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OnBox: “The Punisher” conta com uma boa dose de ação e história

OnBox: “The Punisher” conta com uma boa dose de ação e história

*O TEXTO CONTÉM SPOILERS DA 1ª TEMPORADA*

De uma certa forma, a vingança do The Punisher encontrou seu final. Mas, será que Frank Castle vai conseguir seguir em frente? Ou vai ter dificuldade em enfrentar os demônios do seu passado como Fuzileiro?

A série da Netflix que estreou nesta sexta-feira (17) conta com 13 episódios e é situada logo após os eventos da segunda temporada de Demolidor. Num tom mais sóbrio e que mistura conspiração com paranoia, o seriado de Steve Lightfoot acerta na dose entre ação e história. Vemos um Frank Castle (Jon Bernthal) mais assertivo, preocupado em acabar de uma vez por todas com os fantasmas do passado. Mas sem se distanciar por completo de outras pessoas. Sem a mesma necessidade de isolamento de antes.

E tudo isso deve-se ao fato de que este é um novo Justiceiro. Aquele que conhecemos ficou para trás quando fingiu estar morto e passou a ser Pete. Só que Pete continua carregando toda a bagagem de sua outra identidade. Em especial por conta dos sonhos e pesadelos que tem todas as noites com a sua família e antigas missões. Como então se livrar desse tormento? Isso não é de todo possível. Apenas aprender a lidar com isso, e é no que se baseia grande parte da série. Os problemas psicológicos enfrentados pelos veteranos de guerra ao voltar para casa. Frank sofre com o trauma que suas ações enquanto Fuzileiro causaram para a sua família. Porém, outros veteranos lidam com problemas diferentes. E ainda que para alguns as atitudes de Frank sejam condenáveis, para esse grupo de homens, elas são bem compreensíveis.

Assim, a temporada expande e tira um pouco o foco de Frank Castle ao introduzir outras pessoas que estão direta ou indiretamente ligadas ao personagem por conta de sua ocupação como Fuzileiro.

A começar com Dinah Madani (Amber Rose Revah) a nova personagem feminina que foi criada para o seriado. Como agente da Homeland Security, Madani tem uma motivação pessoal que é descobrir quem matou seu parceiro enquanto estavam numa missão em Kandahar. Sua investigação a leva a cruzar o caminho de Billy Russo (Ben Barnes) que era companheiro de esquadrão de Castle e seu melhor amigo. Não demora muito, sério, nem um episódio inteiro, os dois começam a ter um envolvimento pessoal. O que acaba atrapalhando em parte o desenvolvimento da personagem da Madani e alavanca Russo como antagonista.

Criada para ser um contraponto forte e feminino dentre tantos homens, Dinah Madani acaba caindo na malha fina do estereótipo ao se envolver com Billy Russo. Não que o pseudo romance seja algo condenável; mas a princípio funcionava muito bem enquanto ambos usavam o sexo como válvula de escape. Sem maiores confissões e nem conversas íntimas. E quando a agente Madani baixa a guarda, se permite ser vulnerável, que a situação desanda. Sempre sagaz, deixa passar vários deslizes do Russo por estarem envolvidos. Como bem diz o ditado popular: o pior cego é aquele que não quer ver. Tal postura compromete não apenas a investigação como também sua posição dentro da Homeland Security.

Fato que a posição de Billy Russo dentro da série não era tão óbvia assim. Porém, conhecendo a origem do personagem, ficava claro que em algum momento iria revelar sua verdadeira natureza. Só não era possível prever como e nem onde. Ou mesmo a razão que o levou a trair Frank Castle. E Billy tem uma boa desculpa para tal. Um pobre menino órfão – que emana charme muito similar a de um sociopata – que encontra uma possibilidade de fazer milhões com contratos de segurança privada para o governo americano. Sem se importar com ninguém, mesmo com aqueles que um dia chamou de amigo, segue em frente deixando um rastro de sangue pelo caminho. Tudo para fazer valer sua vontade.

