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Os erros e acertos em “A Ascensão Skywalker”

Os erros e acertos em “A Ascensão Skywalker”

Star Wars: A Ascensão Skywalker estreou oficialmente nos cinemas, mas não sem causar redemoinho de opiniões diversas. Tal qual foi com Os Últimos Jedi. Com isso em mente, é o momento de analisar quais os erros e acertos do último filme da saga. O que quer dizer que este post vai estar repleto de spoilers, portanto, leia por sua conta e risco.

Antes de começar é preciso esclarecer que tudo o que for listado aqui tem ligação com o teor da crítica publicada e a visão pessoal de quem a escreveu.

OS ERROS

1) Questionário quase infinito

Um dos principais erros técnicos do filme foi a massiva quantidade de informação que precisou existir apenas no primeiro ato. Isso acabou por tornar o longa corrido. Essa necessidade em tentar responder toda e qualquer pergunta que possa ter ficado em aberto, prejudicou o ritmo do primeiro ato, o que consequentemente, impactou no restante do longa.

Não apenas responder essas perguntas, mas desenvolver situações que talvez tenham ficado mal resolvidas nos outros dois filmes. E é a partir desse erro base que outros surgem criando assim um efeito dominó.

2) Dois em um

Logo, essa profusão de informações, para ser condensada em pouco mais de duas horas de filme, fez com que o espectador ficasse com a sensação de estar vendo dois filmes em um. Pois, com a quantidade de informação que foi jogada para o espectador, dava muito bem para desenvolver um outro filme a parte. O que nos leva a mais um erro.

A Ascensão Skywalker

3) Os Últimos Jedi foi ignorado

Tudo o que Rian Johnson fez em seu filme foi ignorado em A Ascensão Skywalker. Seja o desenvolvimento dos personagens, introdução de novos obstáculos, construção de elementos a fim de dar a continuidade para esse filme, tudo isso foi ignorado. Abrams pegou alguns pontos pequenos do filme e refez da sua maneira para encaixar no roteiro. Quase um “oh, era assim que deveria ter sido feito”.

Os livros sagrados Jedi não foram queimados. Kylo Ren teria conquistado seu posto de qualquer maneira, Luke não precisava ter se sacrificado, enfim, um filme que deveria unir a trilogia, completamente ignorado ou refeito.

4) O passado do Palpatine

Ok, talvez isso não seja de fato um erro, no entanto, é uma lacuna deixada pelo roteiro. O personagem do Palpatine não tem seu passado explorado em nenhum momento na saga. Ele é típico lobo em pele de cordeiro. Suas ações levam a destruição da Ordem Jedi e levante dos Sith. Agora, se ele tem família, se é ou não casado, quantos filhos teve, nunca foi discutido. Nem sequer cogitado. E, de repente, ele tem uma neta e sempre soube da existência dela. Nos levando a questionar em que pedaço da história, lá na outra trilogia, isso sequer poderia ter acontecido?

5) A força está no sangue… mesmo que digam que não!

O tópico de cima levanta um outro ponto bem relevante. Desde que a personagem da Rey surgiu, sua origem é uma incógnita. Alguns chegaram a cogitar que ela seria parente de Qui-Gon Jinn, por conta do estilo do penteado em Os Últimos Jedi. Mas, nesse mesmo filme, isso é desmentido, que ela tenha qualquer parente famoso na saga.

Aliás, sempre existiu esse conceito de que não é preciso vir de uma família de renome para ser sensível a força. Era mais interessante quando Rey, uma simples catadora, conseguisse demonstrar ter tanto poder quanto o próprio Luke ou Anakin. Por isso a rivalidade instantânea com Kylo Ren. O próprio sentia que ela tinha mais poder do que ele, então, ficava lá fazendo aqueles jogos mentais. E, de repente, numa troca de roteiristas, tudo muda. A linhagem humilde se transforma e ela agora tem sangue sith correndo nas veias. Derrubando todo o conceito de que qualquer um pode ser sensível a força, treinar para ser um Jedi e se tornar poderoso como os outros.

A Ascensão Skywalker

OS ACERTOS

1) Finn, Poe e Rey

Se tem algo que a internet estava pedindo era ver mais dos três em cena. Especialmente Finn e Poe. Aparentemente, os dois passaram algum tempo juntos no espaço e desenvolveram uma bela amizade. Ou mais do que isso, dada algumas cenas de ciúmes. Fosse a intenção de J.J. tornar o ship real ou não, os diálogos e reações dúbias com certeza agradou os espectadores.

Finn e Poe possuem uma ligação única desde O Despertar da Força e que foi se intensificando mais e mais. Por outro lado, o ex-stormtrooper também possui uma ligação bem forte com Rey, mas num outro sentido. É quase como o trio Han, Luke e Leia da trilogia original, mas com papéis invertidos: Finn seria a Leia, Rey e o Luke e Poe é o Han.

