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Recap: “The Handmaid’s Tale” – Unwomen (02×02)

Recap: “The Handmaid’s Tale” – Unwomen (02×02)

Se no primeiro episódio tivemos alguns momentos de tensão. Em Unwomen foi hora de refletir e traçar o passado de uma importante personagem: a Ofglen.

Lá na primeira temporada, sabíamos que fazia parte do Mayday – grupo de rebeldes dentro de Gilead – e que ela tentou recrutar Offred. É ela quem avisa que tem um membro do Olho dentro da casa dos Waterford. Que depois descobrimos ser o Nick. As duas se tornaram amigas, contudo, Ofglen não aguentou a pressão psicológica por muito mais tempo. Primeiro descobrem que ela e uma Martha estavam tendo um caso. Enquanto a Martha não tem mais condições de gerar uma criança e é enviada para a forca, Ofglen tem sua vagina mutilada como punição. Mas, como diz Tia Lydia feliz, ela não precisa se preocupar, pois ainda será capaz de gerar filhos. Com tudo isso, Ofglen não aguenta mais e acaba roubando um carro e atropelando e matando algumas pessoas.

É o fim em Gilead para ela que é enviada para as temíveis colônias, não aparecendo mais nessa temporada.

MAYDAY

June é mais uma vez levada até outro ponto. Após fazer perguntas ao seu motorista, descobre que ele sabe tanto quanto ela. Nos levando a crer que a estratégia do Mayday é repassar ao seus aliados o mínimo de informação possível. Assim, caso sejam pegos, não podem estragar a operação.

O motorista lhe dá algumas provisões e água e diz que volta dali 1 semana. Ao passo que June fica desesperada. Como assim ela vai ter que ficar isolada dentro desse prédio por tanto tempo? Mas é o que tem para o momento se ela quiser fugir de Gilead. Afinal, ainda estão atrás dela.

Logo ela começa a explorar o local que parece ser a sede de um jornal, devido ao maquinário e enormes rolos de papel. Ainda tem energia elétrica em alguns pontos, então ela não precisa ficar no escuro. Mas, conforme vai passando pelos setores e encontrando o que foi deixado para trás, é tomada por uma enorme angústia. O lugar é assombrado por lembranças de vidas interrompidas bruscamente.

Tudo piora quando June encontra cordas de enforcamento e uma parede cheia de buracos de bala. A constatação de que aquele local era um matadouro é o suficiente para deixá-la em pânico. E quando Nick chega para visitá-la, ela só quer sair dali o mais rápido possível. Mas o rapaz insiste que ainda não dá. Ela não é apenas uma aia que fugiu. Ela é uma aia grávida que fugiu. Tem um peso muito maior.

COLÔNIAS

E quem foi que apareceu? Ela mesma, a Ofglen que agora é conhecida por seu nome: Emily. Junto com outras mulheres, ela precisa encher diariamente 10 sacos com aquela terra contaminada se quiser receber comida no final do dia. Todavia, não há qualquer explicação para isso. Qual o sentido em escavar e remexer nessa terra? Levando as pessoas ali a ficarem doentes e eventualmente morrer?

A resposta é simples: a intenção é essa mesma. Quando a câmera mostra um ângulo aberto do local, é impossível não lembrar do layout dos campos de trabalhos forçados da Alemanha nazista. O propósito aqui é obrigar essas mulheres trabalharem até a exaustão como forma de punição por seus crimes.

O de Emily, porém, acaba tendo um peso ainda maior, pois ela é considerada uma traidora do gênero. Ela não apenas deitou com uma mulher antes de tudo acontecer. Mas continuou fazendo isso mesmo quando “poupada” por Gilead. Como ela não estava grata por ter tido uma oportunidade melhor de vida do que aquela que levava antes?

PROFESSORA

É o momento de voltarmos ao passado e conhecermos um pouco da história de Emily. Como ela era uma professora universitária (algo que ela menciona na primeira temporada) e se viu presa, de novo, as convenções tradicionais quando o regime de Gilead começou a tomar forma. Numa conversa com Dan, um colega de trabalho, ela entende que esse regime está obrigando todos os homossexuais a voltar para o armário. Depois de muita luta por reconhecimento de igualdade, direitos e respeito, mais uma vez eles estão na mira.

