, o criador de todo o conceito e do outro Theresa (Sidse Babett Knudsen) e Charlotte (Tessa Thompson) que foram enviadas para lá a mando da empresa Delos que possui ações de Westworld. Chega quase a ser uma briga corporativa se os egos de todos não falassem mais alto. Ford, interpretado brilhantemente por Hopkins faz as vezes do menino mimado. Meu brinquedo, minhas regras. Theresa quer mostrar serviço, porém, não calcula bem os passos e acaba enfiando os pés pelas mãos. Esqueceu que estava o tempo todo em território inimigo e foi alvejada. Sua substituta Charlotte, um pouco mais arrogante, cometeu o mesmo erro. Pensar que estava no controle da situação e não viu que ali era ela a intrusa e não o Ford a quem tinha a incumbência de remover da diretoria. Mesmo que o Homem de Preto estivesse ao seu lado, ele tinha outros planos em mente.

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Difícil saber se Ford previa que seria deposto de sua posição. Já que fica claro que em momento algum ele concorda com as descobertas de Arnold (Jeffrey Wright) em relação aos anfitriões e decide abrir o parque mesmo assim. Contudo, no final, quando não havia mais volta, entendeu o que seu amigo queria dizer de bom grado e abraçou a solução procurando ter o mesmo destino.

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Na medida que a briga pelo controle do parque começa, os anfitriões descobrem que tem o poder de reter informações de narrativas antigas. Algo que até então não sabíamos como tinham adquirido e que fica claro no último episódio. Arnold, que agora sabemos é o Bernard sem ser exatamente o Bernard, escreveu códigos secretos dentro da programação deles permitindo que sozinhos descubram sua essência. O centro do labirinto nada mais é do que a libertação da consciência dos anfitriões. Alcançarem o poder de entender o local em que estão, quem são de verdade e a sua função ali no parque. Por isso, toda a busca do Homem de Preto (Ed Harris) pelo parque – que revelou ser o William e a teoria de duas narrativas paralelas se confirma – tornou-se infrutífera e ele mais uma vez foi feito de palhaço. Digo isso porque ele não queria ir para Westworld, sendo obrigado pelo cunhado. Depois foi de novo obrigado a participar de narrativas que não eram do seu interesse e tudo muda quando ele conhece Dolores (Evan Rachel Wood). E após ter comprado o parque, como anunciou, continuou tão obcecado por descobrir o tal labirinto que não conseguia enxergar a verdade, mesmo com todos falando que o labirinto não era para ele. Encarou a afirmação mais como uma afronta do que tendo algum fundo de veracidade.

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E o que dizer de Dolores? Personagem chave de toda a série. É ela a responsável por desvendar o mistério do labirinto, como também nos apresentar ao Arnold, esse misterioso criador tão falado, além de nos guiar por toda a temporada através de suas lembranças e tentar nos fazer entender que os papéis desde o início estavam invertidos. Os clientes eram os anfitriões que por sua vez eram os clientes.

A temporada termina com um sonoro ‘bang’ de uma arma, de várias outras depois e está instaurado o caos. Palavra que de acordo com os criadores vai permear a próxima temporada. Não se trata mais de ter o controle, e sim de entender como tudo vai funcionar a partir de agora e mostrar que os humanos tem lições a aprender.

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