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“Poderia Me Perdoar?” – O outro lado de Melissa McCarthy

“Poderia Me Perdoar?” – O outro lado de Melissa McCarthy

O mundo está repleto de cópias, plágios e falsificações. Poderia Me Perdoar? lida com a história da autora Lee Israel que no começo da década de 90 falsificou cartas de pessoas famosas. Contudo, o tema se encaixa muito bem nos dias atuais. No final de dezembro de 2018 Claas Relotius, um repórter da revista alemã Der Spiegel, foi desmascarado por um colega de profissão. Relotius forjou inúmeras reportagens para a revista, incluindo criar contas falsas de e-mails e relatar conversas que nunca aconteceram. Quando descoberta a farsa, o jornalista lamentou o ocorrido e disse ter sido levado pela necessidade de atender à crescente demanda de boas reportagens. A mesma necessidade que Lee Israel enfrentou na sua época.

Lee Israel era conhecida por escrever biografias de pessoas famosas. Emplacou duas obras na lista dos mais vendidos, mas a terceira e última que escreveu, não obteve êxito. Com isso, se atolou em dívidas e enfrentava um bloqueio criativo. Para completar, não era vista como uma pessoa simpática, pelo contrário. A autora era conhecida pela arrogância, grosseria e humor cáustico. Tais traços lhe afastavam de qualquer boa oportunidade de emprego, o que incluía a sua própria editora. Logo, restou a Lee procurar outros meios para ganhar dinheiro, onde teve início a falsificação de cartas.

De Dorothy Parker, a Noël Coward e Lillian Hellman, muitas personalidades passaram pelas mãos de Lee Israel. E coube à Melissa McCarthy interpretá-la. A atriz que está mais acostumada com papéis em comédias – e que concorre a um Oscar por sua atuação – mostra um lado desconhecido ao público, um que se encaixa bem em filmes de drama. Sem parecer caricata ou abusar de expressões, entrega uma atuação sofrida e desesperada, tal qual a situação em que a personagem se encontra. E mais, nos faz crer nas suas escolhas, por mais erradas que sejam. O que leva o espectador a torcer por ela, mesmo sabendo que não é certo.

Sem amigos, acaba encontrando no trapaceiro Jack Hock (Richard E. Grant) alguém em quem se apoiar. Principalmente nas mesas e balcões de bares, já que Israel tinha problemas com bebida. Os dois se ajudam ao mesmo tempo que desconfiam um do outro. Uma amizade que surge para suprir a carências de ambos, mas que estava fadada a fracassar, como todos os relacionamentos da escritora.

Poderia Me Perdoar? envereda pelo tortuoso caminho da arte e da pressão que os escritores, conhecidos e desconhecidos sofrem para produzir. Enquanto de um lado temos Lee Israel com seu segmento limitado de biografias, do outro temos Tom Clancy, conhecido por ter escrito diversos livros sobre espionagem e com um leque maior de opção em mãos. Um recebia adiantamentos de três milhões de dólares e o outro não conseguia pagar a internação do gato de estimação.

O longa é dirigido por Marielle Heller, com roteiro de Nicole Holofcener e Jeff Whity apresenta ao mundo a famigerada história de Lee Israel. A autora que tornou-se conhecida no meio literário após ser desprezada por sua editora e levada ao mundo do crime. Foi através das cartas e da apreciação de colecionadores onde Lee encontrou uma forma de fazer valer seu talento. Mesmo que para isso tenha utilizado de mentiras e pessoas falecidas.

P.S.: Concorre à três indicações ao Oscar 2019 – Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante

Ficha Técnica
Diretor: Marielle Heller 
Roteiro: Nicole Holofcener, Jeff Whity 
Elenco: Melissa McCarthy, Richard E. Grant, Dolly Wells, Ben Falcone, Gregory Korostishevsky, Jane Curtin, Stephen Spinella, Christian Navarro, Pun Bandhu, Erik LaRay Harvey, Brandon Scott Jones, Shae D'lyn, Rosal Colon, Anna Deavere Smith, Marc Evan Jackson 
Duração: 1h46min 
Estreia: 7 de fevereiro