Como Leia é ele o responsável por apaziguar a situação entre Poe e Rey que possuem personalidades similares e acabam batendo de frente. Já Poe, diferente de Finn, não tem tanta ligação com a força, assim como o próprio Han. Ele apenas confia bastante nos amigos e aceita o que eles falam, sem questionar muito. E Rey é o próprio Luke Skywalker. Tomando decisões e partindo sozinha para resolver os problemas sem comunicar a ninguém.

2) Barulhos felizes de Wookie

O personagem do Chewbacca, ou Chewie, ganhou certo destaque nessa nova trilogia. Depois de perder o amigo de longa data e não contracenar nenhuma vez com Leia, Abrams parece ter atendido a novos pedidos dos fãs com relação ao Wookie.

Para começar, ele e a Leia apenas estiveram no mesmo ambiente, então, como forma de contornar isso, parte dele a reação mais acalorada quando descobre que perdeu mais uma amiga. A morte da personagem não é nem de longe tão comovente quanto o esperado. Mas os urros de Chewie que se bate com os punhos no chão é o que de fato mexe com o espectador nesta cena.

Outro ponto, uma espécie de retratação, é que Chewie fica com a medalha de coragem que Han ou Luke recebeu no final de Uma Nova Esperança. A medalha deveria aparecer novamente em O Despertar da Força, mas foi retirada do corte final. Os fãs sempre reclamaram por Chewie não ter sido condecorado também, então, aqui vai a tardia reparação.

A Ascensão Skywalker

3) Mais criaturas por favor!

Num universo tão rico quanto o de Star Wars, é de se estranhar que mais criaturas não tenham tanto espaço em tela. Não me refiro a apenas estarem ali numa cantina de figuração. Mas sim, participar ativamente de uma cena. Por isso a presença de Babu Frik levantou a atmosfera. Houve uma interação com os personagens, um diálogo divertido e que acabou gerando empatia do espectador. São muitos planetas para ficarmos presos somente aos humanos. Bem, duvido que queiram outro Jar Jar Binks, mas Babu Frik provou que dá sim para usar criaturas sem querer matá-la a cada cena.

4) Treinamento Jedi

Aqui vale por dois pontos em um. Primeiro é o fato de que a General Leia se tornou uma mestre Jedi e finalizou o treinamento de Rey. Isso foi um ponto muito, muito debatido no filme anterior quando ela usa a força para se salvar. Todos sabiam que por ser irmã e filha de quem é, ela tinha uma sensibilidade a força. Entretanto, em momento algum fica claro se ela foi treinada ou não por Luke. Mistério resolvido e onde entra o segundo ponto desse tópico.

Numa cena breve, mas muito importante, vemos que sim, ela fez o treinamento Jedi com o irmão e que possui inclusive seu próprio sabre de luz. Mas, ela decide se fechar para a força por pressentir o seu destino e o do filho. Talvez por isso ela tenha conseguido dar continuidade ao treinamento com a Rey, por possuir uma outra conexão com a força e o que implica senti-la.

A Ascensão Skywalker

5) A Força como Religião

Provável que alguns fãs vão torcer o nariz e bater o pé, mas, a verdade é que Abrams nesse filme elevou a força a status de religião. Toda a conversa entre os personagens, em especial o Finn, usa de linguagem e jargões comuns ao sentido que a religião transmite. Depois que “ele se abre” para a força, consegue estabelecer uma sintonia maior com a Rey e até mesmo se conectar com a personagem da Jannah, trazendo-a para o lado deles. O próprio Poe que é o cético passa a aceitar mais evidências de que a força é mesmo algo real.

Esse conceito já havia sido apontado em Rogue One com o personagem Chirrut, uma espécie de monge. O tempo todo ele está lá para “catequizar” os companheiros de maneira sutil. E, só quando eles realmente abraçam o que Chirrut fala, é que a situação muda de forma positiva para eles.

6) A família Skywalker

Depois de tanto procurar por respostas sobre o que aconteceu aos seus pais, Rey finalmente entende que não pode aceitar quem é. Não pode carregar um sobrenome que causou tanta desgraça a outros. Sendo assim, com a benção de Luke e Leia, ela abraça o nome Skywalker, o que leva ao subtítulo do filme: A Ascensão Skywalker.

No final, a saga dessa família era impedir que os Sith chegassem ao poder. Infelizmente, no meio do caminho, Anakin foi corrompido e se torna Darth Vader. Resta aos próximos continuar a lutar para salvar a galáxia do Império. E já que não sobrou ninguém de sangue para dar continuidade a missão, é a hora daqueles que foram adotados. Honestamente, depois de tudo o que essa família sofreu, não sei se foi uma escolha sábia da Rey usar o sobrenome Skywalker, ainda assim, é certamente melhor do que o dela mesmo.

Estes foram os principais erros e acertos de Star Wars: A Ascensão Skywalker!