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Rank das séries Marvel/Netflix!

Rank das séries Marvel/Netflix!

Prestes a estrear o que podemos chamar de segunda fase da parceria Marvel/Netflix, vem aí a Jessica Jones em uma nova temporada. E antes que isso aconteça, que tal listar todas as séries lançadas até agora num rank?

Quem é que não gosta de dar notas e listar as séries em seus pontos negativos e positivos? Até o momento a parceria rendeu 7 seriados, sendo que Demolidor desponta na frente tendo 2 temporadas. Logo, são essas 7 temporadas que vão ser avaliadas e já adianto que é algo inteiramente pessoal e que condiz com as críticas anteriormente publicadas aqui no site. E parece duas séries acabaram empatando por terem pontos positivos e negativos bem parecidos.

1º LUGAR – DEMOLIDOR (1ª TEMPORADA)

Ah Matt Murdock. A primeira jogada da parceria deu muito certo e tivemos nossa redenção do personagem (após aquele fiasco de filme com o Ben Affleck) onde revemos a origem de Matt até virar o Demolidor em Hell’s Kitchen. Toda a sua amizade com Foggy, a multifacetada Karen Page e um dos melhores vilões da série que foi o Kingpin de Vincent D’Onofrio. A construção do personagem foi excelente, os episódios que mesclam passado com presente muito bem elaborados e Charlie Cox se encaixou bem no papel, mostrando tanto o lado mais centrado de Matt quanto a sua sede por justiça.

Sua amizade com Foggy é sem dúvida um dos pontos altos da temporada e que acaba por influenciar nas decisões do personagem. Um dos pontos fracos, mas que não chega a influenciar tanto assim, é a personagem da Karen Page. Ela começa muito bem, condiz com o papel, só que aos poucos acaba mudando muito dentro da série quase como se os roteiristas não soubessem exatamente o que fazer com a personagem. No mais a 1ª Temporada de Demolidor é redondinha (como a gente costuma chamar) e foi bem acertada na hora da reintroduzir um personagem bem querido dos leitores da Marvel Comics.

2º LUGAR – JESSICA JONES

Mas como não é a 2ª temporada de Demolidor nessa posição? Muita calma nessa hora que tem explicação.

Jessica Jones está nessa posição porque a série apresenta uma outra linguagem, bem diferente daquela que estávamos acostumados em Demolidor. Os problemas que a protagonista enfrenta são mais densos e ela não é uma personagem fácil de gostar como Matt. Na verdade, ela se esforça bastante para que não se importem com ela. O que descobrimos ser um mecanismo de defesa bem mais do que uma intenção real de se isolar.

Ao menos é o que ela tende a fazer com Trish e qualquer outra pessoa que se aproxima dela como Luke Cage, por exemplo. E, óbvio, é uma série dentro de um nicho de super-heróis com uma mulher como protagonista e que é também desenvolvida por uma mulher. Os primórdios de uma bem vinda mudança na indústria. Sem esquecer do vilão que chega a ser tão bom quanto o de Vincent D’Onofrio e ajuda a desenvolver um tema bastante pertinente que é estupro, relacionamento abusivo e TEPT -Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Algo que Jessica sofre depois de passar tanto tempo sob o domínio do Killgrave e cometer barbaridades.

Alguns podem encarar a série como monótona, mas lembre-se que ela é pautada em cima da visão da personagem e é isso o que estamos vendo acontecer. É através do olhar e vivência dela o qual somos conduzidos. Além do mais, não é tão fácil assim lidar com abuso psicológico e TEPT. Por isso mesmo, ao tratar esse tema tão delicado de forma clara e vívida, a série está nessa posição.

3º LUGAR – DEMOLIDOR 2ª TEMPORADA/LUKE CAGE

Como assim estou comparando Demolidor com Luke Cage? Isso é possível? Sim, tanto é que o fiz aqui e explico as razões.

