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OnBox: “Slasher” tem 1ª temporada intrigante

OnBox: “Slasher” tem 1ª temporada intrigante

Alguns seriados a gente começa a ver apenas por curiosidade. E continua da mesma forma. Slasher foi assim. Uma produção original da Netflix que habita um universo que curto bastante, como o título indica.

Tudo começa quando Sarah Bennett (Katie McGrath) decide voltar para a casa onde seus pais foram assassinados. E onde ela nasceu, sendo arrancada da barriga da mãe. A moça mal tem tempo de colocar as malas em casa e se ambientar e coisas estranhas começam a acontecer. Como as atitudes hostis da vizinha Verna (Mary Walsh), que a xinga, dizendo que ela e os pais não são boas pessoas. Sarah não chegou a conhecê-los e vê uma oportunidade de desvendar esse mistério ao morar na casa deles. E ela acaba encontrando algo que jamais esperaria: vídeos pornôs caseiros. Onde sua mãe é a protagonista junto com tantos outros homens da cidade.

Isso parece um tanto chocante, se tratando de uma cidade do interior, mas é só a ponta solta de um grande enigma. A partir disso, a vida de Sarah complica bastante, em especial, quando sua vizinha é morta. Parcialmente esquartejada dentro da própria casa. É então que todos os olhos se voltam para Sarah. Incluindo os do Carrasco. Aquele responsável pelas mortes.

Slasher está bem inserido dentro do gênero e não foge ao que era esperado de uma série com esse título. Entretanto, vai um pouco além na trama ao misturar sangue com temática religiosa, dando assim mais consistência aos eventos da série. O Carrasco, nome dado ao vilão dessa temporada, foi o grande responsável por matar os pais de Sarah lá em 1988. Mas esse culpado tem nome e moradia: Tom Winston (Patrick Garrow), na prisão federal. Então, quem estaria se fazendo passar por ele atualmente? E por que exatamente seus alvos são aqueles moradores?

Não há muito rodeio em relação ao motivo das mortes que estão ligadas aos sete crimes capitais. E, cada uma das mortes, corresponde a punição descrita na bíblia (velho testamento) para tal. Após se consultar com Tom, a quem passa a fazer visitas frequentes, Sarah decide investigar ela própria a série de assassinatos que andam ocorrendo a fim de não ser a próxima. E também não deixar que algo do seu passado volte a assombrá-la.

A produção tem suas falhas. Alguns cortes e transições são bruscos demais e deixam buracos na trama. Também é possível desvendar com facilidade a identidade do Carrasco. Porém, nada disso consegue atrapalhar o desenvolvimento do seriado, que surpreende ao inserir diferentes facetas de alguns personagens, para lá na frente, eles serem os próximos a morrer. E de nada adianta descobrir a identidade do assassino se você desconhece seus motivos. Seria só visualizar metade do quebra-cabeça.

Um ponto a favor de Slasher é a maneira sombria e ainda assim jocosa que trata alguns acontecimentos. As mortes são bem elaboradas, não há cortes, e o espectador consegue ver o que uma série do gênero deve ter: muito sangue e gritos. Algo que ficou faltando em Scream que tenta reviver a franquia do Wes Craven, mas decepciona a cada nova temporada.

Aqui, essa mistura de sangue, assassino em série e religião, contribui para uma construção mais sombria dos personagens e não é possível descobrir quem tem culpa de quê até o momento da revelação. Slasher ainda aborda a forma sensacionalista com a qual os jornais e programas de televisão tratam esses assassinos em série. Descaracterizando as vítimas a fim de transformá-las em produtos para consumo da mídia e da massa. E que tal cobertura pode não terminar nada bem para o jornalista. Principalmente se ele se vangloriar muito do trabalho que tem feito.

Slasher acaba sendo uma boa e descompromissada diversão com seus 8 episódios criados por Aaron Martin. Ainda mais para quem curte o gênero que leva o título do show. O seriado tem uma segunda temporada, que estreou esse ano, com nova história e personagens, mas isso fica para outro post.