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Recap: “The Handmaid’s Tale” – Seeds (02×05)

Recap: “The Handmaid’s Tale” – Seeds (02×05)

Que episódio tenso. Seeds contou com muita informação em poucos diálogos. Aqui o que falou mais alto foi o jogo de câmera, alto ou baixo. Os olhares trocados. As palavras não proferidas. A mudança de cenário e a rejeição.

Estava com medo da não reação de Offred perante a sua atual situação e não me enganei. Depois de ter conquistado uma liberdade provisória, foi arrastada de volta à Gilead e obrigada a embarcar numa nova situação: a de Aia grávida. Habitar uma casa de aparências. Mais do que todas as outras. Perder toda a esperança de uma vida longe desse regime. E ainda, forçar uma situação cruel na vida das pessoas que tentaram lhe ajudar. Nada fácil.

Mas, ao passo que as coisas se desenrolam, temos a distinta noção de que ninguém está satisfeito vivendo dessa forma e Seeds provou isso.

NÃO SOU EU

A gravidez está aí. Fato. Porém, ninguém está confortável com a situação. Nem Serena Joy que provocou todo esse regime e muito menos Offred.

A primeira sempre esteve acostumada a uma posição privilegiada e de destaque. Sente falta de ser produtiva e mais e mais a vida simples de Esposa não está lhe provendo o que esperava. Talvez uma criança consiga cumprir esse vazio. Talvez. Só que ela está fazendo de tudo para aceitar a situação. Aceitar essa criança. Que está crescendo no corpo de uma mulher que não a quer. Nunca quis.

O que nos leva até Offred. No instante que ela colocou os pés na casa dos Waterford, sua essência se quebrou. Tem funcionado no automático, o que parece incomodar até mesmo Serena. Ora, mas não era isso que a Esposa queria? Uma Aia obediente? Por que então o incômodo com a nova atitude de Offred? Tia Lydia parece achar que está tudo dentro dos conformes.

Mas Serena Joy sente que há algo de errado e tenta forçar uma situação mais amigável com Offred, em vão. A Aia se recusa a concordar com a sua situação e está apenas sobrevivendo dia a dia. Como esperam dela. Por que isso é tão ruim?

UM PEQUENO MAMÃO

Como um comentário relacionado a uma fruta pode gerar tantos desdobramentos? Graças a afirmação de Tia Lydia, o Comandante decide que é hora de fazer algo por Nick, seu fiel motorista.

Assim como nós ele não esqueceu do rompante da esposa, lhe dizendo que não é homem o suficiente. E para fechar a briga, ela deixa bem claro que o filho que a Aia carrega não é dele. Fred não é burro. Somou quatro e quatro e pensou: quem é o único outro homem que habita essa casa? Bingo.

Não só isso. Fazia tempo que ele não tinha relações sexuais com a Aia, afinal, precisam copular (para não chamar de estupro) em dias específicos do calendário. Logo, não é mesmo possível que esse filho seja dele. Um homem frustrado tanto quanto a sua esposa. Porque ela já leva consigo a culpa de ser infértil. Mas até então, o marido sempre acreditou ser fértil. E tudo indica que ele não o é. Que lástima. Dois nomes envolvidos diretamente no regime, com interesses próprios desde o início e tão prejudicados mesmo assim. Nem mesmo um filho, como resultado de todo o esforço, Fred foi capaz de gerar.

INFERNO NA TERRA

Espero que ainda expliquem a razão de colocar todas as condenadas para cavar essa terra pútrida. Porque apenas para usar como punição é ridículo. Se bem que, os prisioneiros judeus quebravam pedras, então, talvez o pensamento não esteja tão longe.

Janine é uma personagem que sempre destoa desse cenário. Mesmo quando vivia em Gilead, estava dentro de sua própria bolha. Não a toa a Tia Lydia acabou se afeiçoando a ela até certo ponto. E como Emily já se conformou com a situação, de trabalhar e morrer, ter Janine ali pode vir a ser um alívio para ela. Talvez ela consiga pensar em algo que as beneficie, mas não creio que vão fugir ou tentar algo do gênero.

