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OnBox: “The Flash” – 3ª temporada é morna e com falhas

OnBox: “The Flash” – 3ª temporada é morna e com falhas

Desde a primeira temporada defendo The Flash com unhas e dentes. Tornou-se uma das minhas séries favoritas do gênero. Contudo, essa temporada foi a mais fraca até agora.

A partir do momento em que foi atingido pelo raio provocado pelo acelerador de partículas, Barry Allen (Grant Gustin) foi se transformando no velocista escarlate aos poucos. E acompanhamos isso na primeira temporada ao enfrentar seu inimigo mais famoso dos quadrinhos, o Flash Reverso (Matt Letscher). Ao passo que Barry aprendia novas habilidades, os vilões icônicos ou não, surgiam para criar um obstáculo a fim de que ele continuasse evoluindo como herói. Tivemos crossovers, mais vilões, treinamento e mais treinamento até chegarmos em Hunter Zolomon (Teddy Sears) na segunda temporada.

O Zoom não era apenas mais forte que o Flash fisicamente, tinha mais experiência, conseguia utilizar seus poderes de maneiras que o Flash ainda não havia aprendido, mas o principal era que o vilão havia fortalecido sua mente, algo que sempre foi o ponto fraco do herói e consequentemente o alvo do vilão. Por isso, ao quebrar a confiança do Barry ele triunfou, mesmo tendo sido derrotado episódios depois. E ao matar o Henry (John Wesley Ship), colocou o último prego necessário para enterrar de vez a confiança do velocista. Embora estivesse conseguido enfim se declarar para Iris (Candice Patton) e o início do romance surgia no horizonte, Flash sentia-se vazio e aí começam os problemas da terceira temporada.

Amargurado, sozinho e sendo egoísta pela primeira vez em duas temporadas, Barry decide jogar tudo para o alto e voltar no instante que sua mãe seria morta para salvá-la criando ali o conhecido momento do Flashpoint. Com isso ele ignora as consequências que teria e passa a viver com seus pais, satisfazendo a seu desejo mais profundo. Só que esquece que a força de aceleração tem suas regras e ao quebrá-las, acabou influenciando na linha do tempo de todos aqueles que conhece. O irmão do Cisco (Carlos Valdes) morre, não tem ligação alguma com os West já que não foi morar com eles, Wally (Keiynan Lonsdale) e Iris formam uma dupla que combate o crime e por aí vai. Chega até a mudar fatores na linha do tempo dos personagens de Star City onde John (David Ramsey) e Lyla (Audrey Marie Anderson) tem um filho e não uma filha, por exemplo.

Já no segundo episódio ele é alertado pelo verdadeiro Jay Garrick das consequências de se ‘brincar’ com a linha temporal e então o Flash, que passa a perder fragmentos das suas memórias, tenta voltar e refazer tudo para bagunçar mais ainda os eventos e é quando temos a primeira aparição do Dr. Alchemy. E é a partir desse ponto que vemos o quão atrapalhada vai ser essa temporada.

O grande problema foi o paradoxo do tempo que se criou e as regras que eles tão claramente nos explicaram e de uma hora para outra decidiram quebrar. Ao voltar tanto no tempo era óbvio que o Flash teria seu remanescente, assim como o Zoom teve na segunda temporada, só não esperava que fosse derrotado tão rápido ou que isso fosse usado para nos despistar da identidade do Savitar. Estava nítido que o Julian (Tom Felton) era o Dr. Alchemy e que eventualmente o Wally teria seus poderes de Kid Flash e a Caitlin (Danielle Panabaker) viraria a Killer Frost de vez. A questão era quando e como isso seria apresentado. No fim, com tantas voltas que o roteiro deu, tornou-se cansativo a repetição de tema dos episódios que focaram quase que apenas em descobrir a identidade do vilão e assim salvar a Iris da morte. O que muito me lembrou a falecida série Heroes com “Save the cheerleader, save the world!”

Para que uma temporada gire em torno de um único ponto precisa ser muito bem desenvolvida e com essa rotatividade de roteiristas e diretores, não foi a melhor a direção que The Flash deveria seguir nessa temporada. A prática acontece desde que o seriado existe, mas, de alguma maneira, parece que as histórias não estavam tão bem conectadas como deveriam. Os episódios mais interessantes foram o crossover entre as quatro séries da emissora, o retorno do Grodd e Gorila City e depois o tão requisitado episódio musical com a Supergirl. De resto, não teve nenhum outro episódio que se destacasse e piora quando vemos a simplicidade do desfecho e as falhas.

Começando com o sacrifício do H.R (Tom Cavanagh) que foi muito gratuito, talvez porque o Harrison Wells original vai voltar para a série como personagem regular. Dito isso, se quando o Barry perdeu a memória e o seu remanescente também, então como é que o Wally manteve os poderes? O certo teria sido ele voltar a ser um humano normal, já que em um determinado episódio eles explicam que os poderes do garoto estão conectados com o vilão. Logo, se o Savitar morreu, o Kid Flash também deveria, teoricamente. Talvez isso não tenha ocorrido porque precisavam deixar um Flash para tomar conta de Central City e assim o drama de ver o Barry indo para a força de aceleração, tal qual Atlas, parecesse o sacrifício final de um mártir. E como a Caitlin conseguiu voltar a um estado semi-normal sem o antídoto criado por Julian e pela mãe dela? Quer dizer que isso era possível desde sempre e ela que não quis mesmo? E os convites de casamento? Como assim o Barry saiu entregando todos se sabia que alguém iria precisar ficar no lugar do Savitar dentro da força de aceleração? Foi só para deixar a Iris contente? E se ele já sabia disso, por quê então não obrigar o cara a tomar o lugar que era dele?

Teria sido bem melhor se com o rompimento da barreira na força de aceleração fosse surgir mais velocistas pela cidade, tal qual ocorre no primeiro arco da HQ The Flash em DC Rebirth. Tudo bem que teríamos outros velocistas e a série está entupida deles, incluindo vilões, porém, ao menos, traria mais dinamismo para o show o que faltou nessa terceira temporada e espero que seja consertada na próxima.