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“Operação Fronteira” desperdiça um bom elenco

“Operação Fronteira” desperdiça um bom elenco

Quando a Netflix divulgou o trailer de Operação Fronteira parecia ser um bom filme de ação. Além de uma trama interessante, fugindo um pouco do comum, o elenco chamava a atenção. Ora, como seria diferente com nomes como Oscar Isaac, Ben Affleck, Pedro Pascal, Charlie Hunnam e Garrett Hedlund? Só que trailers podem enganar. E mais uma vez, a Netflix derrapa em cima de uma promissora ideia.

Pope que está infiltrado em um país da América do Sul (que parece ser o Brasil) descobre que um grande traficante local, Lorea, a quem vem caçando há três anos, possui um estoque significativo de dinheiro em seu esconderijo. Com o auxílio de uma informante, descobre o paradeiro do local e decide realizar uma batida. Mas, ele não quer prender o traficante. Pope quer mais. Para isso retorna aos Estados Unidos a fim de reunir sua antiga equipe de colegas de combate.

Cada um possui um conjunto de habilidades específicas que são necessárias para concluir a missão. Se forem bem sucedidos, vão sair dali milionários. Eles acertam o papel de cada um, traçam o plano e vão em frente. Todavia, nenhuma batida é tão simples assim. Principalmente quando envolve uma enorme quantia em dinheiro.

Operação Fronteira tinha uma premissa muito atraente e que foi desperdiçada com uma falsa moral: o crime não compensa. Assim como desperdiça o próprio elenco que tenta muito fazer com que o filme funcione, mas é possível ver que há dificuldades e um roteiro fraco não ajuda os atores. As situações de conflito são mal colocadas, sem começo, meio e fim o que acaba estendendo o filme além do que era viável. Ao invés de mais de 2 horas, dava para retirar 30 minutos ou mais e criar uma dinâmica mais fluída.

Tudo isso se o roteiro fosse melhor aproveitado. A ideia de que oficiais do exército, com uma gama de habilidades fornecidas pelo mesmo, decidem roubar um chefe do tráfico em benefício próprio é muito atraente. Abriria uma infinidade de possibilidades para o desenrolar da trama, pois como uma personagem mesma diz no longa: esse dinheiro não é só do Loreas. Sendo assim, outras pessoas envolvidas no esquema de tráfico iriam atrás deles. Mas não é o que acontece. O diretor J.C. Chandor – que também assina o roteiro com Mark Boal – optou por focar em conflitos internos dentro do elenco principal. O que os impediu de fugir de certos estereótipos em grupos assim como o sábio, o palhaço, o cabeça e por aí vai.

Operação Fronteira é um grande desperdício de elenco e roteiro que poderia ser transformado num ótimo filme de ação. Infelizmente, assim como os seus personagens, acaba tropeçando na própria ganância e se enforcando com tanto tempo de filme.

Curiosidade: Kathryn Bigelow, a única mulher a receber um Oscar por dirigir Guerra ao Terror é produtora desse filme.

Ficha Técnica
Diretor: J.C. Chandor 
Roteiro: J.C. Chandor, Mark Boal 
Elenco: Adria Arjona, Oscar Isaac, Ben Affleck, Charlie Hunnam, Pedro Pascal, Garrett Hedlund, Sheila Vand, Reynaldo Gallegos, Christine Horn, Shawn McBride, Chellé Brooks, Angel Christian Roman, Pedro Lopez, Mohamed Hakeemshady, Juan Camillo Castillo 
Duração: 2h5min