O que é muito triste e espero estar enganada. Porém, George R.R. Martin me ensinou a não me apegar demais a certos personagens, pois posso me frustrar sem necessidade.

PROMOÇÃO

O plano do Comandante Waterford acabou dando certo. Seu pedido ao Price foi atendido e isso fez com que Nick fosse promovido. E o que isso significa? Bem, ele ganhou uma esposa para chamar de sua. Agora, o que isso é exatamente, fica a dúvida, porque vai morar junto com os Waterford.

Talvez seja uma tentativa de afastá-lo da Offred. Talvez seja uma tentativa de mostrar poder. Talvez seja apenas um homem com o ego ferido revidando da maneira que pode. O que não adianta muito, pois Nick continua sendo o verdadeiro pai do bebê que Offred carrega.

A cerimônia acabou levantando outras questões, como o fato da Aia ter se desconectado de vez da única coisa que parecia a manter sã que era sua relação com o motorista. Ela parece estar visivelmente abalada com tudo o que se desdobra na sua frente. Seus olhos dizem muito. E quando é ordenada a sair da sala para que os dois casais possam comemorar, tudo fica ainda mais claro. Acabou.

Tal mudança vai afetar também a vida externa do Nick. Com uma outra pessoa em seu encalço, não mais vai poder ir e vir como bem entender. Passar noites fora, pois sua esposa vai notar a sua ausência. E tal qual todas as outras meninas que cresceram já dentro do regime, a lavagem cerebral é forte. Ela quer agradar e não sair da linha um centímetro. Não vai ser tão fácil assim convencê-la do contrário. Se é que Nick vai pensar nisso ou chegar a esse ponto.

FIM DA LINHA

As caminhadas com a Sra. Waterford. O suco verde. O quarto sombrio e gélido. A sensação de ter fracassado. De novo. Todos esse elementos contribuíram para a dissonância vista em Offred. Se desconectou dela mesma e da sua realidade, conformada apenas em existir.

Essa briga entre psicológico e físico afetou a sua gravidez, pois o corpo entende que ela está rejeitando o bebê. Levando-a ter sangramento e esconder a informação. Talvez pensasse que conseguisse sangrar até a morte e por isso se escondeu no meio das plantas na casa. Só não contava que Nick fosse encontrá-la ali e pedir ajuda. Bem, ele avisou a Sra. Waterford que Offred não parecia bem e ela não quis ouvir certo? Mas a Tia Lydia também deixou claro que uma casa em harmonia é necessária para o bem estar da criança durante a gestação. Será que agora ela vai mudar de ideia ou querer punir a Aia?

O susto leva June a despertar novamente. Ganhar aquele brilho malicioso no olhar e tomar mais uma decisão importante: não abrir mão da criança e nem de quem ela é por Gilead.

CONCLUSÕES FINAIS

Lá no início descrevi Seeds como um episódio tenso, mas acho que a palavra correta seria denso. Teve uma atmosfera mais pesada. Repleta com a frustração de todos os personagens, cada qual pela sua própria razão.

Serena Joy e sua inabilidade em conseguir se entender com a Aia e aceitar a gravidez e a criança. Comandante Waterford que é mal visto entre os seus e agora tem a certeza de que não pode nem gerar um filho. Nick que perdeu sua pouca liberdade e vida externa num golpe bem calculado pelo comandante. Sem esquecer que falhou com June ao tentar tirá-la dali. Emily por ter parado de lutar e aceitado o peso das consequências. E Offred que decidiu abraçar de vez a vida em Gilead e quase pagou o preço por isso.

O que será que vai acontecer com a Tia Lydia? Ela garantiu a Serena Joy que estava tudo bem com a saúde da Aia e no final não era bem assim né? Quais vão ser as consequências para ela? Será que vai ter alguma? Já que ela possui um certo status, acima até mesmo da Sra. Waterford. Algo que é possível enxergar no jogo de câmeras entre as duas que nunca está nivelado. A Tia é quase sempre vista de baixo para cima, numa posição de poder, enquanto a Esposa é vista pelo ângulo oposto.

The Handmaid’s Tale é transmitido toda quarta-feira no serviço de streaming Hulu.