Ambas as temporadas podem ser divididas em duas metades, onde a inicial foi muito boa, prendeu a atenção com a trama, apresentação de novos personagens e um vilão/antagonista interessante. Para na segunda metade, depois de resolver todas as questões, desandar por completo.

A primeira metade de Demolidor já inicia com a apresentação do Justiceiro. Um personagem o qual os fãs estavam requisitando desde a outra temporada e foram atendidos. A escolha de John Bernthal para o papel foi mais do que acertada e nessa primeira metade da série vemos o embate tanto físico quanto psicológico entre Frank e Matt. O mesmo ocorre em Luke Cage. O ex-detento estava levando uma vida pacata na barbearia do Pops até descobrir que Cottonmouth e sua prima Mariah tinham planos controversos para o Harlem. Mesmo não querendo ele começa a agir, tentando limpar o bairro e acaba batendo de frente com Cottonmouth. O gangster que foi interpretado pelo depois oscarizado Mahershala Ali, tinha pulso firme para controlar o negócio e sabia lidar com a ameaça que Luke apresentava.

Logo, as duas séries estavam em pé de igualdade em termos de construção de narrativa. Mas aí Frank foi preso, dando espaço para a Elektra tomar conta e Mariah mata Cottonmouth, deixando a brecha para o Diamondback surgir.

Talvez a grande diferença para o público seja a atmosfera a qual ambas estão inseridas. Sendo mais fácil se relacionar com o Matt, pois ele já havia cimentado seu terreno, do que com o Luke Cage, um herói de segundo escalão dos quadrinhos e que habita um universo muito particular e não tangível a todos. Não que o Demolidor seja do primeiro escalão tal qual Capitão América ou Thor, por exemplo. Porém, não dá para negar que suas revistas tendem a alcançar mais público do que as do Luke Cage que foi reintroduzido aos novos leitores recentemente.

Com isso, a segunda metade dos seriados tende a cair e muito a qualidade. Em Demolidor a história entre Elektra e Matt não consegue ter o mesmo peso que teve com o Frank e em Luke Cage o Diamonback acaba sendo um vilão muito aquém do esperado, inferior ao Cottonmouth. Sem deixar de lado o fato que após sua surpreendente morte, era de se esperar que Mariah ocupasse o lugar do primo e não é o que acontece.

Portanto, após citar todos os pontos positivos e negativos de ambas as séries e notar o quão similares são, acabam empatadas nesta posição.

4º LUGAR – O JUSTICEIRO

Outro clamor dos fãs que foi prontamente atendido. Graças a atuação de John Bernthal o Frank voltou em uma série solo que dividiu opiniões.

Para aqueles que reclamaram, fato é que não seria possível o personagem ficar a série inteira caçando bandidos da mesma forma que faz nos quadrinhos. Tratando-se de mídias distintas não ia ficar legal e não teria enredo, seria apenas um monte de tiros, explosões e socos em todo episódio. Sendo assim, a escolha de ‘rebootar’ as motivações do Frank foram bem acertadas. Depois de resolver seus problemas com aqueles que assassinaram sua família, Frank está sem rumo e só se contenta com um pouco de sangue nas mãos. Mas não pode ser qualquer sangue.

O que faz da sua parceria com Micro um novo ponto de partida. Ele agora tem um outro propósito o qual talvez nem tivesse cogitado antes que é de tentar ao menos limpar o próprio nome. E de quebra ajudar a família de Micro que está passando pela mesma coisa que ele passou com a sua. Só que dessa vez, não vai deixar ninguém ser morto. Toda essa troca entre os dois personagens, que relutam bastante em abrir a guarda, contribui para mostrar um outro lado de Frank: o de problemas de confiança. O que é compreensível para alguém que já foi traído tantas vezes e vai descobrir mais uma agora. De alguém que ele não esperava levando-o a mais um caminho sem volta.

A série tem poucos pontos negativos, como os personagens da Madani e Curtis, não chega a atrapalhar tanto, porém, fica atrás das outras que possuem mais destaques positivos além do peso do protagonista que é o caso aqui.

