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OnBox: “Scorpion” 1ª temporada

OnBox: “Scorpion” 1ª temporada

Existem algumas séries que chegam sem fazer qualquer alarde. Não são frequentemente comentadas na mídia e podem muitas vezes até passar despercebidas do grande público. É o caso de Scorpion lançada na temporada passada pela NBC e que acabou conquistando audiência o suficiente para ser renovada e também, se tornar uma das minhas favoritas do semestre.

A série é baseada na vida do gênio americano Walter O’Brien (Elyes Gabel) que aos 13 anos invadiu os computadores da NASA porque queria cópias de plantas dos foguetes para pendurar na parede do seu quarto. Com isso, acabou atiçando a curiosidade do NSA e Homeland Security que o levaram para trabalhar para o governo americano e desenvolver alguns projetos militares que acabam sendo usados de forma indevida e Walter desiste da parceria. Anos mais tarde acaba fundando a Scorpion, uma empresa falida que conta com Sylvester (Ari Stidham) um gênio em cálculos matemáticos com TOC, Toby (Eddie Kaye Thomas) o psiquiatra behaviorista com problemas de jogatina e Happy (Jadyn Wong) a mecânica prodígio que tem dificuldades de empatia, e ele próprio que possui Q.I de 197 maior até do que o de Einstein. No entanto, não conseguem arranjar dinheiro e vivem de bicos até que o Agente Cabe Gallo (Robert Patrick), o mesmo que descobriu Walter quando criança, volta a pedir o auxílio da equipe para resolverem o problema de comunicação com os aviões no aeroporto e que poderá resultar num desastre aéreo colossal. Mesmo a contragosto, Walt decide ajudá-los e tentar reparar o que houve com seu projeto militar no passado. No caminho eles conhecem Paige (Katherine McPhee) que não consegue se comunicar com o filho e acaba descobrindo que ele é assim como Walt e os demais, um gênio. Aos poucos a equipe vai fortalecendo os laços entre si e construindo de maneira divertida e intensa sua reputação como os melhores.

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Scorpion se tornou uma das minhas séries favoritas da temporada pela leveza dos episódios, assim como a construção dos personagens que vivem à margem da sociedade. São indivíduos que por possuírem habilidades que a maioria não domina ou mesmo entende, acabam sendo deixados de lado e até mesmo rechaçados. E conforme a confiança deles vai aumentando, graças a presença da Paige que se une a equipe para como eles dizem “traduzir o mundo para eles”, passam a quebrar essa casca que lhes foi imposta por terceiros que apenas usavam para se proteger do mundo.

A dinâmica da equipe é incrível e o elenco de maioria desconhecidos com exceção de Katherine McPhee que participou do American Idol e também de Smash e Robert Patrick o famoso robô em Exterminador do Futuro II é o que torna tudo ainda melhor.

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Cada episódio narra diferentes casos que lhes são entregue por Cabe que consegue galgar com extremo cuidado seu caminho para junto da equipe, ainda que Walt seja o poço de desconfiança. Paige é o elo de ligação deles com o mundano, aquilo que eles acham extremamente desnecessário, Walt em particular que tem problemas de afeição e não sabe como se conectar com outro ser humano. Toby transita entre o mundo dos gênios e o dos comuns e garante a maioria das risadas. Sly apesar de toda habilidade matemática e do corpanzil é alguém doce e bastante sensível. Happy é o oposto do amigo e o que lhe falta em estatura, ela compensa em atitude e numa língua afiada. E Ralph (Riley B. Smith) o menino prodígio finalmente encontra seu refúgio, o local que ele pode ser livre para ser quem é de verdade e aprender mais sobre suas habilidades, o que pode agradar Paige ou não algumas vezes.

Destaco os episódios: Piloto (1.01), Shorthanded (1.04), Talismans (1.10), Kill Screen (1.13) e Once Bitten, Twice Die (1.18).

O seriado corresponde ao molde de outros títulos do canal que prefere investir em shows com temáticas especializadas como NCIS (marinha americana), Chicago Fire (bombeiros), The Blacklist (central de inteligência), por exemplo, como também apostar em episódios de narrativas isoladas com um ponto ou outro de elo entre eles, mas que não atrapalhe caso o espectador decida acompanhar a algum desses títulos de forma esporádica. Desse jeito eles esperam que algum dos temas abordados em um episódio atraía a atenção o suficiente para que a pessoa tenha interesse em continuar assistindo a série sem precisar voltar muito no tempo para saber o que está acontecendo.

Scorpion é um show descontraído e que apesar de todas as terminologias utilizadas e todos os aparatos eletrônicos, se preocupa mais com as ligações emocionais e no crescimento interpessoal de seus personagens do que com problemas governamentais e dos clientes.