Ironicamente ele e Frank são bem parecidos. Talvez por isso os dois funcionem tão bem em tela. Enquanto de um lado temos um Castle tormentando por suas ações enquanto Fuzileiro. Do outro temos Billy que aproveitou esse mesmo capítulo da sua vida e tem prosperado de modo vertiginoso. E essa dualidade fica marcante quando os dois conversam, em momentos diferentes, com Curtis (Jason R. Moore). Um outro personagem que está conectado com os dois e que também é vítima de um esterótipo marcante na indústria: a do negro mágico.

Em nenhum momento temos qualquer vislumbre da vida de Curtis Hoyle, seja no tempo presente ou no Afeganistão. Sabemos que esteve lá. Que se envolveu num acidente trágico no qual perdeu parte da perna e é só isso.

Parece que sua única função na série inteira é prover apoio aos demais personagens. O que se encaixa na função do negro mágico, onde um personagem negro serve apenas como suporte emocional para personagens brancos. Sem um maior desenvolvimento. Isso fica ainda mais nítido quando Curtis tenta salvar o Lewis (Daniel Webber), provendo palavras de consolo ao incentivá-lo a sair de um buraco. Literalmente. Sem esquecer da sua propensão em ser a “donzela em perigo”. Um Fuzileiro, Paramédico, com treinamento em combate e que cai em qualquer armadilha é duro de acreditar.

The Punisher tem lá suas falhas no desenvolvimento de alguns personagens, como apontado acima, todavia, não chega a interferir por completo na recepção da série. O ator Jon Bernthal está mais confortável na pele do Frank e há uma clara separação entre ele e o Justiceiro. Quase como um interruptor que ele consegue ligar e desligar. O que é possível notar quando interage com a família do David “Micro” Lieberman (Ebon Moss-Bachrach), onde precisa ser alguém mais tolerante. Além de fazer valer a amizade com o hacker para dar sentido a esse arco.

E o melhor é que o fato de o Justiceiro não saber trabalhar em equipe tem mais a ver com ele não querer colocar outra pessoa em risco do que no quesito confiança. Para Castle, se não se apegar a ninguém, o trabalho fica bem mais fácil. Gera menos preocupação. Só que a situação muda de figura com a introdução da família Lieberman e também com a Karen Page (Deborah Ann Woll).

Um dos grandes trunfos da série foram as cenas de ação. Foram inseridas de modo cru e direto onde todos os tiros, socos e sangue faziam sentido. Nada era gratuito ou desnecessário. Havia fluidez entre a história narrada para culminar no momento de violência. Deixando as cenas bem orgânicas e que dão nova dimensão ao personagem. Tornando a série mais sóbria e objetiva, com requintes de conspiração e paranoia. Tudo o que existe no universo do The Punisher nas páginas dos quadrinhos, mas de modo que encaixasse numa série. E claro, fizesse sentido.

Ficha Técnica 
Showrunner: Steve Lightfoot 
Roteiro: Ross Andru, Ken Kristensen e Angela LaManna
Elenco: Jon Bernthal, Ebon Moss-Bachrach, Amber Rose Revah, Deborah Ann Woll, Ben Barnes, Jason R. Moore, Daniel Webber, Jaime Ray Newman, Paul Schulze, Michael Nathanson, Ripley Sobo, Kobi Frumer, Kelli Barret Tony Plana
Duração: 13 episódios
  • Marx Barroso de Mattos

    concordo com a critica, os esteriótipos também me incomodaram, principalmente o curtis apanhando daquele magrelo pelo menos ele não virou mártir também, era só o que faltava, no mais gostei muito da série.

    • Melissa Andrade

      Nossa! Era só o que faltava para fechar com chave de bosta, ele ser morto pelo moleque! Ou por um dos amigos! Felizmente não teve esse final, mas a série é boa ainda assim!