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“Planeta dos Macacos: A Guerra” não se deixe enganar pelo título

“Planeta dos Macacos: A Guerra” não se deixe enganar pelo título

valor = 3.5

O homem é o maior inimigo do mundo. Nós criamos coisas maravilhosas, mas o rastro de destruição que deixamos para que isso aconteça é muito maior. Se pudéssemos resumir toda a filosofia desta franquia em apenas uma frase, a mais adequada seria: “Se os animais tivessem uma religião, o homem seria o diabo.”

Não se engane pelo nome Planeta dos Macacos: A Guerra.

A proposta aqui é muito mais pessoal entre César — Mais uma vez, interpretado e realizado por Andy Serkis, que é conhecido por seus personagens inusitados, criados pela tecnologia de captura de movimento — e seus conflitos, do que um embate entre as duas raças pensantes que apresentam semelhanças muito maiores do que apenas andarem sobre duas pernas.

É bom avisar que esse texto contém alguns spoilers da trama que talvez você não se sinta à vontade de saber. Caso queira uma imersão completa do filme, evite esse post. Vai la, assista e depois volte aqui, esperaremos por ti.
Cicatrizes profundas marcam a mente do Líder César. Falhou no passado, quebrou sua própria regra quando matou Koba, aquele que iniciou a guerra contra os humanos. Mais uma vez tentando sobreviver afastado dos seus algozes, vivendo na profundidade de uma floresta, O líder e seus familiares são atacados por um grupo de soldados que — como visto em Planeta dos Macacos: O Confronto — Foram avisados da existência e localização dos mesmos.

Porem o grupo de macacos está mais preparado do que nunca e revida a altura. César decide mostrar empatia com aqueles que sobreviveram, e escolhe deixar os soltados partirem em vida, para que passem uma mensagem, que aqueles que vivem ali, só querem seguir em paz.

A mensagem de César não é recebida com sucesso. Um coronel sádico e idolatrado — Interpretado pelo exímio ator Woody Harrelson — pelos seus soldados, aproveita o momento de recuperação pós confronto dos animais e decide realizar um ataque direcionado ao líder do grupo, mas na concretização da tarefa, algo da errado. Confundido por César, seu filho, que tinha voltado ao grupo a pouco, trazendo esperança ao contar a seus semelhantes que encontrou um lugar que seria seguro e difícil de ser alcançado por humanos, foi morto pelo próprio Coronel, que também matou sua mãe.

César é tomado por um ódio inabalável. Decide ir se vingar pessoalmente do líder dos soldados. Deixando o resto de seu grupo que parte rumo ao paraíso que seu filho falecido, encontrou.

Nesse momento a atmosfera do filme muda completamente, deixando bem claro aquele clima de western, do homem que quer buscar sua vingança e parte a cavalo em direção de seu destino. Seus três maiores companheiros não aceitam deixar o amigo e líder percorrer aquela estrada da perdição, sozinho.

O homem sobrevivente ainda carrega o vírus da gripe símia em seu organismo e segundo especialistas, a doença está evoluindo com o tempo, afetando fisiologicamente alguns dos sobreviventes. É então que o futuro da humanidade é posta em jogo mais uma vez. Mais uma questão a ser lidada para a sobrevivência e perpetuação da espécie.

Planeta dos Macacos: A Guerra, segundo filme da franquia dirigida por Matt Reeves, é uma história sensível e que nos apresenta uma beleza delicada até nos menores detalhes. É possível ver a força devastadora do tempo; uma distopia que segue para a extinção dos humanos e o mundo começa a refletir essa condição. A trama explora a relação entre homem e animal e a semelhança que carregam, principalmente no brilho de seus olhos.

As motivações dos personagens são muito bem exploradas de forma que não existe o clássico: o bem e o mal, o preto e o branco. As camadas de cinza são muito bem elaboradas, de forma que você simpatiza-se com ambos os lados. Todos apenas querem sobreviver.

É um filme denso, que pode te fazer suar pelos olhos, mas tem um tempo preciso para uma comédia sutil que lhe arranca sorrisos singelos e algumas vezes gargalhadas que não se consegue segurar.

Sem dúvidas, Planeta dos Macacos: A Guerra, é um filme que vale a pena ser visto no cinema. Vai te prender na cadeira do começo ao fim e te deixará supersatisfeito quando a sessão se encerrar. Sem mais delongas. Aproveite o filme.