Share
“Punho de Ferro” – O melhor e o pior da 2ª temporada

“Punho de Ferro” – O melhor e o pior da 2ª temporada

A primeira temporada de Punho de Ferro dividiu opiniões. Fui uma das que defendeu a proposta da série e mesmo ciente dos erros, acreditava que poderia melhorar. Não foi o que aconteceu e na verdade, essa nova temporada, comete tantos erros quanto a primeira.

É certo afirmar que a primeira e a segunda temporada, estão em pé de igualdade. O que uma acertou a outra errou e vice e versa. Com isso em mente, optei por dividir essa crítica em tópicos para poder explicar com mais profundidade os pontos positivos e negativos da segunda temporada de Punho de Ferro.

O LADO POSITIVO

Temos sempre que começar com o lado bom das coisas, porque assim dá uma amenizada no que vem depois. E também nos ajuda a balancear os dois lados e decidir o resultado final.

A evolução dos personagens

Um dos problemas da primeira temporada foi a forma com a qual os personagens foram apresentados. A trama possuía elementos demais e por isso alguns personagens foram deixados de lado e/ou mal aproveitados. A começar com a revelação da temporada que foi o Ward Meachum (Tom Pelphrey).

Por ter vivido tanto tempo sob a influência do pai, Ward vestiu uma carapuça que não lhe servia. Porém, lhe era necessária para sobreviver. Pode-se dizer por anos viveu aprisionado na mentira e no segredo do Harold e isso lhe consumiu. Depois que se livrou disso, de forma literal, sua vida tornou-se vazia e estranha. Se não precisava ser quem o pai queria, quem ele era então?

É isso o que vemos em boa parte do seu mini plot dentro de Punho de Ferro. Um Ward mais voltado para si como também em descobrir o seu papel no mundo. Só que tal investigação tem um custo alto e vai ter que lidar com o preço que não pode ser pago com nenhum dinheiro que possui na conta. Outro ponto é a sua relação com Danny que ficou mais leve, descontraída, a mesma que o rapaz esperava encontrar quando chegou em Nova York.

Ainda no assunto relação, outro personagem que teve uma evolução significativa foi a Colleen (Jessica Henwick). Se na primeira temporada ela brilhou e conquistou seu espaço, aqui ela praticamente comanda metade da trama. Não apenas por se mostrar mais ativa, determinada e centrada que o protagonista. Mas porque boa parte do enredo gira em torno da investigação sobre o seu passado e como tal procura acaba por esbarrar na tríade de Chinatown. Sem mencionar o fato de que Colleen tem muito mais visão do que o próprio Danny que treinou com os melhores em K’un-Lun. Todavia, é a garota que lhe traz para a realidade e o faz refletir quando ele não tem ideia de como agir ou mesmo se deve.

A coreografia

Cá está um ponto o qual foi muito debatido durante a primeira temporada: as cenas de luta. Elas pareciam feitas de qualquer jeito e deixavam o kung-fu de Danny a desejar. Quase como se ele não tivesse treinado por anos com experts.

Pois bem, descansem por saber que as reclamações prévias foram ouvidas. Há toda uma preocupação visível com as coreografias de lutas, onde as cenas de ação sofrem poucos cortes e emendas e utilizam a técnica do ângulo de cima e assim evitar o picote. Ao utilizar um jogo de câmeras com uma certa distância do objeto – nesse caso os lutadores – evita-se encontrar erros na cena ou mesmo enxergar quando hora é o ator e hora é seu dublê.

Todo o sincronismo dos golpes foi bem ensaiado e as lutas animam o espectador, onde muitos artefatos são utilizados ao invés de apenas os punhos. Confesso que em certos momentos me lembrei dos filmes do Jackie Chan e a maneira que ele utiliza utensílios na hora de lutar. Sejam cutelos, facas, cadeiras ou mesas. Não é para ser tão ensaiado… Bem, na verdade é para ser sim bem ensaiado, contudo, isso não deve transparecer para o público. E nisso eles obtém sucesso.

As filhas do dragão

Se nas outras séries da Marvel e Netflix nós tivemos a personagem da Claire (Rosario Dawson) como elo, dessa vez é Misty (Simone Missick) quem faz as honras. Depois do que ocorreu em Midland Circle (lá em Os Defensores) ela acabou se aproximando mais de Colleen e as duas viraram amigas.

Mas aqui cabe a Misty o papel que foi de Claire na primeira temporada: a voz da razão. Alguém precisa interceder vez ou outra na vida do casal e ajudar a mediar suas discussões e apresentar possíveis soluções as quais não estão enxergando no momento. Além do mais, Misty também auxilia na parte da investigação enquanto usa seu tempo de folga da polícia para decidir se quer ou não o cargo de Capitã.

