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Premiere: “This is Us” é a melhor estreia do semestre

Premiere: “This is Us” é a melhor estreia do semestre

Todo começo de semestre o ciclo de cancelamentos, renovações e novidades aparece. É inevitável. Quem gosta de séries parece que nunca vai conseguir fechar uma lista sem ficar acrescentar algum outro título porque ficou curioso. Especialmente quando há um burburinho em cima de um show, como no caso de This is Us.

Criada por Dan Fogelman a série gira em torno de uma família e nas suas histórias que misturam passado e presente. Quando conhecemos o casal Jack e Rebecca, Jack está comemorando seu aniversário com a esposa grávida de trigêmeos quando a bolsa estoura e os dois correm para o hospital. A partir daí o episódio se mistura com outras histórias, como de Kate que tem dificuldades para emagrecer, seu irmão Kevin que acha que deveria ter um trabalho melhor como ator e Randall que decidiu procurar o pai depois de anos de abandono. E não é possível adivinhar o desfecho tamanha a dedicação nos detalhes e na trama.

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O trunfo da série reside na forma simplista que contam a história desses personagens envolvendo o espectador por completo. A cada episódio vamos aprendendo mais sobre Jack, Rebecca e as crianças que descobrimos ser Kate, Kevin e Randall. O roteiro é bem construído, ligando os personagens em eventos do passado ao futuro e como essas lembranças ainda os influencia, como essa relação familiar diferente os moldou para a vida adulta. E tudo isso é feito com maestria, sem dar mais importância a um personagem do que outro e dando o tempo certo para apresentar a essência de cada sem atropelar nada. Além de levantar de modo sutil questões pertinentes como a perda de um filho, adoção, o abandono parental, obesidade, separação, racismo, a fama, insegurança e tantos outros pontos que permeiam o dia a dia de qualquer pessoa. Fogelman procurou situar essa família em pontos estratégicos para que assim ficasse mais fácil de nos conectar a eles. Mesmo quando os problemas não fazem parte do nosso âmbito social, não quer dizer que não podemos sentir empatia por quem o sofre.

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E a escolha dos atores pode ser considerada a cereja do bolo nessa produção.

Chrissy Metz como Kate mostrando ao público toda a insegurança de ser uma pessoa obesa e no que isso acarreta para sua vida pessoal e profissional. Algo que não lembro de ter visto em outros seriados a não ser de um ponto de vista cômico e não sério e mais íntimo. Justin Hartley como Kevin e a desconstrução do estereótipo de ator sarado que só serve para um tipo de papel, o de comédia e, claro, ficar sem camisa. Toda essa sexualização em cima do personagem começa a incomoda-lo bastante e é quando decide virar a mesa e tentar fazer algo novo. Sterling K. Brown que vive Randall, com sua voz grave, olhar enigmático e que carrega dentro de si um turbilhão de sentimentos e mágoas do passado e que quase ninguém sabe e que nem o próprio entende como lidar com eles. Milo Ventimiglia como o pai Jack e a sua eterna preocupação com o bem estar da esposa e dos filhos e demonstrar amor para todos de forma igual, sem diferenciar um do outro, mas que nem sempre é possível. E, por último, mas óbvio que não menos importante, Mandy Moore como a mãe Rebecca e sua austeridade carinhosa, com todo o zelo pelos três filhos não deixando que eles sejam mimados pelo pai e procurando orienta-los para a vida real.

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Sem desmerecer todos aqueles que trabalham na série, são esses os nomes responsáveis pelo sucesso tão imediato do show. Porque não adianta ter uma boa direção e um bom roteiro se os atores não conseguem transmitir a mensagem necessária para o público, fazendo com que se perca entre um ponto e outro. Por isso, pelo elenco, This is Us tornou-se a sensação da temporada.