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Review: “Camp X-Ray” poderia ser mais provocativo

Review: “Camp X-Ray” poderia ser mais provocativo

Fato que é difícil conseguir separar a atriz Kristen Stewart do seu papel na franquia Crepúsculo. Ainda que ela tenha feito outros trabalhos antes, o papel da humana/vampira Bella acabou marcando para sempre seu currículo. De modo ruim, diria. Com isso passou a sofrer certo preconceito do público que não acredita muito no seu talento e abole todos os filmes no qual ela participa.

Em Camp X-Ray, Stewart é o soldado Cole que decide se candidatar para trabalhar em Guantánamo Bay. Assim como outros colegas de serviço, ela acha que está fazendo algo importante ao cuidar dos criminosos que ameaçaram seu país e ainda ameaçam após o 11 de Setembro. Ao menos a mentalidade que paira no local é essa. Porém, como o início do filme demonstra, homens são capturados dentro de casa e levados para lá e tratados de maneira sub-humana. As luzes ficam acesas o tempo todo e em uma ronda cansativa não ficam mais de três minutos sem supervisão. Ao participar da ronda da manhã Cole acaba chamando a atenção do detento 371 que estranha o fato de ter uma mulher no recinto. Ele tenta puxar assunto, mas como foi ensinada, não pode haver qualquer tipo de ligação entre eles e ela mantém distância, o que não agrada muito ao detento. Os dias se tornam semanas e Cole acaba se acostumando a rotina e aos detentos da ala na qual é responsável, principalmente o 371 que se chama Ali. Conforme os meses passam e os dois criam esse estranho laço, os questionamentos acerca do que está fazendo ali brotam em sua mente, tal qual todo o propósito do lugar.

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Este filme poderia ser mais provocativo do que é, entretanto, prefere navegar em águas turvas e não balançar o barco. O assunto sobre a necessidade de prender qualquer um que fosse árabe ou muçulmano e que remotamente poderia estar ligado a Al Qaeda é apenas riscado de leve, e, Peter Satler que dirige e escreve, opta apenas por mostrar como guardar esses detentos não é uma tarefa emocionalmente tranquila. Os soldados são condicionados a operar as mesmas funções de modo sistemático o que não dá margem para questionamentos e dúvidas. É assim porque tem que ser assim. O que influencia também na maneira como lidam uns com os outros. Tem seus pensamentos, mas não podem dividir com ninguém com medo de serem repreendidos. Precisam se comportar de modo específico e torcer para que nada saia errado.

No entanto, Cole não consegue fazer isso. Talvez por ser mulher ou por não achar que os homens ali representem de fato uma ameaça real à eles ou ao país, consiga enxergá-los como eles querem, seres humanos que não são tratados como deveriam ser e privados de qualquer recurso e direito a liberdade. Mesmo que seja o que os soldados bradam todas as manhãs.

Stewart se sai bem no papel do soldado Amy Cole, contudo, o que me incomoda de verdade em suas atuações são as manias que parecem passar de um personagem para o outro, como se todos fossem iguais e estivessem sujeitos aos mesmos maneirismos com as mãos, a boca e demais expressões. Manias essas que suspeito sejam pertences a atriz. É quase como se Stewart não conseguisse se entregar ao papel e ficasse travada entre conseguir se desligar dela e passar a ser outra pessoa temporariamente. Adoraria poder ver mais da emoção e entrega a qual ela se submete nos momentos finais do filme.

Satler impõe questões e apontamentos válidos, interessantes, mas poderia ter ido mais a fundo nesse assunto e mesmo assim, não perder o sentido de sua obra.

Atualmente o filme está em cartaz no serviço NOW da NET.