Logo, sua parceria com Colleen funciona muito bem, já que elas possuem um sincronismo em ações que transforma as cenas, agregando mais fluidez e veracidade. Sem esquecer que é um espaço para que elas consigam mostrar melhor quem são longe de figuras que roubam a cena como Danny e Luke Cage. É o momento delas aparecerem e estabelecer o terreno dos seus personagens sem pressa.

O LADO NEGATIVO

Bem… Como era de se esperar, e também como apontado lá no começo desse texto, a segunda temporada de Punho de Ferro teve falhas onde não deveria ter. O correto, ou pelo menos o que era esperado, seria consertar os erros lá da primeira temporada e não apresentar novos tão pesados.

O protagonista

Se antes elogiei tanto a evolução do personagem e sua performance ingênua enquanto Danny Rand, aqui me impressionei com a sua apatia.

Para alguém que passou a outra temporada inteira alegando ser o Imortal Punho de Ferro, defensor de K’un-Lun, Danny me pareceu deveras cansado com a tarefa em mãos e por isso não conseguia mais controlar a própria raiva. O que lhe fazia acender o punho a todo instante e causar confusões ao passo que deveria apaziguá-las. Deixou que outros personagens tirassem o seu espaço e foi apagando sua participação a cada episódio.

Nada disso é culpa do ator, mas sim do diretor, aqui diretores porque são muitos, que não souberam guiar Finn Jones na direção correta e o fizeram perder o posto de protagonista, de uma certa maneira. Dificultando para que o espectador consiga se conectar novamente a sua história e desviando o olhar para outros personagens como Colleen e Ward, por exemplo.

Leilão do Punho de Ferro

Durante duas temporadas, se formos contar com a de Os Defensores, ouvimos Danny se gabar em como derrotou um dragão para ter direito ao poder do Punho de Ferro. Isso inclusive virou piada e quase não foi dito aqui. Ele deixou K’un-Lun para descobrir quem era como herói e pessoa. Para honrar o poder e defender a cidade de Nova York e aí quando Davos surge em cena e lhe rouba o poder ele não o quer de volta?

Assim, sem mais nem menos, vira para Colleen e lhe diz que ela estaria melhor com o poder do que ele? É um argumento fraco e covarde para um personagem com a bagagem que ele tem. Depois de tudo o que passou para conquistar o direito a esse poder ele simplesmente abre mão dele? Sem titubear?

É compreensível o seu nível de frustração em não ter todo o controle desejado. Até mesmo nos erros que comete em tentar ajudar os outros e fracassar. Mas me admira justo ele optar pelo “caminho mais fácil” que apareceu. O que volta ao ponto de Colleen ter sido um ponto positivo e ter “roubado” o protagonismo do Danny.

Davos e Joy

Desde a cena final da primeira temporada desconfiei que esses dois teriam um papel de destaque na próxima temporada. Apenas não imaginei que eles fossem ser os escolhidos como antagonistas. Sim, porque não podem ser chamados de vilões.

Para começar as motivações de ambos são mesquinhas. Davos (Sacha Dhawan) cresceu e foi treinado ao lado de Danny para que um dos dois quando adultos derrotassem o dragão e se tornassem o Punho de Ferro. O que implica em 50/50. Ambos teriam 50% de chances de vitória ou derrota, o que indica um cenário negativo em algum ponto. Davos perde a luta para Danny e acompanha o amigo para que ele conquistasse o poder… E aí ele fica ressentido? Com quem exatamente? Não com o Danny.

Dentro de um ponto de vista psicológico a raiva de Davos é para com ele mesmo, por não ter sido capaz de realizar a tarefa que lhe incumbiram e descontar em Danny é apenas uma válvula para não aceitar a derrota. Um pouco de terapia resolvia o problema. E pelos deuses, os dois estavam num templo (quase) com monges que lhe ensinavam a meditar e encontrar a paz interior e ele não aprendeu nada?

Joy Meachum (Jessica Stroup) vai pelo mesmo caminho. Na verdade a personagem perdeu seu propósito logo na primeira temporada, quando usada como motivo para justificar as mentiras de Ward e Danny. E por opção ela decide se vingar dos dois por terem escondido dela o pai. Uma figura ameaçadora, psicopata e assassina? Por fim ela mesma chega a conclusão de que a sua pseudo vingança não faz qualquer sentido. Principalmente, quando decide conversar com o irmão e ouve as atrocidades que ele sofreu ao lado do pai por todos os anos que manteve o segredo dele.

Conclusão

No final a conclusão a que chego é que essa temporada é igual a outra, porém com níveis maiores de frustração. Se fosse para escolher uma, diria que a primeira é melhor por cometer erros de iniciante, quando nessa aqui eles deveriam ter sido consertados e nem aparecido. Não digo que a segunda temporada de Punho de Ferro deveria ser perfeita, longe disso. Todavia, não dá para aceitar os erros que foram cometidos quando tiveram tempo de fazer melhor.