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Precisamos falar sobre “Brightburn”

Precisamos falar sobre “Brightburn”

Brightburn – O Filho das Trevas conta a história de um alienígena que cai em uma nave no Kansas ainda bebê. Ele é acolhido por um casal que não pode ter filhos e o adotam como se fosse seu filho. Bem, aí ele começa a desenvolver poderes e se torna o Super-Homem… Não. Esse garoto se torna um psicopata assassino.

A premissa de Brightburn – O Filho das Trevas é sensacional. Imaginar o que aconteceria se um “super-homem” viesse para a terra e ao invés de se tornar um herói, virasse um psicopata. A ideia de que como teríamos que lidar com isso.

O filme começa bem. Faz até uma homenagem ao Homem de Aço de Zack Snyder. E nos leva direto pra dentro da ideia de que esse garoto que pode ser um Super-Homem. Porém, a parte boa do filme fica quase toda aqui.

Brightburn – O Filho das Trevas peca na forma que opta por construir o personagem do Brandon. Assume que o espectador já está familiarizado com essa história. Em saber que os pais são boas pessoas, que o garoto é diferente (por ser de outro planeta) e que ele vai se transformar. O núcleo da família não é bem apresentado. A relação dele com os pais é rasa, ainda mais pais que sabem que aquela criança é um alienígena que saiu de uma nave espacial.

Brandon sofre bullying no colégio, mas é algo que não é explorado. Ele é apaixonado por uma colega de escola e isso também não é explorado. Toma inclusive certas atitudes para ficar com a garota que são esquecidas durante o filme. O momento em que descobre que tem poderes é o mesmo que ele se torna um psicopata assassino. Parece que uma chave foi virada dentro dele e agora não é mas o filho amoroso, tímido e companheiro.

Brightburn – O Filho das Trevas poderia ter colocado Brandon já como uma criança que apresentasse indícios de psicopatia. Isso ser algo dele, desde pequeno, e não surgir como um interruptor que foi acionado. De repente ele tem uma missão: matar pessoas.

As cenas de mortes são boas. Contudo, a motivação do personagem não convence o espectador. As atitudes dele e dos pais não são críveis. Não é possível crer em nenhuma das suas atitudes, que Brandon está agindo motivado a alcançar algo ou mesmo esconder sua identidade ou tentar ficar com a garota. Acaba que nenhuma delas faz sentido no decorrer da trama.

Brightburn – O Filho das Trevas desperdiça a chance de transformar a origem de um personagem popular numa fantástica história de terror. Infelizmente, o roteiro se perde e não consegue entregar personagens ou trama convincente ao espectador. Esse conceito do Super-Homem psicopata é ótima e tinha tudo para funcionar aqui. Uma pena que fica pelo meio do caminho.

Ficha Técnica
Diretor: David Yarovesky
Roteiro: Brian Gunn, Mark Gunn
Elenco: Elizabeth Banks, David Denman, Jackson A. Dunn, Abraham Clinkscales, Christian Finlayson, Jennifer Holland, Emmie Hunter, Matt Jones, Meredith Hagner, Becky Wahlstrom, Terence Rosemore, Gregory Allan Williams, Elizabeth Becka, Annie Humphrey, Steve Agee
Duração: 1h31min 
Estreia: 23 de maio