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A pureza de “Um Laço de Amor” é seu maior trunfo

A pureza de “Um Laço de Amor” é seu maior trunfo

Dizem em Hollywood que: “Não se deve trabalhar com crianças ou animais”. A razão é desconhecida. Todavia, sabemos através de bons exemplos que é uma grande balela. E Um Laço de Amor só comprova isso.

Alguns filmes são despretensiosos em sua proposta. Não tem uma mensagem tão grande a passar ao público, a não ser a de entreter. São os chamados ‘filmes de família’. E o longa do diretor Marc Webb (o mesmo de 500 Dias com Ela) é exatamente assim.

Um Laço de Amor (Gifted no original) gira em torno do personagem Frank (Chris Evans) que cuida da sobrinha Mary (McKenna Grace). Ele decide que é hora de mandar a menina para a escola, conviver com outras crianças, mas sabe que há um porém: Mary é muito inteligente. Mais do que isso, ela é um prodígio. O que acaba despertando a curiosidade da sua professora Bonnie (Jenny Slate) e alertando sua distante avó Evelyn (Lindsey Duncan), que só pensa em uma coisa: tornar a menina famosa. Levando a uma batalha por custódia entre mãe e filho.

A premissa do filme é simples e nós já a vimos em outros títulos. Não há muito o que acrescentar a não ser a relação entre os personagens. A interação de Evans e Grace é o que dita o tom familiar para o filme, mais até do que a trama em si. É de uma pureza ímpar. E é essa cumplicidade entre eles que cativa o espectador, sem mencionar os diálogos bem elaborados. Como Mary é uma criança prodígio ela fala e se comporta de um modo diferente das demais crianças. Suas inquisições sobre a vida, comportamento dos adultos e outras observações acabam por transformar o filme. Mesmo que levemente. E a escalação da jovem McKenna Grace foi acertada.

Grace é aquele tipo de atriz-mirim que consegue atuar sem muito esforço. Sem atitudes exageradas. Convence rápido o espectador da sua relação afável com o Tio e de que realmente entende todos aqueles termos matemáticos que precisa falar. Suas cenas com Evans são naturais, fluem bem, e por isso mesmo prendem a atenção do espectador.

O longa tenta de forma superficial abordar o assunto, um tanto polêmico as vezes, sobre a melhor maneira de criar uma criança. E é aqui que começa o embate entre mãe e filho que dura boa parte do filme. Evelyn quer continuar o que fazia com a filha antes dela vir a falecer, enquanto Frank quer perpetuar o desejo da irmã; de que Mary possa crescer e ter uma infância normal. Algo que ela não teve. Sem a pressão de estudar fórmulas, desvendar equações, escrever teses ou cair de cabeça no mundo acadêmico tão cedo. Ele acredita que possa existir um equilíbrio entre as duas coisas. Algo que sua mãe discorda veementemente.

Embora não seja um título que chame atenção do público, vale a pena assistir num momento tranquilo, pois é daquele tipo que acalenta o coração. E isso é sempre uma boa pedida.