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Recap: “The Handmaid’s Tale” – Baggage (02×03)

Recap: “The Handmaid’s Tale” – Baggage (02×03)

Sinto que nunca vamos estar preparados para um episódio dessa série. E Baggage só deixou essa teoria ainda mais clara.

Obtivemos algumas boas respostas sobre passagem de tempo e personagens. Coisas que desconfio não tenha passado pela cabeça de muitos. Como por exemplo, o que aconteceu aos pais de June? Sei que esse pensamento nunca passou pela a minha cabeça, diante de tantos fatos. E acho que isso é um dos trunfos de The Handmaid’s Tale. São episódios tão intensos que o espectador não consegue pensar muito além daquilo que assiste.

Na maioria das vezes, as teorias e dúvidas surgem de apontamentos dentro do próprio episódio. Qual vai ser o próximo passo de June? Será que o Luke está fazendo algo para resgatá-la? E a menina? Vão finalmente conseguir resgatar Hannah de se tornar uma aia como a mãe? Só que tudo isso continua dentro do escopo dos episódios. Nunca nos questionamos sobre outros personagens como a mãe de June, a qual somos apresentados aqui.

PESQUISA

Finalmente temos uma noção boa de tempo. Tem dois meses que June está vivendo dentro do prédio do The Boston Globe. A barriga da gravidez começou a pontar e ela tem procurado ocupar bem os seus dias. Está fazendo exercícios, correndo pelo prédio e, algo que queria que ela fizesse, usasse os arquivos do jornal a seu favor.

June tem procurado nos arquivos do jornal tudo relacionado à Gilead. Como foi que tal organização conseguiu crescer tanto sem que ninguém reparasse? Bem, alguém reparou. O próprio The Boston Globe publicava notícia sobre os Filhos de Jacob. O grupo militar/religioso que acabou criando Gilead. De alguma forma, eles sempre estiveram ali. E foram crescendo e tomando forma, ganhando mais seguidores.

Mas ela então lembra de outra coisa. Uma pessoa que também viu a ascenção desse grupo, mas de uma outra forma: a sua mãe.

MATERNAL

Pela primeira vez vemos um pouco mais de June sem que ela esteja diretamente relacionada a eventos atuais. Temos um pouco da sua infância. Crescer com uma mãe militante e que não parava de protestar. Mas ainda assim, ela sente que é diferente. E parece até que a mãe se ressente pelo o que a filha se tornou. Uma mulher satisfeita em trabalhar para uma editora e casar com um homem que traiu a esposa para ficar com ela.

É visível o quão conturbada é a relação entre as duas. O que não quer dizer que elas não se amavam. Isso não entra na equação. Porém, a mãe (Cherry Jones) de June tem um claro apreço maior por Moira que é lésbica e militante como ela. Todo o conformismo da filha lhe incomoda muito. E por diversas vezes ela fala que há um perigo se aproximando. Que ficar com o Luke pode não ser seguro para ela.

Tais lembranças chegam junto com o fato da própria June estar relutando em deixar a filha para trás. Uma batalha interna constante entre fugir dali, ir para o Canadá e voltar para apanhar Hannah.

SEM IDENTIDADE

Do lado de lá da fronteira, a liberdade ainda não chegou para Moira. Por mais que ela agora seja voluntária e receba todos bem todos aqueles que escaparam de Gilead, tal qual Tia Lydia disse, Gilead ainda não saiu dela.

Passa a ter dificuldades em se relacionar com outras mulheres e até mesmo comentar sobre os horrores que passou. Quase como se ela tivesse perdido a própria identidade e quem ela vê no espelho é Ruby, o nome que usava no bordel. E não mais a ativa e destemida Moira. Seu espírito foi quebrado e isso demora a consertar.

DO OUTRO LADO

Dentro de Gilead nós temos as Aias (que usam vermelho), as Marthas (que usam verdes desbotado), as Esposas (que usam azul), as Tias (que também usam marrom), os Guardas e demais homens usam preto. Mas, só existem essas pessoas? Isso foi algo que sempre me perguntei, pois há outros provedores de serviços. Como o próprio açougueiro da primeira temporada. Aonde estão essas pessoas?

