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Os livros de Chimamanda Ngozi Adichie

Os livros de Chimamanda Ngozi Adichie

O nome da autora nigeriana pode parecer não tão comum em terras tupiniquins. Contudo, aos poucos, conforme seus livros vão chegando pela Companhia das Letras, ela está ganhando terreno.

Chimamanda Ngozi Adichie divide seu tempo entre os Estados Unidos e a Nigéria onde costuma administrar workshops. A autora é uma ativista feminista dedicada e convidada com frequência para dar palestras. Seja em universidades, programas de tv, revistas e jornais. Adichie não tem papas na língua e nem medo de falar o que pensa. Seus discursos são sempre eloquentes e instrutivos, nos fazendo pensar sobre seus apontamentos.

No final de 2016 se tornou viral ao responder diretamente a perguntas políticas em relação ao governo do Donald Trump e seus funcionários.

Além disso, a autora teve seus livros traduzidos para mais de 30 idiomas e sua palestra no TED possui mais de 1 milhão de visualizações e ninguém menos que Beyoncé usou um trecho dessa palestra numa canção. De pouco em pouco, ao menos aqui no Brasil, vem tornando-se mais conhecida, em especial entre as mulheres, graças aos seus discursos feministas o qual ela crê não ser apenas uma palavra, mas sim um propósito, uma luta e militância. E que todos deveriam ser feministas tal qual seu discurso para o TED e que foi transformado em livro posteriormente.

Chimamanda utiliza muito de sua experiência pessoal como mulher e nigeriana para escrever seus livros onde tece duras críticas ao seu país de origem. Como também aponta melhorias em relação ao tratamento das mulheres ou contos que evoquem isso como em No Seu Pescoço o mais recente livro o qual teremos crítica mais para frente.

Nem todos os seus livros são de não-ficção, porém, a autora gosta muito de mesclar essas duas realidades como não poderia deixar de ser e aqui estão seus livros:

HIBISCO ROXO (2011)

Em uma mistura de ficção e biografia, a autora utiliza uma personagem fictícia para narrar fatos verídicos sobre aspectos da Nigéria como política, religião, educação e afins. A história é bem intensa e sensível tendo em vista que a autora utilizou de algumas vivências próprias para incrementar a personagem.

Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país.

AMERICANAH (2014)

Uma história de amor em meio a uma grande crítica social. Além das descobertas pessoais e outras adversidades que cada um dos personagens enfrentou.

Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra.

Este livro ganhou o National Book Critics Circle Award, também foi eleito um dos 10 melhores livros do ano pela NYT Book Review e ficou por mais de 6 meses na lista de best-sellers. Recentemente a atriz Lupita Nyong’o adquiriu os direitos para transformar a trama em filme.

SEJAMOS TODOS FEMINISTAS (2015)

O livro que se originou após o discurso para o TED no qual a autora discorre sobre o que é ser de fato feminista e quando se deu conta do que isso significava na sua vida.

Leia um trecho do livro:

A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.

PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS (2017)

Em tempos de como o qual vivemos, onde mais e mais há discussões acerca da liberdade sexual e questões de gênero, é preciso orientar melhor as crianças sobre esses assuntos. Por isso mesmo a autora expõe aqui 15 sugestões  – que foram escritas a uma amiga mãe de uma menina – para ajudar na hora da educação de pais e responsáveis. E vale tanto para homens e mulheres educarem meninos e meninas.

Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.

MEIO SOL AMARELO (2017)

Este foi na verdade o primeiro livro escrito pela autora, mas que só agora foi lançado por aqui.

Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos – condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.

A nossa parceira Cia das Letras enviou um exemplar de No Seu Pescoço e a resenha do mesmo vai estar em breve no site.