5º LUGAR – PUNHO DE FERRO 

O quê? Como assim essa série não pegou o último lugar? Porque ela tem seus méritos.

Da mesma forma que o Luke Cage, o personagem do Punho de Ferro é considerado de segundo escalão, aparecendo vez ou outra em algumas revistas e arcos fechados nos quadrinhos. A escolha do ator britânico Finn Jones para o papel rendeu controvérsias por parte daqueles que desconheciam a origem do personagem.

Mas o ator conseguiu atribuir a ingenuidade e inocência de alguém que foi educado por monges para um único propósito: ser o protetor de Kun-Lun. Frase essa que viraria bordão mais para frente. Filho único, viu seus pais morrerem num acidente e ficar ilhado num lugar místico. Ao retornar ao mundo ocidental, suas maneiras não cabem mais e ele está deslocado. Só que nada disso pode ser avaliado já que grande parte do público estava focando nas lutas e em como ela foram mal coreografadas. O que é verdade.

A comparação com as cenas de luta de Demolidor foram inevitáveis, porém, um ponto importante foi deixado de fora: Matt usa máscara e o Danny não. Muito mais fácil colocar um dublê com 80% do rosto coberto e gravá-lo em cenas de luta do que ensinar a um ator tantas manobras em pouco tempo. Por isso os inúmeros cortes e a sensação de cenas picotadas fizeram parte da reclamação da internet. Não era possível apresentar cenas com movimentos inteiros para não correr o risco de aparecer o rosto do dublê ao invés do ator.

Toda a interação com a família Meachum e o destaque para a Madame Gao deram um gás a mais para a série. Óbvio que se compararmos as outras séries, essa é a dita mais fraca. Só que acredito que cada série é uma e precisa ser vista individualmente ou perde-se parte da experiência.

6º LUGAR – OS DEFENSORES 

Essa foi a série mais fácil de posicionar em relação as outras. Porque por mais que tenha gostado dos episódios iniciais, tem tantos erros que nem mesmo os quatro protagonistas conseguiram salvar.

A questão da identidade visual de cada um ser mostrada nos primeiros episódios, trocando as cores e tudo mais foi bem pensado. Dividi-los em duplas também. Matt e Jessica fizeram um ótimo par, possuem diálogos cômicos. E óbvio, todos estávamos esperando pelo encontro de Danny e Luke que nos quadrinhos fazem parte do Heroes for Hire. A dinâmica entre eles funciona bem e prende a atenção do espectador. Mas, para por aí.

Toda a parte dos vilões, de finalmente conhecermos os membros da temível organização, é fraca demais. Nenhuma daquelas pessoas passa medo de verdade. A imortalidade é o que os mantém na ativa, porque sem isso, são como qualquer outro vilão do dia. A atriz Sigourney Weaver foi desperdiçada e perdeu o posto para ninguém menos que Elektra. A mesma que recebeu uma chuva de reclamações desde sua aparição na segunda temporada de Demolidor. E aqui não foi diferente. Tanto alarde em cima do céu negro, para no final, não ser nada do esperado. Apenas serviu para reviver parte da relação conturbada entre ela e Matt que ficou inacabada lá em Demolidor. E dar um motivo do mesmo se unir aos Defensores nessa luta.

Logo, com vilões tão fracos, resta aos protagonistas sustentarem o seriado e é o que ocorre. Embora vê-los interagindo seja a realização de um desejo de muitos, não deve ser só isso a sustentar um seriado. Sem mencionar os erros de CGI e outros de desenvolvimento de personagens secundários e trama.

Agora é esperar a nova leva de temporadas da parceria Marvel/Netflix que tem início com a 2ª temporada de Jessica Jones agora em 08 de Março e deve seguir também com a 2ª temporada de Luke Cage a 3ª temporada de Demolidor que encontra-se em fase de gravações.