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Recap: “Westworld” – Phase Space (02×06)

Recap: “Westworld” – Phase Space (02×06)

Conforme nos aproximamos do final da temporada (só mais quatro episódios) os enigmas parecem se alinhar e em Phase Space fomos apresentados a alguns deles.

O último episódio teve um ritmo mais lento, onde alguns compararam com uma dança. A temática dentro do parque Shogun foi bem elaborada. Tendo enfoque na Maeve e toda a possível crítica social relacionada à criatividade. Porém, se comparado a outros episódios e até mesmo à dinâmica da primeira temporada, foi abaixo do normal. Ou pelo menos do que era o esperado.

Porém, Phase Space teve um ritmo mais agitado. Com foco não apenas em um personagem, mas sim em três e com direito a um belo plot twist no final.

PHASE SPACE

O próprio título do episódio meio que indica o que iríamos ver. A definição teórica de Phase Space é um espaço onde todas possibilidades de um único sistema é representado. E cada uma dessas possibilidades correspondo a um ponto único nesse espaço.

E o que isso quer dizer?

Bem, quando Bernard e Elsie conseguem acessar o sistema ela faz uma descoberta intrigante. Todos que tentaram reaver o controle do sistema, foram jogados para fora pelo Cradle. Ao passo que Bernard aponta que isso é impossível, pois o Cradle funciona apenas como backup das personalidades dos anfitriões e não possui tal autonomia. É quase uma espécie de beta-teste onde todas as narrativas são testadas aqui antes de inseridas em Westworld. Elsie, no entanto, descobre que tem uma semana que o Cradle tomou conta do sistema e improvisado durante todo esse tempo.

É então que Bernard decide se aventurar no Cradle a fim de desvendar o que de fato anda acontecendo no parque.

O CONTROLE

Como é bom ser enganado. Ao menos é o que gosto de pensar quando alguma série me surpreende com uma ação inesperada. O caso da conversa entre Dolores e Bernard que na realidade é o Arnold.

Nesse cenário parecia que era ele quem a estava testando, como vimos anteriormente, mas, na realidade, era o contrário. Dolores parece ter todo o controle sobre o anfitrião e não só isso, tem um plano detalhado para ele. E esse plano implica em algo relacionado a fidelidade. Então, ela vai testar as ações do Arnold em prol de um desejo próprio que não sabemos qual é.

Outro ponto interessante é que tanto essa sequência e a que Bernard entra no Cradle, estão num formato diferente. A série é transmitida em 16:9 o famoso formato widescreen, mas essas duas sequências são em formato de cinema, com as barras pretas. Dando a entender que as duas situações estão de alguma forma correlacionadas.

E AGORA?

Maeve cumpriu com a sua promessa e levou Misashi e Akane até o destino combinado, mas eles não quiseram acompanhá-la. O que faz todo sentido.

O que levou ela e sua equipe até a pradaria de sua primeira narrativa para encontrar a sua filha. Só que era óbvio que depois de tanto tempo a criança não estaria lá parada sem fazer nada. O parque tratou de realocar as narrativas o que inclui uma nova mãe para a menina. Algo que Maeve não previu, mostrando uma certa falha na percepção da personagem que tem se tornado cada vez mais poderosa.

De todo modo, Maeve reencontra a menina, que não faz ideia de quem ela é, para segundos depois serem atacados pelos homens da Nação Fantasma. Ele a convida para acompanhá-lo, mas Maeve continua fugindo com a criança enquanto Hector, Armistice e Hanaryo partem em sua defesa. Enquanto Lee fica para trás e decide passar a perna em Maeve chamando por reforço.

Mesmo que eles consigam escapar dali, a parte triste vai ser Maeve tentando mexer na memória da menina a fim de que lembre dela como mãe. E não daquela outra anfitriã. Não vai ser um final feliz. Acho.

VELHO AMIGO

E durante o passeio de Arnold/Bernard pelo backup do Cradle ele seguia a narrativa inicial da temporada como se estivesse na pele de Teddy.

Personagem esse que foi transformado por completo graças à Dolores e acho que ela está começando a temer essa decisão. Antes possuía compaixão e se importava com demais anfitriões, mas agora, está por completo debaixo da saia de Dolores. Preso as suas decisões. Tal qual demais anfitriões que estão ao seu lado.

É dentro dessa visão que Arnold/Bernard navega por Westworld, revivendo aquelas mesmas cenas que nós mesmos já vimos tantas vezes lá na primeira temporada. Mas é quando as coisas ficam interessantes. Ele entra no saloon e dá de cara com um rosto bem familiar: Ford.

O que isso significa? Bem, não é de fato o Ford em carne e osso porque esse morreu. Corpo apareceu, buraco na cabeça e não era nada mecânico. Então, não, ele não fingiu a morte (espero). O que temos aqui é uma espécie de horcruxe, onde ele aproveitou a tecnologia que estava à mão e espalhou-se ao longo da extensão do parque. Se infiltrando diretamente no backup e tendo ainda controle da sua criação.

Nos levando a duas possíveis teorias:

  1. Talvez a súbito surto de liberdade de Maeve e Dolores não seja real. E sim algo fabricado por Ford para fazer com que a Delos perdesse o controle do parque depois de tentarem tirá-lo do poder.
  2. Como no início vemos Bernard roubar um cilindro vermelho, que equivale ao cerne de um anfitrião, pode ser que exista uma versão de Ford “perdida” em Westworld. Ou ainda que ele tenha feito um upload da mente de Ford direto para o Cradle.

CONCLUSÕES FINAIS

O que me parece é que há um esforço exagerado para continuar mantendo o ar de mistério em uma narrativa que na realidade é bem simples.

Mas, por diversas razões, continua a ser esticada ao máximo para caber em 10 episódios como manda o contrato solicitado pela HBO. Quando a verdade é que não existe tanto o que esticar assim e por isso alguns episódios acabam destoando dos outros. Outro ponto é que a dinâmica dessa segunda temporada está mais arrastada. E episódios que tem foco em apenas uma narrativa acabam tendo desempenho de audiência menor do que aqueles que possuem várias linhas narrativas. O episódio 4 The Riddle of the Sphinx e Phase Space possuem pontuação mais alta até o momento.

O que aprendemos nesse episódio em particular é que Dolores perdeu a mão. E provável que ela encontre com William mais para frente e também com a filha dele. O resultado desse encontro não é possível prever. Até porque ela mudou os planos para resgatar seu pai, que agora está dentro da parte administrativa do parque. Mais um banho de sangue por aí? Quem sabe? Teddy pode se rebelar até lá.

E o que Maeve pretende agora que conseguiu reencontrar a filha? Será que ela e Hector vão deixar o parque e tentar construir uma vida? Como eles planejam fazer isso é que fica a questão.