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OnBox: “Steven Universe” – 1ª temporada dá uma aula de roteiro

OnBox: “Steven Universe” – 1ª temporada dá uma aula de roteiro

gradeamaisSabe quando o desenho na Cartoon Netwoork termina com aquela música característica e o logo da emissora? Pois bem, para mim é difícil não completar a batida entoando as palavras “cartoon cartoons” porque eu sou dessa época.

Vivi o nascimento das Meninas SuperPoderosas com o elemento X, a criação do Laboratório do Dexter, não entender vírgula do desenho da Vaca e o Frango e o Bum de Fora, pirar com o Coragem, ficar imitando a voz do Johnny Bravo e confundir o Du, Dudu e Edu. Depois que esses desenhos sumiram da televisão, parei de sintonizar no canal.

Até o surgimento de Steven Universe.

Confesso que quando assisti a dois episódios na televisão não dei muita bola. Achei engraçado, mas fiquei boiando na história. Quem são as Crystal Gems? Como o Steven tinha ido morar com elas? De onde elas surgiram? Como ele conseguiu a gema? Ele possui algum poder? Esse menino não estuda? Cadê os pais dele? E só quando finalizei os 52 episódios da primeira temporada que consegui entender que nada disso importava, pelo menos não de uma forma convencional.

O templo e a casa do Steven!

O que acontece é que ficamos mal acostumados com roteiros lineares que possuem início, meio e fim bem redondinhos e mastigados e esquecemos que nem toda produção precisa seguir essas regras. As atuais séries de sucesso Blindspot e How to Get Away With Murder fazem exatamente o contrário e quebram essa linha com mistura de cronologia e acontecimentos passados e futuros que influenciam na trama, logo, porquê um desenho deveria ser linear? Só porque é um desenho?

Cookie Cat!

Steven Universe engana com gráficos coloridos e consegue conquistar pela profundidade dos episódios que mesmo durando pouco mais de onze minutos, passam informações vitais. Steven está longe de ser um garoto como os outros e o fato de ser criado pelas Crystal Gems, três mulheres, além de criaturas mágicas, é o que determina o tom da série. De pouco em pouco vamos aprendendo mais sobre todos os personagens, como seus destinos se entrelaçam e o que isso representa no show. Os episódios são bem divididos entre leves e descontraídos ou mais sombrios e densos, o que acaba nos deixando boquiabertos na forma que essa transição é feita sem destoar do conceito principal do desenho. Outro ponto interessante é a troca de lições entre a Garnet, Amethyst, Pearl e o próprio Steven. Ainda que elas tenham lá seus milhares de anos, não sabem lidar direito com os seres humanos ou mesmo responder a sentimentos e convenções sociais, o que resulta em cenas hilárias. E para isso elas contam com a ajuda do Steven e suas canções embaladas ao som de um ukulele e letras simples, porém sinceras.

Steven e Garnet

Mesmo se tratando de um desenho é incrível a complexidade dos personagens e como eles vão amadurecendo diante dos nossos olhos, principalmente a Garnet. A sensação é que caímos de paraquedas, bem ali no meio de Beach City, e começamos a acompanhar a vida dos personagens quase nos transformando em vizinhos.

O desenho é criação da Rebecca Sugar que foi roteirista de A Hora da Aventura por algum tempo, outro desenho de sucesso, e lançou Steven Universe em 2014. Com mensagens positivas, divertidas e algumas vezes reais, além de possuir um roteiro ricamente construído, é difícil não se encantar por esse universo e seus personagens.

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