Só que mais ainda do que esconder sua orientação sexual, é esconder quem você é. Precisar fingir para sobreviver e Emily não consegue isso. Até tenta por algum tempo, mas quando Dan é enforcado, ela entende que precisa sair dali e levar sua família. Infelizmente, tomou a decisão tarde demais. No aeroporto são questionadas e o oficial de imigração lhe faz perguntas muito pertinentes como: foi você quem gerou essa criança? os óvulos são seus ou fecundados por outra pessoa?

Dando a entender que já estava rolando uma espécie de coleta de informações sobre mulheres ainda férteis e que poderiam se tornar as aias.

Emily é separada de sua família, pois o novo regime não reconhece que elas sejam casadas. Mesmo que o primeiro oficial de imigração tenha dito que o documento era válido, na verdade, era tudo uma tática. Ela então se vê dando tchau para as duas pessoas mais importantes da sua vida.

DE VOLTA AS COLÔNIAS

Nesse lugar miserável, em meio a essa terra podre, os status ainda permanecem e Emily tem uma posição de vantagem. As outras mulheres a respeitam pelo fato dela cuidar de seus ferimentos e tentar deixá-las mais confortáveis. Com a disposição das camas e condições péssimas de habitação, é impossível não ficar enojado com o tratamento.

Somente a noite que elas tem direito ao descanso após um dia longo de trabalho forçado. É quando chega um ônibus carregando uma nova leva de prisioneiras, e entre elas, uma Esposa. A mulher tenta ser cordial com as outras que estão no quarto, mas elas lhe destratam. Apenas Emily é gentil com ela. Durante o dia no trabalho, fica observando a mulher e a noite lhe auxilia e dá dicas sobre como se proteger na hora de mexer na terra.

As outras prisioneiras não interferem no tratamento e tampouco estranham a aproximação de Emily com essa Esposa. Quase como se Gilead ainda não tivesse saído dela, mesmo naquele lugar.

Não demora para que a Esposa comece a se sentir muito mal. Emily vai até ela e diz que não demora e a dor vai passar. Acontece que ela não deixou de lutar. Nem de se vingar daqueles que a fizeram se esconder de novo. A Esposa morre e as prisioneiras encontram uma solução para desfazer do corpo. Uma que lhes trará consequências.

Um outro ônibus chega, trazendo mais prisioneiras. Entre elas está Janine a quem Emily recebe brevemente, antes de serem separadas por uma Tia. E por um momento curto, ela sente que não está sozinha.

MEMORIAL

Já mais acomodada e assistindo a um episódio de Friends, June decide que é hora de fazer algo por aqueles que ali pereceram. Ela decide recolher alguns pertences e monta um memorial na mesma parede a qual essas pessoas foram fuziladas. Lá faz uma reza por essas pessoas e pede em oração que Deus envie seus anjos para libertar aquelas pessoas.

Um gesto simbólico de reconhecimento pelas suas mortes. Algo que suas famílias e entes queridos não puderam fazer por essas pessoas. O local é um enorme cemitério de lembranças e vidas que se foram, durante a consolidação do atual regime.

Todos funcionários de um jornal, The Boston Globe, que outrora foi responsável por desvendar crimes e trazer uma luz sobre coisas que o público nem sonharia em saber como o caso dos padres abusadores. Lembram de Spotlight? Pois bem, a equipe de investigadores era desse jornal. Óbvio que o regime acabou com todos eles. Não queria que a população soubesse do que estava acontecendo.

Sem informação facilita para que a população não consiga desenvolver um senso crítico sobre o que está acontecendo. Não era do interesse deles se explicar. Muito mais fácil agir de forma rápida e pegar a todos de surpresa.

CONCLUSÕES FINAIS

Unwomen foi um episódio mais introspectivo e que mexeu com a psiquê de duas personagens importantes: June e Emily.

Também foi uma introdução as colônias, algo o qual só ouvimos falar em ameaças proferidas por outros personagens. Mas, se formos parar e pensar friamente, não tem lá muita diferença entre as colônias e Gilead. As aias não tem qualquer liberdade de ir e vir e precisam obedecer constantemente as ordens, além de serem estupradas por seus senhores num ato justificado por esse regime.

E enquanto as prisioneiras não precisam passar por isso, elas também estão presas a uma rotina de trabalhos forçados, levando-as eventualmente a morrer. Talvez a única diferença é que de um lado a morte é psicológica, enquanto do outro é a morte em forma física.

Como diz June em uma cena: Você sai de Gilead, mas Gilead não sai mais de você. 

The Handmaid’s Tale vai ao ar toda quarta-feira no serviço de streaming Hulu.