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“Reign of the Supermen” é uma bela homenagem ao filho de Krypton

“Reign of the Supermen” é uma bela homenagem ao filho de Krypton

É inegável que para o estabelecimento de seu universo de filmes animados, a DC Comics transitou por um caminho bem menos tortuoso do que seu universo estendido nos cinemas. Em sua última aposta a editora norte-americana traz a continuação dos eventos da animação The Death of Superman (2018).

Em Reign of the Supermen temos a passagem de seis meses desde o sacrifício feito pelo homem de aço. Com isso a população não só de Metrópolis, mas do mundo inteiro, tem que aprender a viver sem a existência de seu maior protetor. Essa adaptação ocorre da pior maneira possível e é nesta conjuntura que quatro aspirantes ao posto deixado pelo herói, surgem reivindicando o status de Superman para si. Os eventos forçam a intrépida repórter, Lois Lane (Rebecca Romijn) partir em busca de respostas e isso a coloca no centro de toda ação.

A animação é baseada em um dos arcos mais icônicos da editora nos anos 90. Tem início em A morte de Superman, passando pelo funeral e sendo finalizado com O Retorno do Superman.

A animação bebe da melhor fonte, oferecendo um roteiro na maior parte do tempo bem fiel aos quadrinhos. Isso sem perder a conexão com os eventos inseridos no universo compartilhado de Justice League War (2014). Ao decorrer de 87 minutos somos apresentados a essas quatro figuras que dividem o destaque entre si. Temos um arrogante e prepotente Superboy (Cameron Monaghan), que rouba a cena a cada aparição, além de Steel (Cress Williams), Cyborg Superman (Jerry O’Connell) e Eradicator (Charles Halford). Cada um tem sua própria visão de como ser Kal-El. Cada qual com personalidades e metodologia de combate distintas. Suas ações levantam questionamentos sobre qual deles seria o verdadeiro Superman.

O roteiro tenta desmistificar o conceito de que só existe um Superman, passando a trabalhar com o forte simbolismo do herói e seu legado. Todos podem ser o Superman e é a partir dessas quatro figuras distintas que esse conceito se fortalece. Porém, engana-se quem pensa que o protagonismo se restringe apenas aos aspirantes a homem de aço.Apesar do forte apelo por todo simbolismo de esperança deixado pelo Kryptoniano, é na figura de Lois Lane (Rebecca Romijn) que encontramos a real protagonista da animação.

A apresentação da repórter na animação conta com as principais características já conhecidas pelo fãs dos quadrinhos e ainda abre caminho para um antagonista formidável, que surge na figura de Lex Luthor (Rainn Wilson), o que ajuda a engrandecer ainda mais a personagem.

No entanto, é na representação da Liga da justiça que encontramos um dos pontos fracos da animação. Sem uma de suas principais figuras de liderança e mostrando-se desnorteada, a equipe acaba não tendo muita utilidade no desenrolar da trama. O time de heróis é reduzido a guarda do presidente, o que enfraquece o conceito apresentado pelo próprio roteiro de que “ todos somos Superman.”

Ainda assim Reign of the Superman cumpre com o esperado, trazendo a conclusão dos eventos do icônico arco A Morte do Superman, com uma abordagem mais competente do que a do controverso longa Batman vs. Superman (2016).  E ainda conta com a comoção necessária para o tão esperado retorno do “azulão.” Sua cena pós-créditos ainda abre espaço para o futuro do universo de filmes animados.

Em resumo Reign of the Supermen vai muito além de puro entretenimento. Acaba brindando os fãs não só do Superman, mas de quadrinhos em geral com uma bela homenagem ao último filho de Krypton. Vale a pena ser conferida.

Ficha Técnica
Direção: Sam Liu
Roteiro: Tim Sheridan, James Krieg
Elenco: Jerry O’Connell, Rebecca Romijn, Rainn Wilson, Khary Payton, Cameron Monaghan,
Cress Williams, Charles Halford, Patrick Fabian, Rosario Dawson, Jason O’Mara, Shemar Moore, Nathan Fillion, Christopher Gorham, Nyambi Nyambi, Tony Todd, Jennifer Hale, Brenda Strong, Toks Olagundoye, Erica Luttrell, Rocky Carroll, Max Mittelman, Paul Eiding, Trevor Devall
Duração: 87 min