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Parece faltar algo em “Ad Astra”

Parece faltar algo em “Ad Astra”

Em Ad Astra um astronauta descobre que seu pai pode estar vivo depois de se perder em uma missão perto de Netuno. Para completar, uma ameaça que pode destruir toda vida está vindo de lá. Ele então é enviado para tentar entrar em contato com a nave desaparecida e eventualmente, reencontrar o pai.

O filme vale pela ótima atuação de Brad Pitt, que é o foco principal da história. Acompanhamos ele numa jornada de descobrimento pessoal enquanto tenta descobrir de seu pai está realmente vivo. Ad Astra não é um filme de espaço. Uma ficção científica. O cenário ali poderia ser qualquer um, a importância da trama está no existencialismo.

Além do ator, o veterano Tommy Lee Jones faz uma pequena participação, que não chama a atenção. E Liv Tyler está só ali. Não temos o desenvolvimento de nenhum outro personagem. O longa desperdiça o talento de Ruth Negga e Donald Sutherland em papéis pequenos que só servem para dar o caminho do próximo desafio do personagem principal e depois, não tem mais importância. Por outro lado, a fotografia é um dos pontos altos do filme. A ação, os momentos de contemplação, os enquadramentos, faz o espectador se sentir dentro da história, acompanhando tudo pelo olhar de Roy McBride, personagem de Brad Pitt. O visual faz claras referências ao clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço, um visual grandioso.

Ad Astra

Os problemas de Ad Astra está no desenvolvimento do personagem principal e na forma como sua jornada é apresentada. O espetáculo do filme se perde quando não sentimos mais perigo, tudo que acontece não tem consequências diretas, na verdade, elas dão um caminho para o personagem. Todavia, não tem conclusão. As cenas são colocadas ali como obstáculos e não para movimentar a trama. E a todo momento somos lembrados o quanto Roy é bom em tudo que ele faz.

Com tudo isso Ad Astra poderia entregar mais ao espectador, porém, não consegue alcançar outros títulos de ficção científicas que também são cenários para o existencialismo. O que convenhamos é um pouco pretensioso para um longa de pouco mais de duas horas de duração.

A beleza do filme e a atuação de Brad Pitt conseguem mante-lo interessante. Mas, como história, ele é tão raso quanto Gravidade. Entendemos sua busca, mas no fim não nos importamos com ela.

FICHA TÉCNICA
Direção: James Gray 
Roteiro: James Gray, Ethan Gross
Elenco: Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Ruth Negga, Liv Tyler, Donald Sutherland, Kimberly Elise, Loren Dean, Donnie Keshawarz, Sean Blakemore, Bobby Nish, LisaGay Hamilton, John Finn, John Ortiz, Freda Foh Shen, Kayla Adams, Ravi Kapoor
Duração: 2h3min 
Estreia: 26 de setembro