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A ousadia de “Baby” nos faz refletir

A ousadia de “Baby” nos faz refletir

Depois da polêmica envolvendo a suposta propagação de gordofobia com a série Insatiable,  a Netflix se vê às voltas com mais um problema. A última sexta (30) foi marcada pela chegada da controversa série, Baby. A obra italiana tem sido alvo de duras críticas. E agora, serviço de streaming vê seu nome atrelado a uma suposta banalização da prostituição de menores.

O drama dirigido por Andrea De Sica e Anna Negri, gira em torno de duas jovens. Chiara (Benedetta Porcaroli) e Ludovica (Alice Pagani), adolescentes de até 16 anos que se prostituem em troca de pequenos luxos. Entretanto, institutos e ONGs, como o Centro Nacional de Exploração Sexual dos Estados Unidos (NCOSE), já se posicionaram pedindo o boicote da série. Exigem que a Netflix repense sua postura, visando além da obtenção de lucros. Diante das críticas, o diretor Andrea De Sica partiu em defesa da série. Alegando não estar fazendo uso de corpos para o sensacionalismo ou glamourização como muitos temiam. E sim abordando sobre um problema psicológico de livre-arbítrio de um adolescente. Sinalizando sobre como lidar com a entrada neste mundo assustador considerando suas causas e consequências. O diretor ainda destaca que o sexo não é o principal e sim o que acontece antes e depois.

Ambientada na capital italiana, Roma, a história baseia-se livremente em um caso real. O conhecido caso de 2014, Baby Squillo.  Visitando uma Roma elitista, onde as aparências são essenciais. As insatisfações cotidianas tanto com a família quanto com os colegas de escola, levam duas garotas a se aventurarem no submundo da cidade. Chiara e Ludovica figuram como peças centrais na representação do desprendimento total. Conduzindo o espectador num universo de boates, homens mais velhos e a badalada vida noturna italiana. Sob a ótica de uma garota de 16 anos identificamos muitos elementos reais e contemporâneos. E como o próprio diretor alerta, é importante não tentar julgá-las como vítimas e sim buscar entender a origem de tal desprendimento. E é justamente aí que o roteiro esbarra com muitas das críticas recebidas.

Todo contexto no qual as garotas são inseridas: meninas com problemas familiares e dificuldades enfrentadas, não parece suficiente para sustentar a decisão de se viver uma vida paralela no submundo. A glamourização da esbórnia na exploração sexual somada ao domínio dos homens predominantemente mais velhos, faz de Baby um prato cheio para as alegações de apologia.

Porém é inegável que a ousadia do roteiro nos faz refletir. Ao longo de seis episódios a busca por liberdade mune a revolta típica da faixa etária. Nos presenteia com um universo que apesar de não justificar a prostituição, traz luz sobre o comportamento desse grupo. E principalmente sobre o preço da inconsequência.

Contando com coadjuvantes que ampliam as possibilidades trazidas pelas personagens centrais, o realismo apresentado ao longo de toda narrativa se torna crível. As cenas apresentam muito além da premissa do quadro geral, o que requer atenção a todos os elementos. E mesmo tendo um ritmo mais arrastado em alguns episódios, o saldo final é mais do que positivo.

Ficha Técnica
Criador: Antonio Le Fosse, Marco Raspanti, Giacomo Mazzariol
Roteiro: Isabela Aguilar, Giacomo Durzi
Elenco:  Benedetta Porcaroli, Alice Pagani, Riccardo Mandolini, Chabeli Sastre, Brando Pacitto, Lorenzo Zurzolo, Galatea Ranzi, Tommaso Ragno, Massimo Poggio, Mehdi Nebbou, Giuseppe Maggio, Mirko Trovato, Federica Lucaferri, Beatrice Bartoni, Isabella Ferrari, Claudia Pandofí, Paolo Calabresi, Eco Andriolo Ranzi, Nina Pons, Alessandro Acampora, Marjo Berasategui, Ed Hendrik, Luciano Scarpa, Davide Argenti, Mario Cordova, Marta Jacquier, Antonio Fornari
Duração: 6 episódios
Serviço: Netflix