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OnBox: “Punho de Ferro” triunfa em meio a descrença dos críticos

OnBox: “Punho de Ferro” triunfa em meio a descrença dos críticos

Antes mesmo de ter sido lançada a série foi alvo de inúmeras acusações; algumas com fundamento outras sem qualquer sentido. Todavia, Punho de Ferro, que estreou na última Sexta-feira, vem conquistando o público pouco a pouco.

O seriado veio para fechar um ciclo entre os personagens apresentados até agora e dar o pontapé necessário para Os Defensores que vai unir Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e, consequentemente, o Punho de Ferro. Talvez por isso os críticos esperassem bem mais desse título e tenham insistido tanto em compará-la com as demais sendo que cada obra é uma obra e, portanto, possuem ritmos próprios de desenvolvimento como um todo. Logo, apontar erros com base no que consideram ser acertos nas outras séries torna-se um recurso falho e simplório quando é preciso entender o propósito real de Punho de Ferro sozinho e não apenas enxergá-lo como mais um no meio das séries que pertencem ao universo Marvel e Netflix.

Para começar estamos lidando com a apresentação de um novo herói que não está pronto para esse papel. Bem longe disso, na verdade. Danny Rand vivido pelo ator Finn Jones perdeu os pais aos 10 anos em um trágico acidente aéreo e se viu isolado do mundo ao ser criado por Monges na mística cidade de K’un-Lun em algum ponto lá na China. Lá ele foi treinado com o único objetivo de se tornar uma arma viva e, por conseguinte, vir a proteger K’un-Lun de ameaças externas, em especial do Tentáculo, inimigo de anos do monastério. Com isso, faltou ao Danny ensinamentos sobre a vida, conhecimento o qual só seria possível se ele estivesse inserido em uma sociedade capitalista como a nossa. Por isso decide fugir de K’un-Lun para Nova Iorque pouco tempo depois de ter adquirido o poder do Punho de Ferro a fim de descobrir quem é Danny Rand. Só que sem a experiência de vida necessária para viver nessa selva de pedra, ele está mais para um menino perdido, ingênuo e deveras imaturo. E tal comportamento acaba por influenciar em suas decisões em inúmeros momentos do seriado, incluindo brigas por não aceitar ser chamado de “garoto” ou “criança”.

O que também influencia a maneira que decide lidar com os seus poderes, demonstrando não possuir o controle ou conhecimento necessário para ser o lendário Punho de Ferro. Mesmo com todo o treinamento em artes marciais que recebeu dos Monges, faltou a Danny aprender a lidar com seus sentimentos e como extravasá-los da maneira correta e não utilizando-os como uma espécie de combustível para “acender” seu chi. Com todas essas emoções dentro de si fica complicado entender qual seu papel nesse novo mundo e o que deve fazer a seguir: se tornar quem seus pais queriam, um empresário bilionário e membro ativo da empresa da família, ou assumir o manto do Punho de Ferro e lutar avidamente contra o Tentáculo e proteger K’un-Lun? Por fim, nem uma coisa nem outra. A vida não é tão simples, nem no seriado.

E se estamos lidando com um guerreiro e mestre em artes marciais, lógico que as cenas de luta vão ser ricas em movimentos, golpes certeiros e que muito se assemelha a uma dança, certo? Não exatamente.

Ainda que o estilo de Kung-Fu utilizado esteja bem próximo do real e as cenas de luta sejam sim bem feitas e coreografadas, a falha técnica reside nos picotes que sofreu na sala de edição, interrompendo assim a fluidez dos movimentos e prejudicando uma parte importante do seriado. Como os atores não podem realizar todas as cenas de luta seja por motivos contratuais e/ou de segurança, algumas vezes é possível notar o rosto borrado dos dublês e que a cada corte muda de um para outro, afetando assim a credibilidade da cena. Felizmente, ou não, dependendo do ponto de vista de cada um, tais falhas técnicas ocorrem mais com os homens do que com as mulheres. As atrizes Jessica Henwick e Rosario Dawson que interpretam Colleen e Claire, respectivamente, conseguiram se adequar melhor as cenas de ação do que seu colega Finn Jones, por exemplo, não havendo tantos cortes que denunciasse essa falha mencionada acima. Todavia, por ser uma série focada no personagem de Jones, esse desleixo acabou interferindo bastante o conceito do show que gira em torno desse mundo de artes marciais.

Entretanto, há de se considerar que não só de lutas vive a série e que existem outros pontos positivos que forçam um equilíbrio entre os episódios sem que o espectador se sinta cansado e/ou entediado. Me refiro ao plot principal em torno do Tentáculo e seus membros, a jornada de Danny em descobrir seu papel e os novos personagens.

Colleen Wing é uma grata adição ao hall de personagens femininas fortes e que está longe de ser apenas mais uma sidekick, lutando lado a lado com Danny e demonstrando uma força e conhecimento sobre a luta sem igual. Além de possuir um passado intrigante e que de uma forma que ninguém esperava acaba surpreendendo. Ter Rosario Dawson de volta, de modo a se destacar mais como pessoa, ter opiniões e não apenas ser a enfermeira para suturar os feridos foi uma grata mudança. É ela a responsável por trazer uma luz de sanidade ao casal Danny e Colleen e ter a certeza de que tem noção das consequências para seus atos e no que isso pode acarretar no futuro. E o que falar da disfuncional família Meachum? O teor do seriado seria bem diferente sem Harold (David Wenham), Ward (Tom Pelphrey) e Joy (Jessica Sprout) que trazem tons de cinza – com exceção de Harold – ao show escolhendo cair para o lado que mais lhes favorecer.

A série Punho de Ferro chegou com o peso e a responsabilidade de encerrar um ciclo, uma fase dentro desse universo da Marvel e Netflix sem ter pedido por isso. Um seriado que possui com os outros a única similaridade de ser ponto de introdução de um novo hero-in-the-making (herói a se construir) e não alguém que saiu pronto das cavernas de K’un-Lun ao derrotar o imortal dragão Shou-Lao. Danny Rand possui o poder do Punho de Ferro, contudo, está longe de ser o guerreiro dos quadrinhos em sua série de estreia como muitos ansiavam e não há nada de errado nisso.