Em Baggage tivemos essas resposta, eles são os Econopeople. Que consiste numa mistura de Aias e Marthas e homens aptos a outro tipo de serviço que não Guardas. São também minorias que agora se escondem debaixo dessa máscara de tons de cinza. Omar (Yahya Abdul-Mateen II) que é o homem que busca June do terceiro esconderijo é um deles.

Ele faz parte de uma minoria religiosa que até então não havia sido apresentado na série. Mas que é mostrado no livro. Tendo em vista que o mesmo foi escrito em 1985, o islamismo ainda não era tão popular e portanto não foi abordado. Aqui Omar esconde sua crença debaixo do colchão e é obrigado a frequentar a igreja e seguir a religião imposta por esse novo regime.

Provável que essas pessoas não tenha muita noção do que acontece do lado de lá. Pois, a esposa de Omar repreende June como se ela tivesse o poder de escolher se ela quer gerar o filho de uma outra pessoa ou não. Conto ou você conta?

A FUGA

Cansada de esperar e com medo de ser descoberta, June decidi correr o risco e ir buscar o campo de pouso por conta própria. Não sei se concordo com a atitude dela, mas ficar esperando 3 horas além do combinado deve ser angustiante.

Nesse interim, entre uma lembrança e outra, vem na memória o treinamento de aia, quando sem querer ela descobriu o que havia acontecido com a sua mãe. Provável que tenha sido capturada antes mesmo de todo o ataque e mandada para uma das colônias. Essa informação faz com que tanto Moira e June entendam a dimensão do que estava acontecendo e como a mãe de June sempre lutou contra.

Disfarçada como uma econoesposa, usando cinza e um gorro como as outras, ela sai dali pronta a deixar tudo para trás. Mesmo com Omar lhe avisando que não existia mais segurança no abrigo e que ela precisava esperar. Mas June não aguenta. Ela consegue passar despercebida pela maioria dos guardas, pega o trem e acha o seu caminho, indo parar no campo de pouso onde ficar aguardando anoitecer.

A noite vem, junto com o avião monomotor que vai lhe tirar dali. Só que ela não é a única a querer fugir. Uma outra pessoa aparece, um motorista de algum comandante e os dois são colocados dentro do avião. Prestes a decolar, soltando aquele ar de alívio do peito, o avião é atingido por diversas balas e não decola. O piloto é arrancado da aeronave e executado. O motorista também é retirado do avião, junto com June que esperneia e grita. Ela estava tão perto para retornar as mãos de Gilead.

CONCLUSÕES FINAIS

Como disse lá no início do texto, nunca se está preparado para os episódios de The Handmaid’s Tale. Estava preparada para a fuga de June. O reencontro com Luke e Moira e os planos de ataque à Gilead. Entretanto, já vi que isso não vai acontecer tão cedo.

Luke mencionou que as tropas canadenses e britânicas estão organizando um futuro ataque e vai restar à June esperar por elas. Agora, onde esse plano deu errado? Será que aconteceu algo com Nick para não ir se encontrar com a June?

E isso acabou prejudicando todo o plano, o que inclui o abrigo seguro do Mayday que era para onde June seria levada? Teria sido Nick pego também? E se ela tivesse ficado quieta na casa do Omar, teria ele retornado com a esposa e filho e ajudado-a com a fuga? Talvez ele fosse ter informações mais sólidas que não a fizessem ter sido pega. Mas, será que os Guardas sabem que June é uma aia procurada?

Muitas perguntas as quais não vamos ter uma resposta tão cedo. Só espero que ainda demore para que June retorne à Gilead, pois agora eles vão fazer com ela o que fizeram a outra menina grávida. Acorrentá-la a um quarto escuro até a criança nascer.

The Handmaid’s Tale vai ao ar toda quarta-feira no serviço de streaming Hulu.